Análises

Phantom Brave: The Hermuda Triangle

Phantom Brave: The Hermuda Triangle é um port da versão Wii, intitulada Phantom Brave: We Meet Again lançada em 2009 que por sua vez, é um remake da versão PS2 lançada em 2005 na Europa. Seria de esperar que esta nova versão para a PSP, tivesse algumas novidades em relação à versão Wii, mas tal não se verifica. Essencialmente, é o mesmo jogo apenas com alguns extras, como batalhas opcionais ou personagens.

Quem está familiarizado com SRPG, reconhece o nome Nippon Ichi Software, principalmente por ser a produtora de Disgaea. Por esse motivo, seria fácil assumir que Phantom Brave seria mais do mesmo, mas não é bem assim.

O ponto forte The Hermuda Triangle é o sistema de batalha, que mesmo sete anos após o lançamento da versão PS2, mantém uma sensação de novidade porque foge ao tradicional dentro do género. As lutas são por turnos e usam um sistema de evocação chamado “confine” que serve para chamar “phantoms” para a batalha através de objectos espalhados pelo cenário. Cada objecto atribui características e bónus diferentes, por isso, é necessário saber escolher quais os objectos a usar. Igualmente importante, é saber escolher a melhor equipa a usar em cada luta, pois cada uma tem os seus pontos fortes e fracos. A estratégia vencedora, passa por saber escolher uma boa equipa, equilibrada em que cada “phantom” é evocado para a batalha através dos itens que melhor complementam as suas características. Isto é muito importante pois existe um limite de evocações por batalha e um numero máximo de turnos que cada “phantom” evocado por Marona permanece em campo.

Complementando o sistema “confine” e ao contrário do que se tem visto dentro deste género, o sistema de movimento não é baseado em grelhas. Em vez disso, temos a liberdade de movimentos onde podemos escolher onde queremos determinada personagem desde que esteja dentro de um certo limite. Até podemos usar alguns truques para aumentar a distância máxima, como usar certas superfícies mais escorregadias para avançar mais um pouco. As fronteiras dos mapas também são algo a ter em conta, já que podem ser usadas para atirar os inimigos para fora da batalha. Tudo isto, contribui para um sistema de batalha com bastante profundidade mas que ao mesmo tempo, pode ser frustrante. Devido aos limites impostos ao numero de evocações e ao tempo que estes permanecem em campo, muitas vezes acabamos numa situação em que as únicas personagens que conseguem tirar dano aos inimigos, desaparecem porque chegaram ao limite de turnos. As evocações e os objectos escolhidos para as fazer, devem ser cuidadosamente planeadas.

A profundidade táctica oferecida pelos cenários e pelo “confine” definem o sistema de batalha e diferenciam Phantom Brave dos restantes SRPG, mas nem tudo é perfeito. O jogo poderia estar melhor equilibrado. Mesmo que sejam tomadas as decisões certas, as batalhas só serão ganhas se for feito bastante “grinding”. Não é uma opção, mas sim uma obrigação. Há truques para reduzir de forma drástica o tempo gasto no “grinding” mas isto só serve para reforçar a falta de equilíbrio presente, já que podemos aumentar de nível muito rapidamente a ponto de algumas lutas tornarem-se incrivelmente fáceis. Quando isto acontece, a Inteligência Artificial não reage muito bem e facilmente se deixa morrer. Para evitar tais situações, o melhor é evitar subir demasiado os níveis das personagens e ir fazendo “grinding” aos poucos de cada vez.

Phantom Brave, conta a história de Marona, uma rapariga de 13 anos orfã que vive com o seu guarda espiritual, Ash. Ela possuiu uma habilidade única que consiste em evocar “phantoms” para o mundo real. Ela usa essa habilidade fazer os trabalhos estranhos que mais ninguém quer. Por ela ter esta habilidade, é incompreendida e cruelmente tratada por aqueles que a rodeiam mas mantém uma postura optimista e ajuda quem precisa. Este optimismo é sentido por todo o jogo e tanto é o seu ponto forte como ponto fraco. À medida que se vai progredindo, Rorona e Ash conhecem novas personagens e começam a aperceber-se que existe um grande perigo no horizonte. A história tem alguns pontos altos e twists interessantes, mas confesso que estava à espera de algo mais “dark”, mais humor negro ao estilo Disgaea. Ainda assim, é boa o suficiente para agarrar o jogador até ao fim.

A história principal, dependendo da dedicação de cada um e da quantidade de “grinding” efectuada, dura entre 40 a 50 horas. Depois de acabado, existem alguns extras para aqueles que quiserem explorar ao máximo o jogo. Tal como em “We Meet Again”, existe uma história opcional chamada “Another Marona” que se passa após os eventos da história principal. “Another Marona” é bastante mais curto que a história principal e a dificuldade é maior o que requer ainda mais “grinding”. A única verdadeira novidade, é a inclusão de uma ilha onde podemos encontrar personagens de outros jogos como por exemplo as de Unclosing Ranger. Por outras palavras, “Another Marona” é um “expert mode”. Só quem quiser espremer tudo o que Phantom Brave tem para dar, é que se irá dedicar a este extra.

Falando em gráficos, os do Phantom Brave: The Hermuda Triangle são medíocres. Os detalhes dos sprites e dos cenários são baixos. Inclusive, lançamentos mais antigos de ports da PS2 como Disgaea 2, são mais detalhados do que The Hermuda Triangle. De vez em quando, a framerate não é muito consistente. As animações dos ataques e das cutscenes são razoáveis, mas ainda assim, a falta de atenção aos pormenores é gritante. Mesmo que o aspecto gráfico não seja o mais importante num SRPG, a verdade é que deveriam ter sido melhorados e optimizados para a PSP, principalmente por o catalogo de SRPG ser variado e apresentar excelentes jogos.

A nível sonoro, as musicas de Tenpei Sato são agradáveis de ouvir e ficam no ouvido. Não houve uma única vez em que não tenha gostado da musica ou que tenha achado mal enquadrada com os acontecimentos. Em relação ao “voice acting”, fiquem descansados que existe a opção de escolher as vozes japonesas. No geral as vozes inglesas são boas mas nota-se claramente que as vozes originais se enquadram muito melhor nas personagens.

Phantom Brave: The Hermuda Triangle, sendo um SRPG é dirigido apenas a um nicho. Não pretende nem nunca pretendeu conquistar novos jogadores. Comparando com Disgaea, diria que falta alguma personalidade. Quem gosta do género, vai ter umas boas horas de diversão, principalmente devido ao sistema de batalha. Por outro lado, quem jogou Phantom Brave na PS2 ou na Wii, não terá motivo nenhum para pegar em The Hermuda Triangle, até porque existem melhores opções dentro do género na PSP.

 

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