Análises

Catherine

Não é preciso muito para chegar à conclusão que Catherine é invulgar. Afinal de contas, não é todos os dias que vemos um jogo de puzzles de blocos com um aspecto gráfico colorido e inspirado por anime, cuja narrativa explora os privilégios e responsabilidades de uma relação amorosa entre dois adultos… Ou três.

Catherine tem três modos de jogo: Golden Playhouse, Babel e Colosseum. O primeiro, que pode ser considerado o principal, apresenta-nos a história de Vincent Brooks, um homem que vive um dia de cada vez, sem grandes planos para o futuro, próximo ou distante. Ora, isso é algo que não agrada à sua namorada, Katherine, que começa a demonstrar interesse em assentar e talvez até casar; no entanto, e apesar de feliz com sua relação, Vincent não está propriamente interessado em dar um passo tão grande e assumir tamanha responsabilidade. Para piorar (melhorar?) as coisas, durante uma das muitas noites passadas no Stray Sheep (o bar onde ele e os amigos se costumam encontrar), ele conhece Catherine, que é, para todos os efeitos, a mulher dos seus sonhos. Atraente e atrevida, não demora muito a conquistar Vincent… E a passar a noite com ele. Como se isso não fosse suficientemente mau para a sua vida, ultimamente, tem tido pesadelos em que tem de subir torres compostas por blocos antes que estes caiam; pesadelos que parecem perigosamente reais.

É nestes pesadelos que o jogo propriamente dito tem lugar. Ao longo de vários níveis, Vincent tem de puxar e empurrar uma variedade de blocos, criando caminhos para avançar e ultrapassar os diversos desafios que se lhe apresentam. Parece simples, mas nem sempre é o caso; há novos elementos a serem constantemente introduzidos (desde diferentes tipos de blocos a inimigos que o empurram, fazendo-o cair, ou até mesmo o matam) e as estruturas tornam-se progressivamente mais complexas. No fim de cada área, há um boss (cuja aparência é baseada num dos vários medos de Vincent) com habilidades especiais que dificulta ainda mais as coisas.

Nem tudo está contra o jogador, no entanto. Colocados em cada nível estão vários checkpoints, que permitem continuar a jogar a partir desse ponto, caso o jogador caia ou morra, e nos modos de dificuldade normal, fácil e muito fácil, é possível desfazer as últimas jogadas, havendo assim a possibilidade de evitar acidentes. Há ainda objectos que podem ser encontrados ou comprados que permitem a criação de blocos, a eliminação de inimigos, entre outros benefícios.

No seu melhor, ou seja, quando o jogador está perfeitamente ciente de todas as nuances e particularidades da jogabilidade, há uma sensação excelente de satisfação ao conseguir ultrapassar os puzzles ou situações aparentemente mais complexas. Porém, há também a possibilidade alguns jogadores sentirem frustração devido à ausência de controlo total da câmara ou com alguma situação mais difícil; mas nada que uma redução no modo de dificuldade não resolva.

Entre cada nível, o jogador tem a oportunidade de interagir com várias… ovelhas que se encontram na mesma situação, e algumas delas têm informação acerca de técnicas indispensáveis para ultrapassar os níveis subsequentes. Para avançar para o nível seguinte, é necessário responder a uma pergunta numa espécie de confessionário (dirigida directamente ao jogador, e não ao personagem), cuja resposta alterará uma barra que mede certos comportamentos e decisões tomadas. Esta barra, por sua vez, influencia as reacções de Vincent em certas situações e até mesmo o final do jogo.

Findos os pesadelos, Vincent volta ao mundo real, onde a história se desenrola através de cutscenes com excelente diálogo entre personagens que são convincentes e, por vezes, genuinamente engraçadas e onde é possível chatear toda a gente presente no Stray Sheep (leia-se: ajudá-los com os seus problemas). E não só: beber vários tipos de álcool (que afectam a velocidade de Vincent nos pesadelos, tornando-o mais rápido), jogar Rapunzel (um mini-jogo com as mesmas mecânicas do jogo principal e com a sua própria história), ler e responder a mensagens de telemóvel (algo que afecta a barra anteriormente mencionada), entre outras coisas. É divertido, é certo, mas é impossível não considerar o quão melhor seria se a componente social do jogo não fosse apenas limitada ao bar e aos personagens que aí se encontram.

O segundo modo de jogo, Babel, é desbloqueado à medida que forem ganhos “prémios de ouro” no modo principal e pode ser jogado cooperativamente por duas pessoas. Neste modo, a disposição dos blocos é aleatória e o nível de dificuldade é superior ao do modo principal, de uma forma geral. Convém notar que completar este modo é importante para desbloquear elementos substanciais da narrativa geral do jogo.

O terceiro e último modo, Colosseum, é um modo competitivo, no qual ganha quem chegar ao topo primeiro.

A nível gráfico, Catherine destaca-se pelo fantástico design de personagens (criadas por Shigenori Soejima, conhecido pelo seu trabalho nos jogos Persona) e até mesmo das criaturas que atormentam Vincent no seu mundo de sonhos. A banda sonora, deixada a cargo de Shoji Meguro (veterano da série Shin Megami Tensei), consiste numa mistura de vários remixes de temas clássicos e músicas originais.

Com uma história misteriosa, imprevisível e carregada de simbolismo, personagens cativantes e uma jogabilidade que facilmente se torna viciante, é difícil não recomendar Catherine.

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