Análises

Kirby Mass Attack

Kirby Mass Attack é o quarto Kirby a sair para a DS (sendo um deles um remake/port) e o segundo de três a sair na Europa em 2011. Talvez seja porque a querida bola cor-de-rosa tenha sido criada pelo presidente da Nintendo, Satoru Iwata, mas a verdade é que está em alta.
Desta vez, tal como no Kirby: Power Paintbrush, o jogo abandona o estilo de plataformas clássico da série em que a absorção dos poderes dos inimigos é a mecânica principal e opta por um estilo original controlado exclusivamente pela stylus. Isto pode levar muitas pessoas a ignorar automaticamente o jogo, como sendo um spin-off de pouco interesse, mas se o fizerem, nem sabem como estão errados.

Desta vez controlamos um Kirby dividido em dez por um feiticeiro e por cada cem peças de fruta que ele come adicionamos mais um à nossa equipa até estarmos a jogar com dez ao mesmo tempo. Os controlos não podiam ser mais simples, os Kiby deslocam-se para onde tocamos no touch screen, podemos atirá-los individualmente para onde quisermos ou “arrastá-los” pelo cenário desenhando um caminho a seguir. Para atacar um inimigo basta tocar nele ou atirar-lhe os Kirby para cima que procedem imediatamente a dar-lhe uma valente sova.
No geral tudo funciona perfeitamente, mas a câmera nem sempre acompanha bem a acção podendo levar a alguma confusão e por vezes quando a acção é mais frenética torna-se difícil não levar dano, o que é frustrante quando se quer medalha de ouro no final do nível. No entanto são problemas ocasionais que não afectam muito a qualidade do jogo.

Partindo desta premissa simples, o jogo atira-nos com vários obstáculos e mecânicas diferentes no decorrer do jogo para tornar os níveis interessantes por exemplo, alguns caminhos estão obstruídos e é necessário um certo número de Kirby para os desimpedirmos ou podemos precisar de transportar tochas sem apagar as chamas para derreter bonecos de neve que impedem o nosso progresso. Também encontramos níveis completamente diferentes do habitual onde temos que fazer surf com uma estrela em vez de prancha,viajar num balão de ar quente que é controlado distribuindo o peso dos Kirby dentro do cesto ou transportar e proteger pássaros bebés ao longo do nível. Alguns níveis arrastam-se um pouco, mas por norma, há muita variedade para manter o jogador interessado.

Além disso, há um sistema de desafios (pensem em achievements), medalhas de bronze, prata ou ouro atribuídas no final dos níveis se ainda várias medalhas escondidas pelos níveis que desbloqueiam mini-jogos e revelam como conseguir saber quais os desafios. Os mini-jogos além de servirem de uma distracção à “normalidade” do jogo, são altamente viciantes, por isso podes contar perder muito tempo com eles. Entre os sete mini-jogos diferentes temos por exemplo o Kirby Brawlball, um completíssimo jogo de pinball, Strato Patrol EOS um shoot’em up vertical ou o Kirby Quest com sequências de batalhas a fazer lembrar um RPG clássico. Alguns destes são mais completos que outros, mas todos divertidos e muito bem trabalhados, podendo-se notar a dedicação da equipa quando se vêm sprites e animações assim como músicas feitas propositadamente para os mini-jogos e claramente em homenagem aos estilos em que cada um se inspira, especialmente notório no Strato Patrol EOS e Kirby Quest.

Não é só aqui que os gráficos e som têm qualidade, os sprites são bem detalhados e têm óptimas animações e os cenários são ricos e coloridos apesar de alguns serem parecidos entre si. Ao bom estilo de série, é tudo de muito querido e fofo pontuado com momentos mais “másculos” como controlar um tanque e disparar os próprios Kirby que se envolvem numa destrutiva bola de fogo. A música é outro ponto alto do jogo com óptimas faixas, quase todas originais não deixando de ter novas versões de adorados clássicos da série. Além do mais todas as músicas ouvidas ficam guardadas nos extras para revisitares sempre que quiseres.

Este jogo é mais desafiador do que qualquer Kirby até à data, que por costume são bem fáceis, não deixando de ser um jogo bastante acessível a qualquer idade e tipo de jogador, com uma curva de aprendizagem simpática. Para quem procura algo mais, os níveis mais avançados, os desafios e medalhas tornam-se bastante difíceis e precisam de alguma destreza e conhecimento dos cenários. Juntando toda esta quantidade de conteúdo, acabar o jogo pode demorar de 10 a 15 horas, mas para completar a 100% ou perto e explorar completamente os mini-jogos vais precisar de 20 a 30 horas.

Se o Kirby Power Paintbrush foi um dos primeiros jogos para a DS que mostrou como se conseguem fazer óptimos jogos com controlos simples usando apenas o touch screen, Kirby Mass Attack mostra agora no “fim de vida” da DS que passado tantos anos e jogos ainda se pode pegar nessa simplicidade e fazer coisas novas com imensa qualidade. Um óptimo jogo cheio de coisas para fazer que não deves ignorar.

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