Análises

The Witcher 2 Enhanced Edition

Lançado em 2011 para PC, The Witcher 2: Assassin’s of Kings, foi muito bem recebido tanto pela crítica como pelos jogadores. Quase um ano depois, e com o lançamento da Enhanced Edition para PC, chega também a versão xbox 360. Assim, a CD Project RED estreia-se em jogos para consola.

A  série The Witcher é baseada nos livros de Andrej Sapkowski e conta as aventuras de um caçador de monstros chamado Geralt of Rivia. Geralt, vê-se envolvido num intrincado xadrez político, acabando por fazer de guarda-costas de Foltest, Rei de Temeria. Após atingir o seu objectivo, Foltest é assassinado e o criminoso consegue escapar. Geralt acaba preso e considerado culpado do crime. O objectivo inicial, é a tentativa de Geralt em limpar o seu nome e chamar à justiça o verdadeiro culpado. Mas à medida que se vai progredindo, ele fica cada vez mais embrenhado nos jogos políticos, acabando por as coisas não serem tão lineares quanto ele desejava.

A história de The Witcher 2, inclui Elfos, Anões, Reis, Feiticeiras e Dragões. Ora, à primeira vista, isto pode parecer uma receita para um conto de fadas, mas é completamente o oposto. A história é bastante adulta e complexa, não faltando preconceito, racismo, crimes, traições e violência. O próprio Geralt, sendo um Witcher, é vítima de preconceito. Por um lado, é aquele que todos recorrem quando existem problemas, mas quando estes problemas são solucionados, Geralt torna-se apenas um incómodo…..uma aberração. A sua presença só é tolerada devido aos problemas que ele consegue solucionar. E isto torna o jogo bastante interessante e profundo.

Ao longo do jogo, vamos poder tomar algumas decisões, que em vez de aumentar uma barra azul ou vermelha ou mudar a cor do nosso ataque, vão ter verdadeiras consequências a ponto de as personagens que encontramos e os caminhos que percorremos, serem diferentes. É difícil ver o que é “certo” e o que é “errado”e igualmente difícil é ter um caminho preferido, pois nenhum é perfeito (nem tenciona ser) e as personagens  que encontramos têm carácter e motivações perfeitamente válidas. Isto incentiva o jogador a conhecer o outro lado da história, aumentando assim o replay value. Por outras palavras, de acordo com as nossas decisões no final do 1º capitulo, o 2º será completamente distinto da outra decisão e consequentemente, o 3º capítulo será também ele diferente. A campanha demora cerca de 40 horas até chegar ao fim, mas facilmente pode chegar ao dobro.

Ora, o primeiro The Witcher não foi lançado na xbox 360 e quem não jogou no PC, pode ter alguma dificuldade em absorver tanta informação. Ao longo do jogo, existem pequenos vídeos estilo digital comics, que dão algumas luzes sobre a história do original, mas a melhor forma é mesmo ler o codex no jogo. Não é a forma mais divertida, pois envolve muita leitura, mas dada a complexidade das personagens e do mundo em questão, vale bem o esforço.

A nível técnico, ninguém esperava que The Witcher 2 na xbox 360 tivesse o mesmo nível gráfico que no PC, mas a CD Project RED fez um excelente trabalho ao adaptar o motor de jogo (Red Engine) à consola. Nem tudo é perfeito….As animações faciais são um pouco limitadas e existe um atraso no carregamento de texturas, particularmente notório nas cutscenes. No entanto, tudo o resto mostra a atenção ao detalhe colocado nesta versão. Cada item no cenário, parece ter sido feito propositadamente para aquele local, não dando a sensação de que se limitaram a fazer “copy-paste” de forma desleixada apenas para encher o cenário. Isto torna os cenários orgânicos, belos e diversificados. A contribuir para a beleza dos cenários, está a excelente direcção artística.

Há que ter em atenção que The Witcher 2 não é open world, como tal nunca vai ter o mesmo nivel de exploração que tem, por exemplo, Skyrim. No entanto, nunca se sente em nenhuma altura do jogo, que esta componente é fraca. Bem pelo contrário. O jogo é composto por três zonas principais com um estilo marcadamente medieval, que embora não sejam gigantescas, oferecem uma boa dose de exploração.

Mas não é só no aspecto visual que o jogo se destaca. A componente sonora é de grande qualidade e consegue acompanhar de forma exemplar tudo o que está a acontecer. O próprio voice acting, que foi um dos aspectos criticados no primeiro jogo, apresenta um nivel de qualidade que estúdios como a Bioware e Valve nos vêm a habituar. Isto mostra que a CD Project Red teve em atenção as críticas e o feedback dos jogadores e decidiu não cometer o mesmo erro.

Em relação à jogabilidade, o combate pode parecer um hack and slash por não haver nenhuma mecânica que limite o numero de ataques, mas a verdade é que é bastante táctico. Usar apenas a componente física e partir para cima dos inimigos, significa morte certa. É aqui que os poderes mágicos se tornam úteis, pois não só permitem atacar a uma distância de segurança, como também permitem crowd control. Em caso de dificuldades, antes das batalhas, podemos beber poções que permitem aumentar o ataque, defesa e resistência contra status ou adicionar óleos às armas. Tudo isto é feito com itens que são apanhados nos cenários ou em cada inimigo derrotado. A nível de controlos, o combate foi muito bem adaptado para o comando e não será por aqui, que vão ter problemas.

Tal como referi, nos cenários e cada vez que derrotamos um inimigo, apanhamos itens que servem para fazer poções, armas ou armaduras. Dependendo das armas e armaduras, estas podem ser melhoradas. Neste aspecto, The Witcher 2 também oferece um bom nível de personalização.

Algo que poderia ter sido melhorado, é o sistema de lock on. Perdi conta ao numero de vezes que quis apanhar um item e não conseguia porque o lock on não o detectava. Para o detectar, tinha de recuar ou rodar a câmara de forma a atingir o ponto certo. Diria que é um defeito que chateia ao invés de prejudicar. Um outro problema que me deparei um par de vezes, foi com um bug que imobiliza os inimigos, acabando por tirar o desafio que alguns inimigos proporcionam.

Para finalizar, devo salientar que a Enchanced Edition inclui um Quest Handbook, um mapa e a Banda Sonora sem que o preço do jogo seja inflacionado. Isto é algo que merece ser aplaudido e coisa rara nos dias de hoje. Assim por alto, só me lembro de outros dois títulos que fizeram o mesmo, e claro, refiro-me a itens físicos e não a simples skins ou coisas do género.

The Witcher 2 Enchanced Edition chega à xbox 360 da melhor forma possivel. É um jogo fenomenal, com bastante carisma, com uma história interessante e uma direcção artística excepcional. É fácil ficar interessado nas personagens e ver que futuro lhes reserva. O jogo não é perfeito, mas a sua qualidade e o impacto que proporciona, tornam The Witcher 2 num jogo obrigatório quer tenham ou não, jogado o primeiro.

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