Análises

Dragon’s Dogma

Dragon’s Dogma, é um action RPG e representa uma aposta num novo IP por parte da Capcom. A receita deste jogo, é composta por duas partes de boas ideias, uma parte de más ideias e uns pozinhos de problemas.

Em Dragon’s Dogma, somos o Arisen, um herói sem nome e sem voz, que vê literalmente o seu coração a ser roubado por um enorme dragão vermelho quando este ataca a nossa aldeia. O objectivo, passa por derrotar o dragão e recuperar aquilo que nos foi roubado. Ora, este é o mote para o inicio da aventura. Pode parecer rebuscado, mas a história em si até que é interessante. O mesmo não se pode dizer das personagens que encontramos ao longo da história, pois a maior parte são bastante desinteressantes, não dando ao jogador qualquer motivo para as ajudar.

O mundo de Dragon’s Dogma é enorme. Existe bastante área para ser explorada, sendo que parte não é obrigatória e cabe ao jogador decidir se quer sair do caminho pré definido e arriscar explorar ou não. Montanhas, grutas, torres ou ruínas são alguns dos tipos de cenários que iremos percorrer, sendo que cada um representa inimigos e desafios diferentes.

Aqui também entra a questão da exploração diurna ou nocturna. Percorrer o mapa durante a noite sem estar preparado, pode ser bastante perigoso. Nestas ocasiões, a lanterna é vital.

No entanto não iremos estar sozinhos. Ao longo da aventura, seremos acompanhados por Pawns, que são personagens criadas pelos jogadores. Tal como o Arisen (a personagem principal), estas personagens, são totalmente personalizadas em aspecto, equipamento e estilo de luta. Um pormenor importante é o facto de os Pawns absorverem conhecimento das áreas e dos monstros. Isto permite que dêem dicas sobre o caminho a seguir ou a melhor forma de vencer determinado monstro.

Em algumas áreas, existem monstros que representam desafios maiores, tais como Dragões, Chimeras e Cyclops. Estes inimigos requerem uma forma diferente de lutar, devido ao seu tamanho e ataques específicos.

E este é um dos pontos fortes do jogo…o combate. No inicio do jogo, existem três classes que podemos escolher, sendo que mais à frente, o numero passa para nove classes. Diria que este número pode ser divido em três classes primárias, três especializações e mais três classes híbridas.

Cada uma destas classes, tem os seus prós e contras, significando que não existe uma classe que seja claramente superior ou inferior às outras. De facto, existe variedade suficiente para que qualquer jogador encontre uma classe que se enquadre no seu estilo preferido de jogo. Estas classes podem ser alteradas em qualquer altura do jogo usando discipline points, que são ganhos por cada inimigo derrotado.

Além disto, as lutas são bastante satisfatórias, pelo simples facto de se sentir a força necessária para aplicar cada movimento e a força do seu impacto. Tudo parece encaixar como seria suposto.

Ora, dependendo da exploração e da quantidade de side quests feitas, facilmente se pode ultrapassar as cem horas de jogo, sendo que após o final, existe uma pequena surpresa.

No entanto, nem tudo são rosas. Dada a natureza do jogo, pedia-se um modo cooperativo online, coisa que o jogo não tem. Em vez disso, podemos usar os Pawns dos outros jogadores para nos ajudar. Ao longo do jogo, existem vários pontos onde podemos aceder à vasta lista de Pawns criados pelos outros jogadores, tendo várias ferramentas de pesquisa à nossa disposição e contratar aqueles que melhor se enquadram para a nossa estratégia. Para além do nosso próprio Pawn, que é permanente, podemos contratar mais dois. Embora este sistema funcione bem, não é tão interessante como um modo cooperativo.

A performance do jogo, também não é propriamente boa. A primeira coisa que se nota, é nas enormes barras pretas no ecrã. Isto significa que em vez de o formato de imagem ser o tradicional 16:9, mais parece um 2:35:1, algo que normalmente se vê nos filmes. Certamente que isto será o um motivo dissuasor para aqueles que tinham interesse em comprar o jogo. Mas não é o único problema. A quebra de frame rates é uma constante, algumas texturas são de baixa resolução e a câmara nem sempre é a melhor. Digamos que meter monstros enormes em espaços relativamente pequenos, pode resultar em coisas como estas, onde não se consegue ver onde está a personagem nem o que está a acontecer.

Por muito que o design artístico seja bom, acaba por ser prejudicado quando a parte técnica falha, o que é o caso.

A componente sonora, nem sempre é constante. Algumas das personagens têm bom voice acting, enquanto outras deixam a desejar. Já as músicas e os efeitos especiais, são quase sempre de boa qualidade.

Saliento também que o jogo não tem opção de gravar múltiplos save files, e tendo uma função auto-save bastante activa, a possibilidade de ter um save file corrompido é algo a considerar. Falo por experiência própria. Façam sempre um backup o mais frequentemente possivel.

Dragons Dogma é um bom jogo, com muito replay value mas tem alguns problemas que podem estragar a experiência de jogo. E isso é uma pena, pois a sua jogabilidade é exemplar. A Capcom acertou em cheio na formula mas precisava de a ter polido. Quem gostar de um bom action RPG e conseguir ultrapassar os pontos  negativos, vai de certeza divertir-se bastante com Dragon’s Dogma.

Artigos Relacionados

1 thought on “Dragon’s Dogma”

  1. Boa review que vai de encontro ao que acho do jogo.

    O design artístico não o acho particularmente interessante, é um mundo de fantasia relativamente genérico, tirando alguns dos monstros.

    O mapa não é tão grande como parece ao primeiro, o que vai de encontro ao ponto seguinte, a maneira de se fazer fast travel. É preciso um item que custa 20.000 de ouro. Ao primeiro somos incentivados a explorar, e ainda bem, mas depois não sei até que ponto não pode levar a alguma frustração, porque no primeiro playthrough só podemos usar este método para dois sitios, isto para além do custo monetário. Há um ferrystone, item usado para fast travel, que aparece sempre em Gran Soren passados três dias.

    Um dos pontos mais negativos é realmente o aspecto técnico, faltando apenas realçar, o que não vi na review, o pop-in, que é uma desgraça. À coisas literalmente a aparecer à nossa frente às vezes.

    É um bom jogo, que vale sobretudo pelo combate e da satisfação que se pode tirar dele.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Ver Também

Close
Close