Análises

The Unfinished Swan

Indiscutivelmente, The Unfinished Swan tem uma estética bastante peculiar. Foi o que achei quando vi as primeiras imagens do jogo, e é o que continuo a achar, mesmo após o ter jogado.

O que possivelmente não devem saber, é que The Unfinished Swan, ou pelo menos o seu conceito, começou por ser um projecto de estudantes da University of Southern California. Após mais algum trabalho, este projecto foi apresentado na Independent Games Festival, e embora não tenha ficado em primeiro lugar (ficou em segundo), conseguiu atrair a atenção da Sony.

The Unfinished Swan começa com o jogador, no papel de um rapaz chamado Monroe a perseguir um cisne que ganhou vida através de um dos quadros inacabados da sua mãe. É nesta demanda em encontrar o cisne, que chegamos a um mundo onde não existe cor, porque o rei que criou esse mundo, não encontrou uma cor boa o suficiente para o pintar.

A história, aliás, toda a estrutura do jogo, incluindo os menus, têm o cuidado de parecer um livro. Na verdade, a história de The Unfinished Swan, é o estilo de história que se espera ver num livro infantil. À medida que se progride ao longo dos cenários, vamos encontrar páginas de um livro, no qual acrescentam mais informação à história do jogo.

The Unfinished Swan está dividido por quatro capítulos, cada um com seu estilo e desafios próprios. A lagoa, pertencente ao primeiro capítulo, será a área que irá dar a conhecer o tema e conceito ao jogador, mas também será o mais confuso de navegar, devido à ausência de cor ou estruturas visíveis do cenário. Mas não se assustem, o jogo não é todo um vazio branco e nos capítulos seguintes, já não se irão sentir perdidos. Este tipo de coisas foi feita de forma intencional para transmitir ao jogador, a sensação de surpresa à medida que descobrem o que os rodeia.

Para conseguir encontrar o caminho e resolver os puzzles, Monroe pode disparar bolas de tinta ou água, consoante o cenário/capítulo. Na verdade, em certas zonas, água é um aspecto importante e bem implementado na resolução dos puzzles. Quanto ao uso da tinta, o uso em excesso pode criar o mesmo problema que tinham antes de a usar.

No geral, e apesar de inicialmente o jogo ter um aspecto estranho e excessivamente simplista, está muito bem idealizado e realizado, o que não é de surpreender, tendo em conta que o responsável por este departamento foi Hokyo Lim, director artístico de League of Legends.

A acompanhar a viagem por este mundo fora, está uma banda sonora de boa qualidade, conseguindo realçar ainda mais a magia dos cenários. Destaco as vozes portuguesas, que ao contrário do que costuma acontecer, são bastante boas e encaixam muito bem no estilo narrativo.

Quanto à jogabilidade, existe um botão para saltar e outro para disparar tinta/água. É bastante simples e nota-se que foi pensado com o Playstation Move em mente. No entanto, dado o estilo do jogo, não se pedia nada muito complexo. Provavelmente, até o iria estragar. O Move está bem implementado e facilmente se consegue navegar pelos cenários e completar os puzzles usando o periférico.

No entanto, há algo que os interessados em comprar o jogo, têm de ter em consideração. The Unfinished Swan demora pouco menos de três horas a ser completado e não tem mais nenhum modo de jogo, para além da campanha. O único incentivo para voltar a explorar os cenários, prende-se com a procura de balões, pois é com eles, que se desbloqueiam alguns extras, como artwork. Este é o grande defeito do jogo….a sua pouca longevidade.

A (pequena) equipa do estúdio Giant Sparrow, arriscou bastante em fazer algo tão diferente, mas no final, conseguiu criar um jogo único com um visual, não menos único. O nível de criatividade presente neste jogo, está ao nível daquela encontrada em Flower ou Journey. A sua direcção artística e um mundo extremamente bem criado, são o grande trunfo de The Unfinished Swan. Os mais cépticos, verão na sua curta duração, um motivo para deixar este jogo de lado, mas ao fazer isso, irão perder uma das melhores experiências disponíveis na Playstation Network.

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