Análises

Hitman HD Trilogy

Antes de passar tempo suficiente desde o lançamento original de um jogo para que seja considerado retro, quando a tecnologia ainda não se distanciou a ponto de transformar algo obsoleto numa apetecível curiosidade arqueológica, os jogos passam por um mau bocado.

Ainda não são antiguidades jogáveis com gosto, com gráficos, música e mecânica que impossibilitam qualquer comparação com o que se faz na actualidade. São apenas jogos “velhos” e jogá-los meros dez anos depois faz suspirar por uma época em que aquilo era do melhor que se podia fazer e, por mais que nos esforcemos, o fosso entre o que temos e o que tivemos dificulta voltar a pegar com o mesmo encanto em jogos que jogámos durante longas horas.

HITMAN HD TRILOGY SCREENSHOT 08Hitman HD Trilogy é mais uma colecção de clássicos e, como sucede com grande parte das colecções semelhantes, valerá sobretudo pela nostalgia e pelo interesse histórico para a apreciação de uma saga em progresso. O “HD” no título poderá induzir em erro.

Quem esperar versões com gráficos remodelados dos três títulos incluídos, sairá desiludido. É verdade que a resolução foi aumentada, mas, se as texturas eram pouco apelativas e se os modelos eram demasiado “quadrados” no original, continuarão a sê-lo numa alta definição que contribuirá para tornar os defeitos ainda mais visíveis. Isto nota-se sobretudo em Hitman 2: Silent Assassin (de 2002) e Hitman: Contracts (de 2004) e quase não se nota em Hitman: Blood Money (de 2006), o único que teve direito a lançamento para uma consola da geração corrente, a Xbox 360 (sendo esta a versão incluída na colecção).

Feita a ressalva, o pacote é bastante completo e permitirá uma visão quase integral dos capítulos anteriores que conduziram ao Absolution de 2012. Quase integral porque, estranhamente, o jogo que inaugurou a série está ausente. É verdade que Hitman: Codename 47 está perto de completar treze anos e só foi lançado para PC, mas será incontornável que foi o início de tudo, mesmo que algumas das suas missões tenham sido recriadas em Contracts.

Em cada um dos três capítulos, o Agente 47, com a inconfundível calva marcada com código de barras, é incumbido de fazer o que faz melhor: matar gente. E, de preferência, sem atrair atenções. O stealth torna-se recomendável em vez de uma entrada estrondosa com disparos sobre tudo o que mexa não apenas por ser mais fiel à natureza da série, mas também porque, assim, passarão mais despercebidos os controlos algo deficientes, que vão melhorando de jogo para jogo.

Além dos três jogos, sem alterações a nível gráfico, sonoro ou de jogabilidade (a única mudança é a passagem para o HD), a colecção não inclui nada que pudesse reforçar o apelo e os aspectos comemorativos ou históricos. Um código para download gratuito do mini-jogo Sniper Challenge oferecido anteriormente a quem fez a pré-encomenda de Hitman: Absolution é simpático, mas não contribui para tornar a oferta menos seca.

Uma colecção capaz, mas melhorável, que apelará sobretudo aos nostálgicos. Quanto aos jogadores menos revivalistas, é provável que dediquem o seu tempo exclusivamente ao capítulo mais recente e não consigam fazer as inúmeras concessões exigidas para desfrutar dos dois jogos mais antigos, que, mesmo com boa vontade, não envelheceram nada bem.

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