Análises

Metal Gear Rising: Revengeance

Raiden em vez de Snake, ataques declarados em vez de stealth. O novo capítulo da série Metal Gear atreve-se a romper com tradições estabelecidas e consegue manter-se incrivelmente apreciável na sua diferença, mesmo desiludindo algumas expectativas.

O que mais impressiona, desde o primeiro momento, é o ritmo. Uma sucessão vertiginosa de combates rápidos ultrapassável pela combinação de ataques com diferentes intensidades para criar combos poderosos. Não se espere ultrapassar todos os adversários pelo simples massacrar de botões. Escolher o momento certo para cada ataque é crucial, tal como a defesa, conseguida com sucesso apenas pela observação cuidadosa da movimentação inimiga.

Entrando no blade mode, a espada do ninja pode entregar-se com afinco ao verdadeiro propósito da sua existência: cortar coisas em fatias. A natureza dos objetos cortáveis neste modo de combate consegue surpreender, indo desde peças de cenário aos inevitáveis inimigos. Quem considerar de mau gosto derrotar um opositor com um corte diagonal que lhe separa o tronco das pernas, deverá procurar diversão mais pacífica. Quem achar a premissa interessante, terá aqui o jogo ideal, podendo acrescentar-se que cortar um inimigo apenas uma vez será demasiado bondoso e um desperdício de lâmina. Uma grande parte do cenário permanece imune à espada, mas compreende-se a opção para evitar que um cortador mais desvairado acabasse por fatiar toda a envolvência, acabando a mover-se no vazio.

MGR blade modeDurante o blade mode, é possível mirar pontos específicos (assinalados com um rectângulo vermelho) do corpo de ciborgues adversários e extrair-lhes a coluna vertebral para um reforço de energia. Cortar mãos e juntá-las numa colecção grotesca de pedaços decepados permitirá ainda conseguir upgrades. Estas duas mecânicas não são tão simples de dominar como a explicação poderá sugerir, exigindo algum treino, o que se aplaude em nome da riqueza da experiência.

Os gráficos são detalhados e conseguem enquadrar bem a acção num leque extenso de cenários de guerra e pirotecnia letal, apesar de, em mais ocasiões do que seria desejável, a câmara não conseguir acompanhar a intensidade da acção, o que causa alguns problemas, sobretudo com jogabilidade em que é tão fundamental manter o adversário visível em permanência para escolher adequadamente o passo seguinte.

As cutscenes são frequentes e agradarão aos fãs da série, com os habituais diálogos hiperdramáticos e desvairados e com momentos roçando o nonsense. Quem não for apreciador deste tipo de narração, talvez ache o tom demasiado melodramático e sinta que a acção é interrompida em mais ocasiões do que seria desejável. Mas trata-se de uma marca de estilo e não estaríamos perante um jogo Metal Gear se estes elementos não estivessem presentes. O mesmo se aplica à história que consubstancia os acontecimentos. Quem sabe o que esperar, não ficará surpreendido. Os mais desprevenidos não precisarão de muito tempo para constatar que o enredo girando à volta de terrorismo internacional é algo absurdo e serve apenas como pretexto para a entrada de bosses mirabolantes.

Uma banda sonora apetecivelmente ruidosa e acelerada acompanha os momentos de acção a rodos e contribui muito para deixar o jogador num estado de espírito adequadamente remexido.

Talvez seguindo a máxima cruel segundo a qual “o que é bom, acaba depressa”, a campanha termina quando muitos estarão ainda a tomar-lhe o gosto e as quatro ou cinco horas necessárias para atingir o final saberão a pouco. A ação incessante e a velocidade (que se tornaram imagem de marca da Platinum Games) contribuem para aumentar esta sensação de que tudo acaba cedo demais. Isto não significa que Metal Gear Rising: Revengeance seja um jogo que se ponha rapidamente de lado, já que a possibilidade de repetir a aventura em níveis de dificuldade mais elevados e desafiadores e o conteúdo desbloqueável serão mais do que suficientes para justificar novas incursões.

Pondo de parte quase todas as convenções dos jogos Metal Gear e mantendo apenas o suficiente para assegurar uma aparência de continuidade, este regresso de Raiden ao protagonismo doze anos depois de Sons of Liberty conseguirá cativar igualmente apreciadores da série e recém-chegados à saga e talvez consiga mesmo entreter durante algum tempo os fãs mais intransigentes que sonham com o regresso de Solid Snake.

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