Análises

Monster Hunter 3 Ultimate

A vida de Monster Hunter no ocidente não tem sido fácil. Se por um lado existe uma comunidade bastante dedicada que fica sempre delirante com o anúncio de um novo jogo, temos no outro lado a questão que no imediato se põe na cabeça dos jogadores, “será que vai ser lançado fora do Japão?”

É inegável o sucesso do jogo no território japonês, que se virou maioritariamente para as plataformas portáteis. Jogar em conjunto a caçar monstros e trabalhar para um objectivo comum tornou-se um fenómeno que provavelmente nem a Capcom esperaria. Esta mentalidade é quase inexistente no ocidente, o que aliado às poucas vendas do jogo, têm tornado cada vez mais difícil à Capcom justificar o lançamento em terras que não sejam do sol nascente.

Eis então que chega mais uma iteneração do jogo para, mais uma vez a Capcom, tentar fazer esta série popular. A Capcom não fez por meias medidas e quase todas as features que os fãs pediram entraram no jogo. Jogar online, voicechat, servidores não bloqueados a regiões, e por fim jogar no ecrã do comando, sendo que estas duas últimas novidades vão ficar disponíveis numa actualização algures em Abril.

Este jogo é uma port do jogo da 3DS que foi lançado em 2011 no Japão. Como tal existem coisas que melhoraram e outras que se mantiveram semelhantes, mas isso será discutido mais à frente.

Este jogo poderia ser comparado a colecionismo, dado o número quase infindável de armas e armaduras que existem para ser forjadas. É muito frequente as horas de jogo dum jogador experiente chegarem às centenas, pois desde que exista um objectivo, seja ele uma arma ou aquela peça de armadura, estas passam muito rapidamente e a motivação, especialmente no online, não decresce.

A experiência do jogo é caçar monstros, mas não se resume a isso. A preparação que anteriormente tem que ser feita, com items de cura, defesa, ataque, armadilhas se quisermos capturar um monstro ao invés de o caçar, podem levar horas, e é parte do processo de aprendizagem do jogador para que este se prepare para a caçada. Para obter-mos estes items é necessário fazer a recolha dos mesmos nos variados cenários, ou se possível comprar alguns deles. Isto leva a que o tutorial inicial seja longo, mas necessário, pois existem muitas mecânicas para aprender e não há nada pior que um jogo nos atirar de cabeça para o principal objectivo do mesmo.

Os cenários/áreas de caça dividem-se em 5 grandes áreas, sendo que uma delas é nova, Misty Peaks. Cada uma destas áreas esta dividida em pequenas zonas, identificadas com números no mapa no canto superior direito do ecrã, ou então, se desejarmos, no ecrã do gamepad. Os curtos loadings existentes entre as várias pequenas zonas são necessários, pois cada monstro muda de zona quando determinado dano ou situação lhe acontece, dando uma pequena janela para nos recompormos, mas não podemos deixar de pensar que a Capcom tem de arranjar forma de evoluir esta mecânica, o que exigiria uma completa reformulação da IA dos monstros e do próprio design dos cenários. Enquanto a fórmula não se esgotar e a série continuar forte, será muito difícil evoluir o que quer que seja, no entanto, mais monstros, mais armas/armaduras só podem levar a série até um certo ponto, sendo que as mudanças conhecidas no próximo jogo, Monster Hunter 4, podem ser o início de algo no sentido positivo.

Não se joga Monster Hunter para tentar seguir uma história, a pouca que há serve apenas para nos dar o motivo pelo qual vamos caçar dezenas de monstros dos mais variados tamanhos e formas. Moga Village está em apuros, existem uns terramotos que estão a causar pânico na povoação e cabe ao mais recente caçador da vila, nós, ver o que se passa, está dado o mote.

Uma das diferenças para com o jogo anterior, tem a ver com podermos fazer no singleplayer as missões de high rank no single-player, o que até agora não era possível. O terceiro jogo numerado trouxe uma série de novidades, mas ao mesmo tempo foi criticado pela sua falta de conteúdo, isto em comparação com o colosso da PSP, Monster Hunter Freedom Unite. Com uma nova plataforma portátil, 3DS, a Capcom decidiu mudar o seu jogo para a mesma criando no processo uma versão definitiva do jogo anterior lançado na Wii, Monster Hunter Tri.

Monster Hunter 3 Ultimate é provavelmente dos mais recheados que alguma vez foram lançados no ocidente. Todo o conteúdo do jogo anterior volta, mas desta vez com mais armas e monstros, onde se destaca o novo e explosivo Brachydios. Temos ainda monstros com os quais estamos a lutar pela primeira vez, como Zinogre ou Duramboros, que apareceram em Monster Hunter Portable 3rd, jogo PSP, que não foi lançado cá. Dual Swords, Gunlance, Bow e Hunting Horn são as armas adicionadas resultando num aumento considerável do arsenal disponível, num total de 12 tipos de armas.

Foram feitas mudanças no jogo para que a dificuldade pudesse acomodar os três diferentes níveis de dificuldade presentes. Alguns movimentos dos monstros foram modificados, algum dano foi ajustado. Isto resulta numa experiência de mais fácil acesso para os jogadores mais inexperientes no jogo, mas desenganem-se aqueles que pensem que o jogo ficou mais fácil, pois a Versão G dos monstros irá com certeza propor um desafio que testa os melhores reflexos do jogador, usando tudo o que foi aprendido até ali.

Outra das melhorias, e uma das queixas mais frequentes dos jogadores, era não existir uma maneira de fazer lock-on ao monstro. Existe agora uma maneira de mudar de imediato a câmera em direcção ao monstro denominada de target cam, no entanto, não é um verdadeiro lock, pois tal mecânica retiraria o propósito de direcionarmos os nossos ataques, pois recebemos recompensas baseadas no sítio onde fizemos o dano. É uma função muito bem vinda, pois não existe a possibilidade de ajustar a sensibilidade da câmara. Câmara essa que esperamos no futuro ser totalmente controlável, ou seja, não existirem níveis de ajuste, para que assim seja mais simples o seu controlo, dado que há monstros bastante rápidos.

Monster Hunter 3 Ultimate review wii u screenshotO grande objectivo será e é a caçada. O processo é relativamente simples, caçamos um monstro e com as partes do mesmo forjamos armas/armaduras para que possamos avançar no próximo desafio. É certo que vamos repetir o mesmo monstro várias vezes pois as partes que por vezes são necessárias têm uma possibilidade de sair bastante baixa. É correcto também dizer que cada vez que encontramos o mesmo monstro o vamos aprendendo, resultando em tempos de caça cada vez mais curtos. Existem também “barreiras”, ou seja, o jogo decide que é a altura de nos confrontar com determinados monstros e testar todos os conhecimentos que até ali tínhamos aprendido. É difícil, mas tal como todos os desafios, uma vez ultrapassados, a sensação de conquista e a adrenalina são indescritíveis.

As armaduras desempenham um papel muito importante, não só pelo factor defesa, mas também porque todas as que são possíveis de fazer tem habilidades específicas com elas. Umas aumentam o nosso desempenho em combate, outras protegem o caçador dos rugidos dos monstros, outras ainda melhoram as nossas capacidades de recolha, entre outras coisas. É um dos aspectos mais importantes do jogo e convém sempre saber que habilidade pretendemos para maximizar a tarefa para o qual a vamos forjar. Mais tarde e com mais experiência o misturar de diferentes sets de armadura facilita o processo de juntar as habilidades pretendidas, descartando as desnecessárias ou as que simplesmente não usamos, ajudando a não ter que fazer todo o conjunto.

É um jogo de risco e recompensa. Os ataques contínuos no monstro resultam na maior parte das vezes num hit na nossa vida, que dependendo do monstro em questão podem, ou não, ser mais devastadores. Atacamos ou fazemos roll interrompendo a série de ataques? É deste balanço que resulta grande parte do gozo que é dominar um monstro, que ao início parace um obstáculo imenso, para depois se tornar trivial a sua dificuldade.

Se o jogo é excelente no single-player, não o deixa de ser o multiplayer. Podemos jogar localmente com uma Wii U e três 3DS, e caso tenhamos à disposição as duas consolas transportar os jogos gravados entre ambas, jogando onde nos convém. Mas o online é onde esta versão se destaca, funcionalidade que não existe nativamente na portátil, exigindo uma aplicação do género ad-hoc. É possível utilizar o microfone do gamepad para comunicarmos com os outros jogadores, o que resulta em maior facilidade e estratégia. Apesar da qualidade deixar algo a desejar é perfeitamente competente para percebermos os nossos companheiros. As salas estão protegidas por palavra passe e é possível expulsar jogadores caso seja necessário, no entanto, não existe migração de host quando este sai o que resulta no encerramento da sala, algo certamente a corrigir. A interface online também não é das melhores e mais intuitivas, com navegação de menus constante para chegar a uma sala. Apesar de podermos jogar sozinhos as quests de rank G, pois estas não ficam disponíveis no single player, é recomendado encontrar outros caçadores online, sejam eles amigos ou não. Existem ainda monstros que só aparecerem na parte online o que alicia ainda mais o modo, juntando desta maneira até 4 jogadores em caçadas que combinam todos os elementos de forma exímia.

Apesar da transição da 3DS ter sido em grande parte bem conseguida, houve algumas coisas que não ficaram de melhor maneira. Existe, isto em comparação com a versão 3DS e mesmo com o jogo anterior, um certo input lag no jogo. Há um ligeiro atraso entre os nossos comandos nos botões e a acção do personagem no ecrã. Não é perceptível se não tiverem experimentado a versão da portátil ou mesmo o anterior, mas para os veteranos é notado de imediato, apesar de não incomodar grande parte da experiência.

A experiência no gamepad é mais simplificada que usar um dos outros comandos disponíveis, o wii u pro controller ou mesmo o classic controller pro, usando uma disposição semelhante à 3DS com os dois ecrãs a serem utilizados, embora não na totalidade do ecrã infelizmente. Apesar do tamaho do gamepad este é confortável de usar no jogo. Podemos ainda contar com menus de acesso fácil no ecrã, que podem ser customizados, para controlar a câmara ou mesmo usar items, e o facto de podermos consultar o browser de internet para fácil acesso à wiki torna o seu uso bastante recomendado.

A parte técnica foi também ela melhorada, mas não se pode de deixar de notar certos elementos que transitaram de versão portátil. Os monstros, armas e armaduras são bem detalhados e levaram ou pulo substancial no detalhe, mas os cenários continuam com detalhe particularmente pobre, especialmente a superfície da água. Existem ainda, raramente, algumas quedas nos fps, mas nada de grave, o que é uma pena considerando que se trata de um port da 3DS.

O que não sofreu foram os sons, com os excelentes rugidos dos monstros. A música acompanha bem o tipo de situação que enfrentamos e nunca nos cansamos de ouvir o rugido infernal de uma rathian ou de um diablos.

Após dezenas de horas de jogo podemos afirmar que este jogo traz tudo o que de melhor se fez na terceira geração de Monster Hunter. Temos imenso conteúdo, melhorias nas hitboxes dos monstros, já há muito pedidas, e um modo online que promete ser o ponto de atração de muitos jogadores para ser o ponto de entrada na série. É certo que há convenções que têm que mudar para a série evoluir, mas que não hajam dúvidas que é dos melhores Monster Hunter que tivemos o prazer de jogar.

A prometida actualização de Abril para jogar no ecrã comando, e servidores sem regiões, prometem diversificar ainda mais o jogo, que terá ainda quests disponibilizadas pela Capcom, sem qualquer tipo de custo, para obter armas especiais. Se o sinal que a Capcom deu é de grande esforço, só no resta retribuir ao suportar este grande jogo.

 

Querem deixar a vossa opinião sobre o jogo, ou têm alguma dúvida sobre a sua mecânica? Então, passem pelo tópico oficial do jogo.

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