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Uma geração, um jogo

Longa. Muita longa. É desta forma que alguns jogadores classificam a 7ª geração de consolas. Sony e Microsoft preparam-se para entrar na 8ª geração no final do ano, e é nestas alturas que existe a tendência para olhar para trás e ver o que aconteceu quer com quem faz as consolas quer com os produtos que para elas se lançaram.

Após uma geração de completo domínio da Playstation 2, Microsoft e Nintendo tentaram olhar para o problema das vendas de outra maneira. A empresa americana queria a todo o custo singrar neste mercado e vencer a Sony. Com uma máquina munida de gráficos HD e sendo a primeira a lançar a sua consola, em 2005, lentamente e com bastante mérito, conseguiu de uma maneira que surpreendeu os mais cépticos fazer o que ninguém esperaria, provar que era possível batalhar a sua principal rival, a Sony.

A Nintendo optou por uma abordagem diferente. Inicialmente o cepticismo era grande, pois deixava a batalha pela máquina mais poderosa de lado e apostava em controlos inovadores. O Wii Remote tinha o aspecto de um comando de televisor, mas cedo se provou que a possibilidade de utilizar os nossos movimentos para controlar determinadas acções viria a dar o resultado que a Nintendo não esperava, isto para seu regozijo.Nem os mais pessimistas previram uma começo de geração tão negro para a Sony. Tinha uma consola cara, difícil de programar e com poucos jogos. Tudo isto resultou numa perda de dinheiro que praticamente destruiu todos os ganhos das duas gerações anteriores. Mais tarde conseguiu, com uma mudança de imagem, aposta em novas propriedades intelectuais e um serviço online melhorado, conquistar algum do mercado que havia perdido, quer para a Microsoft e sobretudo para a Nintendo.

Wii PS3 XBOX360Não é fácil rotular a plataforma PC a qualquer tipo de número numa geração. Se é certo que houve uma crescimento significativo desta plataforma, é também correcto dizer que este ficou algo restringido pela tecnologia presente nas consolas. O serviço digital deu um enorme salto, em grande parte graças ao serviço Steam, que podemos arriscar dizer ser uma das melhores plataformas a nível de distribuição digital de jogos. É possível usar este serviço com uma interface adaptada para um televisor, o que pode significar que a Valve pode estar a preparar uma abanão na indústria, no que ao hardware diz respeito, com a sua Steambox.

O hardware é apenas uma parte da equação, é necessário que o software seja convincente e apelativo. Tivemos muitos e variados jogos, houveram decepções e grandes surpresas. Muitos dirão que a geração da Playstation 2 não foi batida, quer pelo género de jogos, quer na enorme quantidade e qualidade que tivemos. Este artigo foca-se no que de melhor houve na 7ªgeração e apesar de haverem géneros que tiveram uma transição reconhecidamente difícil, quer pela dificuldade na sua construção, quer pela pressão de vender para que alguns estúdios se mantivessem à tona, houve ainda assim imensas pérolas nesta geração.

A ZWAME.PT é uma das maiores comunidades portuguesas no que à tecnologia diz respeito, será então natural que existam vários jogadores a lançarem sempre desafios nos jogos mais populares e a tendência será para continuar a aumentar. A partilha de informação e a discussão fazem parte de qualquer fórum dedicado e foi a partir dessa premissa que foi lançado um desafio à comunidade. Escolher um jogo e apenas um só jogo que tivesse definido a sua experiência pessoal desta geração. É uma tarefa a roçar o impossível. Se nos lembrarmos daquele momento épico no jogo A, aquele personagem no jogo B que fez toda a diferença, aquele cenário ou mesmo aquela banda sonora fora de série, cedo nos apercebemos que escolher um entre os favoritos é penoso.

Aqui ficam algumas das descrições que pudemos encontrar nas escolhas dos utilizadores:

Jtoon:

Como tenho que escolher um jogo, escolho o Read Dead Redemption. Renovou a minha esperança em SandBox Games. A História é brilhante. Os gráficos são muito bons. Preocupei-me genuinamente com o que acontecia ao main character e o final é um festival de manly-tears. Damn, até os voice actors são acima da média.Dos poucos jogos que consigo dar um 10/10 .

Jtoon

Depois de Grand Theft Auto 4 a Rockstar decidiu ir para o wild wild west. Se o jogo que apareceu na geração anterior, Red Dead Revolver, mostrou potencial, foi com este título que os jogos de mundo aberto viram a sua fasquia elevada no que toca ao storytelling, à música e na imersão que havia a ter num mundo virtual. Não é de admirar que os fãs de open world games estejam desejosos de experimentar o novo GTA5, que tem data marcada para Setembro.

Rumenapp:

Trials Evolution

Quem já jogou sabe que não dá para jogar só 5m e largar, o jogo é viciante e o HD/Evolution são dos melhores jogos que se podem encontrar no XBLA.

Rumenapp

Decidamente uma das melhores surpresas que os serviços digitais puderam proporcionar. É perfeitamente natural termos jogos a preços mais baixos hoje em dia, dado o enorme salto que se deu na distribuição digital, mas o tempo de um jogo ter menos qualidade ou menos conteúdo por ser mais barato já lá vai. Exemplos como The Walking Dead, Journey, Fez ou Super Meat Boy mostram que jogos excepcionais não precisam de orçamentos excepcionais.

Rexobias:

Super Mario Galaxy.

Sendo directo, se existem jogos perfeitos, são estes, e falo muito a sério pois estes jogos são de uma qualidade notável e sem falhas em todas as áreas que compõem um jogo.
Graficamente é do melhor que a Wii mostrou aproximando-se do que pode ser visto nas rivais. Os belos gráficos aliados a uma direcção artística de tirar o chapéu tornam o jogo simplesmente belo. A nível de audio, a OST é perfeita, encaixando na perfeição em todos os momentos que aparece. A jogabilidade é igualmente divinal sendo a melhor que já encontrei em qualquer jogo do género. No entanto, o melhor do jogo é mesmo a inovação que trouxe na sua mecânica e na forma como a usa em todos os momentos. Por fim, a longevidade do jogo é enorme, e a sua dificuldade bem medida não tornando o jogo numa experiência frustrante, e simultaneamente capaz de deixar qualquer jogador com os cabelos em pé (o nível da última estrela do SMG2 deixa qualquer auto-intitulado Hardcore à beira do suicídio).

Jogar estes jogos é uma experiência única que não senti em nenhum outro jogo da Wii, rivais, portáteis ou PC.Para mim os SMG não são jogos, são obras de arte.

Rexobias

É estranho jogar Super Mario Galaxy. Se é verdade que já vimos Mario em muitos jogos, ainda não vimos Mario a dominar a galáxia. É absurdo/ridículo/espantoso o que a gravidade e o Wii remote conseguiram fazer neste jogo. Temos planetas para explorar, gravidade para dominar e estrelas para apanhar com o apontar do comando, que mais parece uma extensão do nosso braço de tão simples e eficaz que é. A combinação destes elementos resulta num jogo extremamento polido, simples de usar e super intuitivo. Sem dúvida um jogo único.

Blackhole:

Sem sombra de duvida o Dark Souls….

Não porque acho que é o tituto que melhor representa esta geração mas exactamente o contrário: sem “hand-helding” desde o inicio do jogo, sistema de combate fora de serie, um setting muito “dark” e misterioso, historia bastante complexa e interessante mas contada de uma forma muito vaga deixando o jogador encher os “buracos” com a sua imaginação, um level design espetacular principalmente na primeira metade do jogo e por ultimo um grande nivel de imersão em grande parte devido à forma de navegar no mapa onde todos os sítios estão ligado fisicamente sem requerer loading screens.

Blackhole

Numa geração em que as companhias japonesas tiveram dificuldade em fazer a transição, é muito curioso ver uma companhia como a From Software a apostar num RPG do estilo ocidental. Remete aos tempos em que dar a mão ao jogador não existia, e para prosseguirem tem de aprender a jogar, e neste caso aprendem com a morte. Dotado de um sistema de mensagens no mundo do jogo, as quais são escritas pelos jogadores, é uma das grandes surpresas da geração. Quando somos invadidos por um jogador humano e surge a infame mensagem vermelha de que estamos a ser invadidos, somos bombardeados por uma adrenalina que é difícil de replicar, pois podem literalmente matar-nos pelas costas.

pixoxo10:

Batman Arkham Asylum. Pela inovação, carácter das personagens e acima de tudo a jogabilidade e grafismo.

pixoxo10

O género de jogo de super-herói precisava de um jogo destes. Considerado por muitos como o melhor que se pode fazer no género, é agora a fasquia pelo qual muitos heróis se devem reger. Boa história aliada a um trabalho de vozes surpreendente, combinado com um sistema de combate responsivo mais os seus counters, algo nunca visto no homem-morcego. A Rocksteady subiu ao patamar desejado com um excelente action-game.

ancarloro:

Saga Uncharted.

ancarloro

De Jak and Daxter para Nathan Drake. A Sony precisava urgentemente de um título que ajudasse a sua consola. A Naughty Dog, aclamada pelos seus jogos de plataformas viu-se deparada com uma árdua tarefa mas cedo se apercebeu que tinha um diamante nas mãos. A série tem um grafismo excepcional, gameplay refinado e um multiplayer que se revelou uma aposta ganha com novos tipos de jogo em vários modos. Tornou-se um marco o tipo de grafismo que as equipas da Sony conseguiram produzir na PS3 e os setpieces ficaram na memória.

Mini Mew:

Assassin’s Creed 2.

Sim, adorei outros jogos depois deste, mas não era a mesma coisa. História, personagens, ambiente, soundtrack e até o gameplay tornaram este jogo o apogeu da série e até desta geração, na minha opinião.

Mini Mew

A evolução natural de Prince of Persia. Uma cidade enorme para explorar, milhares de pessoas para interagir e assassinatos para levar acabo. O primeiro jogo foi um grande sucesso e deixou os jogadores a pedir por mais. A Ubisoft ouviu e assim foi, com uma sequela que melhorava todos os pontos mais negativos que assolaram o primeiro. Uma história passada no renascimento, novas mecânicas com um parkour melhorado, uma longevidade enorme e um conflito entre duas poderosas organizações. O mote estava dado e o resultado foi uma das melhores experiências que se pode ter num open world game.

gotickangel123:

Minecraft.

gotickangel123

E eis que nasce um milionário. Markus Alexej Persson, aka Notch, via a sua vida mudar com o seu grande sucesso chamado Minecraft. Lego para adultos dizem uns, gráficos péssimos dizem outros, o que é certo é que este jogo marcou em definitivo o PC. Construído com a ajuda monetária dos jogadores com várias fases alpha e beta, o jogo é um imenso parque de diversões onde se pode dar azo à nossa imaginação com as mais variadas construções para popular o nosso mundo. Lançado recentemente na XBOX 360, já aí se tornou um sucesso, e prova que o divertimento/jogabilidade pode estar muito acima de qualquer aspecto mais tosco que os nossos olhos possam ver.

Nuck Chorris:

Day Z

Acho que este jogo, que ainda é só uma mod em alpha, vai ditar, muito provavelmente, um novo estilo de jogo, vai abrir muitas portas e está já a mostrar pelo mundo que há muito pessoal que prefere um jogo aberto em que escolhemos o que queremos fazer, em vez de tarmos a fazer o que nos obrigam.

Nuck Chorris

Baseado num mod este multiplayer open world survival horror prova que a comunidade pode fazer coisas grandiosas. Sobreviver, mas sobreviver a quê? O nosso pior inimigo podemos ser nós próprios, os humanos. Um mundo gigantesco, populado por zombies onde todos os jogadores procuram sobreviver. Cedo aprendemos que confiar nos jogadores humanos pode ser o nosso maior erro. Traições, saques, emboscadas, tudo o que poderíamos imaginar num cenário apocalíptico onde sobreviver é o maior dos desafios.

Nosferato:

Xenoblade – Monolith soft – Wii

O melhor RPG da geração e uma lufada de ar fresco ao género.

Nosferato

As editoras third party não tiveram uma vida fácil na Wii. Quer pela sua falta de esforço, quer pelo pouco compromisso com a consola. Dito isto, houveram muitas coisas boas na Wii e a Nintendo, neste caso com a Monolith, fez um trabalho fora de série com este RPG. É certo que sofre algo no aspecto técnico, mas todo o resto do jogo é fenomenal. Um sistema de combate em tempo real mas com o feel japonês que caracteriza muitos dos JRPG, novas mecânicas de suporte entre os personagens e entre habilidades. Um mundo gigantesco e com áreas enormes para explorar, uma banda sonora que fica no ouvido mal se ouvem os primeiros sons do menu de apresentação e uma história que surpreende conduzem-nos por esta majestosa aventura, fazendo deste jogo uma das melhores coisas que aconteceu na Wii.

katialacosta:

Mass Effect 2 ! Nem é preciso pensar muito.

katialacosta

Shepard e companhia tiveram uma vida complicada com os Reapers. O primeiro jogo ainda é tido por muitos como o que melhor balanço fez entre acção e RPG. Foi, no entanto, no segundo capítulo desta saga que se registaram as melhorias mais significativas. Uma performance mais polida, uma jogabilidade mais refinada que proporcionava uma melhor experiência e mais controlo sobre as nossas acções, um excelente cast de parceiros aliado a uma história que prometia mostrar as consequências dos nossos actos, para o bem e para o mal e uma banda sonora de excelência a que a Bioware nos tinha habituado.Pode ter deixado um amargo na boca a bastantes fãs com o seu termino, mas é certamente uma saga que merece ser jogada.

Como o que queria mencionar já o foi, falo de um que me marcou bastante, Bayonetta. Dirigido pelo “pai” dos action games japonês, Hideki Kamiya, a história da bruxa é algo de esplendoroso para quem gosta do género. Gameplay rápido, bom, variado, imensas armas para brincar com inimigos e conteúdo que nunca mais acaba. É um jogo insano, a acção nunca pára. Leva-nos ao limite das capacidades para o dominar nas suas dificuldades mais elevadas, enfim é um dos melhores jogos da geração ao lado destes que foram mencionados e outros. Não é perfeito porque a versão jogada foi a que a Platinum Games não fez.

Este pequeno resumo de opiniões não pretende ser “A” lista, mas apenas alguns dos exemplos do que pudemos experienciar nesta geração que caminha para o seu fim. Concordo que houve talvez um maior fulgor em determinados momentos ou géneros na anterior, mas com alguns do exemplos acima mencionados e muitos outros que aqui não foram referidos, é correcto dizer que venham mais destes.

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