Análises

Sly Cooper: Thieves in Time

O público-alvo desta primeira aparição (compilações à parte) de Sly Cooper na PS3 (e possivelmente também a última, tendo em conta que a consola se aproxima do fim do seu ciclo) será sobretudo composto por jogadores de tenra idade ou por nostálgicos dos tempos de glória da PS2. Não apenas a personagem protagonizou três capítulos na consola de sala anterior da Sony (editados para a PS3 na compilação The Sly Trilogy) como remeterá para uma época em que o gigante japonês parecia empenhado em criar jogos protagonizados por figuras apelativas ao imaginário infantil.

Nada disto poderá ser apontado como falha, até porque alguns desses jogos protagonizados por animais falantes ou criaturas igualmente adoráveis se contaram entre os melhores da consola e, mesmo numa geração posterior em que a maior parte dos jogos passou a ser concebida para adultos (até a Sucker Punch, responsável pelos três primeiros jogos da série, abandonou Sly para investir em Infamous), ainda haverá espaço para plataformas de qualidade, capazes de agradar a miúdos e graúdos, sobretudo quando envolvam o cuidado claramente presente na produção de Thieves in Time.

Não querendo alterar receita de eficácia comprovada, a Sanzaru (substituta da Sucker Punch e já responsável por trazer The Sly Trilogy para a PS3), repete a mecânica dos três capítulos anteriores. Desta vez, Sly enfrentará uma ameaça à sua história familiar, forçado a viajar no tempo até épocas diversas para encontrar o responsável pelo roubo de páginas do Thievius Raccoonus, o tomo que regista os feitos dos seus antepassados na ladroagem. Não estamos perante um argumento digno de Óscar e a solidez da história tem momentos de alguma fragilidade, mas cumpre os mínimos como sustentáculo da ação.

Cada uma das épocas históricas visitadas (do Japão feudal ao faroeste) é livremente explorável, com minigames, objetivos obrigatórios e opcionais em número suficiente para assegurar entretenimento para muitas horas, sendo possível revisitar áreas já exploradas para obter o pleno dos itens escondidos.

A jogabilidade dependerá da personagem com que se jogar. Sly é um mestre do stealth, trepando obstáculos com mestria. A tartaruga Bentley usa a sua cadeira de rodas topo de gama para se deslocar e faz uso de um impressionante arsenal de explosivos. E Murray, o hipopótamo cor-de-rosa, é o “homem” de ação do grupo, deixando as subtilezas de lado e resolvendo os problemas a murro. Além do trio (com eventuais acréscimos não referidos para escapar ao spoiler), joga-se ainda com os antepassados de Sly, cada um com particularidades e poderes específicos.

O jogo inclui o download gratuito de uma versão para a PS Vita, com a possibilidade de salvar e carregar jogos entre uma consola e a outra. A transposição para o ecrã portátil está bem conseguida, mas há uma diferença considerável de qualidade gráfica pesando sobre a Vita, sendo que, na PS3, os gráficos não deixarão ninguém maravilhado, mas conseguem adequar-se perfeitamente ao tom ligeiro e garrido, sobretudo com o reforço proporcionado pela música apelativa e por um elenco talentoso dando voz às personagens.

Longe de poder ser considerado um jogo para crianças, Sly Cooper: Thieves in Time tem a solidez necessária para se sustentar sobre os seus méritos e a experiência, ainda que ligeira, é recomendável para fãs da série e para apreciadores do género.

 

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