Análises

Pokémon Mystery Dungeon: Gates to Infinity

No Pokémon Mystery Dungeon: Gates to Infinity, somos um humano que é misteriosamente transformado num Pokémon e transportado para o mundo dos monstros de bolso, só que aqui não são propriamente monstros de bolso, porque não há humanos nem treinadores, apenas Pokémons a viverem em sociedade. No início do jogo podemos escolher um de seis Pokémons para controlarmos: Pikachu, Tepig, Snivy, Oshawott e Axew e depois podemos escolher um companheiro dos restantes cinco para começar a aventura connosco. Esse companheiro com um espírito aventuroso quer criar um paraíso Pokémon onde todos são amigos e partem em aventuras em conjunto e é esse paraíso que nos serve de base de onde partimos para completar missões.

As missões são o núcleo do jogo e passam-se em masmorras criadas aleatoriamente, ou seja, são sempre diferentes de cada vez que se entra, mas isto também significa que são altamente desinteressantes visto não passarem de corredores e espaços sem qualquer personalidade apesar de cada área ter o seu grafismo e tema diferente. Dentro das masmorras encontram-se claro está, inimigos, itens, armadilhas e até lojas e temos que ir subindo andar a andar até chegarmos ao topo ou ao nosso objectivo que pode ser encontrar um Pokémon perdido, um item, ou derrotar um inimigo em específico. Claro que tudo isto, incluindo a aleatoriedade e falta de personalidade das masmorras, faz parte do género roguelike ou seja, não há aqui novidades para fãs do género ou dos anteriores Mystery Dungeon.

O que poderá não aliciar fãs do género é a falta de dificuldade do jogo e da tensão criada ao pesar as consequências de cada acção. Gates to Infinity foi simplificado em relação aos anteriores jogos da série, especialmente por ter sido eliminado o sistema de Hunger (fome) em que os Pokémon ficavam gradualmente com mais fome e isso fazia com que esperar para recuperar vida entre batalhas significasse ficar com mais fome o que implicava ter menos tempo para acabar a masmorra. Aqui este sistema apenas aparece nalgumas masmorras mais para o fim do jogo, sendo o único entrave à exploração (além de perder as batalhas obviamente) ficar sem PP para realizar mais ataques, o que não é grave visto que há itens para recuperar PP. No entanto não é inesperado que um jogo Pokémon aposte na acessibilidade, algo que basicamente vai contra muitas das fundações do roguelike, mas é importante salientar estas diferenças em relação aos jogos anteriores. De notar que apesar do jogo ser maioritariamente muito fácil, não é impossível ser apanhado de surpresa por um ou outro Pokémon que nos limpa a equipa num piscar de olhos.

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Fora das masmorras o jogo é controlado em 3D, mas dentro deslocamo-nos ao longo de uma grelha e cada passo dado é como se fosse um turno que permite os inimigos na masmorra deslocarem-se também, tudo isto decorre “nos bastidores” sem ser imediatamente óbvio. Ao encontrarmos um inimigo no interior de uma masmorra o combate inicia-se imediatamente sem cena de transição e apesar das semelhanças com o sistema de combate da série principal Pokémon há bastantes diferenças. Para já, a nossa posição e dos três restantes companheiros de equipa é importante, podemos deslocar-nos (mais uma vez, cada passo é um turno) para alcançarmos o inimigo e deixar o resto da equipa posicionar-se para atacar também. Certos ataques têm um alcance mais longo e isso influencia o posicionamento da equipa, para atacar carrega-se no L e aparecem quatro ataques, ao usar muitas vezes cada um ele vai subindo de nível e ficando melhor, aplicando-se a todos os monstrinhos que tenham esse ataque.

Como seria de esperar, cada Pokémon só pode saber quatro ataques da cada vez e ao subir de nível aprendem-se novos, que podem ser mais tarde apagados ou relembrados. À medida que a equipa combate e entra em sintonia aparece um devastador ataque de equipa que ataca todos os inimigos no ecrã. Ao serem derrotados, alguns Pokémons querem juntar-se à nossa equipa ou também podemos oferecer-lhes prendas específicas para os aliciar. No total há 144 Pokémons, sendo a grande maioria da região Unova (ou seja, a última geração que surgiu com o Pokémon Black e White). Também podemos completar as masmorras com mais três amigos usando o wireless da 3DS, mas cada um tem que ter uma cópia do jogo. Além disso, se perdermos numa masmorra podemos deixar o jogo numa espécie de standby e ao fazer StreetPass a alguém com o jogo a nossa equipa ganha novo fôlego e podemos continuar a aventura.

O jogo não tem o melhor dos começos, somos bombardeados com uma imensidão de texto lentíssimo que não dá para passar à frente e que se esforça demasiado para não deixar as crianças perdidas o que resulta em diálogos extremamente repetitivos e irritantes. Isto juntamente com os tutoriais torna o início do jogo bastante doloroso e pode tirar a vontade de seguir em frente. Apesar destas falhas na escrita é interessante ver os Pokémons comunicarem entre si e há bastantes momentos engraçados, apesar de ser tudo na onda de um anime genérico acerca de amizade e afins.

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Assim que o jogo se começa a abrir um bocado as coisas melhoram apesar de continuar a haver demasiado texto, isto porque além de irmos recrutando novos Pokémon e melhorando a nossa equipa aprendendo novos ataques e evoluindo os nossos monstros para novas formas, o jogo introduz coisas novas para fazer do início até praticamente o fim do jogo o que faz com que nunca fique demasiado repetitivo e seja fácil de aprender as coisas aos poucos.

O grande motivador para completarmos as missões, além das duas histórias que se desenrolam paralelamente e depois se cruzam, é a possibilidade de personalizar altamente a nossa base com materiais obtidos nas missões. Podemos transformar áreas do nosso paraíso Pokémon em tipos de terreno diferentes como planícies ou florestas por exemplo e podemos construir vários tipos de lojas, dojos para treinarmos ataques, campos de cultivo, estabelecimentos com mini-jogos e ainda podemos evoluir e pintar os diferentes edifícios. Também podemos comprar masmorras novas por DLC (a masmorra Poké Forest vai estar gratuira de dia 17/05 até 21/06) e ainda temos as masmorras Magnagate onde usamos a câmera da 3DS para criar portais para masmorras a partir de quaisquer objectos redondos que possamos encontrar. Nestas masmorras mais difíceis usamos uma equipa pré-definida e obtemos boas recompensas que podemos transportar para o jogo. Se para passar a história são precisas cerca de 20 horas, há material suficiente para investir mais tempo que isso.

Os gráficos estão muito bons, a cidade e a base são bastante detalhadas, os modelos dos Pokémons estão no ponto e claro, cores não faltam. A juntar-se a isto está uma banda sonora de qualidade com vários temas que ficam no ouvido.

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Pokémon Mystery Dungeon: Gates to Infinity tem um início fraco e peca por uma quantidade imensa de texto lento que não se pode passar à frente e por masmorras desinteressantes, no entanto acaba por cativar com a miríade de mecânicas e customizações introduzidas regularmente e até mesmo com o diálogo entre os bichos. Quem não gosta de Pokémon e/ou de vasculhar masmorras é melhor procurar noutro sítio.

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