Análises

Game & Wario

Quem está familiarizado com os jogos Wario Ware pode pegar no Game & Wario à espera de de uma colecção de micro-jogos que duram alguns segundos, mas tal como o Nintendo Land, este jogo trata-se de uma compilação de mini-jogos que eram basicamente demonstrações que sozinhas não davam para um jogo completo. Resta saber se todos juntos, os 16 mini-jogos fazem um bom jogo.

No modo solo começamos apenas com o jogo Arrow onde usamos o comando para apontar e disparar setas aos inimigos que surgem, podendo concretizar combos se não falharmos nenhum golpe. Vão aparecendo inimigos diferentes em variadas formações, assim como vento para nos dificultar a pontaria, mas também temos o auxílio de minas e pimenta para tiros explosivos. Ao passar o primeiro nível desbloqueamos mais um jogo e assim por diante até termos os 12, o que pode ser enganador porque não se desbloqueiam todos os mini-jogos em pouco tempo o que dá a sensação que já se jogou tudo, sendo é fácil cometer o erro de não voltar a jogar nenhum jogo, falhando assim os novos níveis que aparecem. Por outro lado a verdade é que o jogo não dá praticamente informação nenhuma de que aparecem novos níveis e nem todos os mini-jogos dão vontade de os visitar de novo.

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Felizmente, o jogo consegue ter rasgos de genialidade, em grande parte devido ao estranhíssimo sentido de humor que será familiar a quem jogou algum Wario Ware. É difícil não rir quando aparecem os hilariantes ecrãs de introdução com um estilo e música completamente diferentes do resto do jogo ou quando damos por nós no mini-jogo Taxi (que tem uma imagem de introdução que faz lembrar os desenhos animados dos anos 90 Swat Kats) a transportarmos vacas e porcos no banco de trás do nosso carro enquanto destruímos OVNIs com um canhão laser.

Este humor dá vida e engrandece especialmente os jogos mais interessantes e sumarentos, como por exemplo o Gamer onde jogamos como o 9-Volt que quer jogar a sua versão do Balloon Fight que se trata basicamente de uma versão lite do Wario Ware original do Game Boy Advance. O problema é que ele devia estar a dormir por isso enquanto passamos os micro-jogos no Gamepad, temos que prestar atenção para ver e ouvir o que se passa na TV onde vemos o 9-Volt na cama porque a qualquer momento podemos ter que nos esconder da mãe dele que aparece das formas mais inesperadas e assustadoras. Feito para jogar sozinho, também é uma óptima experiência, apesar de mais fácil, com um amigo a ajudar. É um mini-jogo divertidíssimo e viciante que faz um uso perfeito do Gamepad e é um óptimo exemplo do sentido de humor da equipa.

gamer

Disto podemos passar para algo tão diferente como o Patchwork onde temos que resolver puzzles cujas peças são pedaços de tecido, um mini-jogo não muito emocionante mas que tem imensos puzzles para resolver ou também há o Kung-Fu onde usamos o Gamepad para ter uma vista aérea de um mapa e inclinamos o comando para controlar a nossa personagem à medida que vai saltando até à meta. Não é das opções mais cativantes.

Um dos destaques é o Shutter, usando o comando como câmera fotográfica temos que fotografar determinadas pessoas de entre uma multidão na cidade ou dos actores de uma peça de teatro por exemplo. Na TV vemos o cenário inteiro e no ecrã do comando apenas a zona ampliada para onde estamos apontar e para nos ajudar a localizar e distinguir as pessoas, temos informação sobre eles, como se gostam de andar de carro ou se têm tiques como fechar os olhos em determinadas alturas, útil porque para termos a pontuação perfeita, o nosso alvo tem que estar virado para a câmera, de olhos abertos, centrado e o zoom tem que ser adequado. Além disso ainda há um pequeno bicho que se esconde e aparece em vários sítios apenas por alguns segundos, mas que vale muitos pontos. Enquanto não temos um Pokémon Snap novo, podemo-nos entreter com isto.

Há o Design, onde temos que desenhar linhas com um certo comprimento, ângulos e círculos que depois são avaliados pela sua exactidão e se estão bem desenhados. Devo dizer que achei este modo estranhamente viciante apesar de não passar de uma experiência sem muito que se lhe diga, mesmo com um modo para dois jogadores. Já o Bowling pouco de divertido tem, atiramos a bola com um gesto no ecrã táctil e depois controlamos a bola em movimento com os sensores do comando. Os pins vão ficando dispostos de maneiras cada vez mais difíceis, mas isso não salva este mini-jogo. O Ski faz lembrar o F-Zero do Nintendo Land, onde inclinamos o Gamepad para conduzir o Jimmy pela pista de Ski o mais rápido possível ou então podemos jogar o modo endless onde temos que aguentar na pista o máximo de tempo possível enquanto juntamos raparigas para nos seguir até à discoteca.

Pirate é mais um dos jogos que veio de uma demonstração das capacidades do comando da Wii U aonde temos que ouvir as direcções do Capitão Wario para saber de que direcção vêm as setas inimigas e quantas são para levantarmos o comando que serve de escudo na direcção certa e também no ritmo certo. À medida que nos vamos defendendo no ritmo certo, é difícil não nos lembrarmos dos jogos Rhythm Tengoku, feitos pela mesma equipa e no fim do nível temos que imitar as poses e danças ridículas que vemos no ecrã. Especialmente bom para jogar à vez com amigos se não nos importarmos de fazer figuras tristes.

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A Ashley também volta do Wario Ware com um shooter horizontal controlado com o sensor de movimentos e que dispara automaticamente quando os inimigos (bem, são bolachas) estão à nossa frente. Os controlos com movimentos são completamente escusados e só há três desinteressantes níveis, uma pena porque havia algum potencial.

O último jogo a desbloquear-se é o Bird, uma versão do Pyoro, um mini-jogo do Wario Ware original onde temos que comer frutos que vão caíndo antes de tocarem no chão, a maior diferença é que no Gamepad os gráficos são semelhantes aos jogos Game & Watch, enquanto que na TV têm um estilo tipo pastel.

Onde Game & Wario brilha mesmo é com vários amigos, não só alguns dos jogos a solo são divertidos com amigos jogando à vez ou partilhando funções, como há quatro mini-jogos só para vários jogadores, todos eles usando apenas um Gamepad. No Island cada jogador atira um grupo de bichinhos a plataformas com alvos e cada cenário tem as suas regras, como plataformas que se deslocam e mudam de pontuação quando batem em alguma coisa ou um cenário que é uma balança com dois pratos que muda de pontuação à medida que o peso muda. O jogo é extremamente divertido porque tudo pode mudar de um momento para o outro, as plataformas estão na água e se forem demasiado pesadas num lado, viram e os bonecos deslizam mudando a pontuação. Além disso às vezes aparecem gaivotas que roubam um dos bonecos ou largam blocos que multiplicam ou dividem os pontos e giram pelas plataformas empurrando os bonecos para outras pontuações ou para a água. O caos misturado com efeitos sonoros estranhíssimos garante muitos risos.

Fruit é outro modo brilhante onde o jogador com o Gamepad esconde-se no meio de uma multidão e tem que roubar quatro frutos sem dar nas vistas, os outros jogadores têm que prestar atenção e descobrir quem é o ladrão. Mais uma vez, cada cenário tem as suas particularidades, por exemplo na cidade há esgotos para usar como atalhos e de vez em quando na TV aparece uma foto da zona onde o ladrão se encontra, enquanto que no museu é preciso desligar a luz para roubar a fruta, o que faz com que os detectives tenham que tentar identificar o ladrão pelas silhuetas.

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O modo Disco só dá para dois, cada jogador pega num lado do comando e enquanto um carrega no ecrã para fazer um ritmo ou outro tem que se defender com o mesmo ritmo. Fazer um ataque ao ritmo da música duplica os pontos e a mudança de ritmos e músicas pode trocar as voltas às pessoas.

Artwork é o modo perfeito para festas, basicamente é um jogo de charadas em que uma pessoa tem que fazer um desenho da palavra que aparece no Gamepad para que os outros adivinhem o que é. Pode não ser uma criação original, mas é ridiculamente divertida e ver uma galeria com os desenhos todos no fim tem imensa piada. Além disso há uma versão onde temos um minuto para desenhar coisas sugeridas por utilizadores do Miiverse e podemos também sugerir palavras e veros desenhos dos outros. É pena só haver estes modos multi-jogador.

Ao jogar ganhamos moedas que podemos usar numa estranha máquina de brindes e os prémios são… aleatórios para dizer o mínimo. Os mais normais são cartões com dicas, mas depois há coisas bizarras como cartões com “números” de telefone (na realidade são símbolos como cabides e esparguete) que nos deixam fazer chamadas por exemplo a um grupo de actores vestidos de Goombas e Koopas no meio de gravações de um Super Mario. As coisas estranhas não ficam por aí, há por exemplo microfones que alteram a nossa voz e uma caixa de feijões que temos que abanar para imitar o barulho de ondas para criar ambiente num encontro. Não vai ser fácil encontrar jogos mais estranhos que este.

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Game & Wario não tem a profundidade vista no Nintendo Land e nem todos os mini-jogos são particularmente interessantes, mesmo a €40 eram precisos mais jogos, especialmente para vários jogadores e mais profundidade para valer o preço a toda a gente. No entanto, não consigo não gostar do Game & Wario, não só por ter alguns mini-jogos divertidíssimos e por ser brilhante para jogar com amigos e em festas, fazendo por vezes lembrar jogos de tabuleiro, mas também pelo seu sentido de humor, bizarria e imensa personalidade e originalidade injectada no jogo.

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