Análises

Rayman Legends

Originalmente um exclusivo Wii U (versão testada), Rayman Legends foi adiado nove meses e lançado para a Xbox 360, PS3, Windows e PS Vita. Tal como o seu antecessor Rayman Origins, Legends é um jogo de plataformas 2D que chama à atenção pelos seus lindíssimos cenários desenhados à mão, agora sorrateiramente misturados com polígonos em certas partes. Os mundos são agora mais animados, com detalhes espalhados aqui e ali e pequenas personagens a passearem pelos planos da frente e de trás, transformando os mapas em pinturas cheias de vida em vez de simples panos de fundo estáticos. A Ubisoft Montpellier não se deixou ficar apenas por desenhos bonitos e 1080p a 60 fps, havendo um salto de qualidade na temática dos níveis, com inspirações como cinema ou lucha libre, o jogo surpreende com a sua criatividade e sentido de humor.

hfghfghgfAté 4 jogadores podem jogar ao mesmo tempo, sendo possível a qualquer jogador entrar e sair quando quiser. Nas versões Wii U e Vita (que necessita de um jogo por consola), um quinto jogador pode-se juntar à festa o Murphy, que em vez de andar a correr e saltar, controla-se através do ecrã táctil para ajudar os outros atordoando inimigos por exemplo. Há níveis especiais em que jogamos com o Murphy enquanto a inteligência artificial trata da outra personagem nas versões, isto nas versões Wii U e Vita porque nas restantes progredimos pelos níveis normalmente e temos que carregar em certos botões em alturas certas para fazer o papel do Murphy. Estes são interessantes a solo por serem um desvio do normal, mas em multiplayer nas versões com ecrã táctil tornam-se extremamente divertidos e originais sendo preciso coordenar o jogador que controla o Murphy com os restantes o que leva a momentos intensos e hilariantes.

É sempre bem-vinda a hipótese de jogar com mais amigos claro, mas a interacção entre jogadores está limitada apenas a baterem uns nos outros e agarrarem-se aos pés de alguém que esteja agarrado a algo. O que isto quer dizer é que não há grande hipótese de cooperação entre os jogadores, havendo claro vantagens em haver sobreviventes para não ter que voltar ao checkpoint ou haver alguma coordenação para escolher quem apanha as moedas especiais por exemplo. Fora isso, os jogadores extra tendem a atrapalhar porque facilmente se atira alguém para um buraco ou inimigo com uma chapada, o que implica ser preciso algum cuidado a atacar e não se poder usar livremente o ataque para atingir mais velocidade (ao atacar corre-se mais rápido, uma técnica útil). Também se levanta o problema de ser complicado perceber o que se está a passar no ecrã ou até distinguir as personagens, algo piorado pelo facto dos gráficos serem desenhados à mão porque os contornos e limites são mais difíceis de discernir. No entanto, jogar com amigos é sobre bem mais do que poder tirar vantagens disso e o jogo proporciona vários momentos divertidíssimos para vários jogadores, nem que seja andar à estalada durante minutos em vez de avançar no nível. Quando isto não chega, há o Kung-Foot, um modo simplicíssimo onde podemos formar equipas para competirem num jogo de futebol simplificado onde temos duas balizas num pequeno cenário e usando os nossos movimentos vindos do modo principal temos que marcar golo. Simples, mas incrivelmente viciante e divertido.

raymanlegends2013-08-ltazpO número de níveis originais (80, mais 5 na versão Vita) não demora a passar sendo possível chegar à sequência de créditos relativamente rápido, mas não só é importante apanhar tudo em cada cenário para desbloquear variações das personagens e novos níveis, como aparecem versões de cada nível em que temos que chegar ao fim o mais rápido possível, versões essas que chegam a ter uma estrutura completamente diferente do nível original. Jogar Rayman Legends sem tentar fazer os melhores tempos e pontuações é ignorar uma grande parte do jogo, especialmente os desafios semanais e diários que são postos online e que encorajam os jogadores a dominarem a física e mecânicas de jogo, especialmente quando vemos um amigo nosso na leaderboard e queremos ultrapassá-lo. Além dos 80 níveis, há também 40 retrabalhados do Rayman Origins, não ganham pontos por originalidade, mas mais conteúdo nunca é mau.

Seria crime não mencionar os níveis musicais presentes no fim de cada mundo, onde temos que progredir rapidamente ao ritmo de uma versão de um êxito musical como a Black Betty popularizada pelos Ram Jam. Mais exemplos não dou para não estragar as surpresas. Alguns melhores que os outros, estes níveis não deixam de ser sublimes e deixar um sorriso na cara tanto a quem joga como a quem vê e ouve, só é pena serem poucos, porque deixam fome para mais. Não é só aqui que a banda sonora brilha, havendo várias faixas fantásticas que tanto podem ser alegres músicas de influência mexicana, orquestras épicas ou até temas próprios para um Splinter Cell. Mais um excelente trabalho do compositor Christophe Héral que se mostra incrivelmente versátil e capaz não só de compor grandes músicas, mas também de os saber aplicar num jogo.

O design dos níveis, apesar de ser bem superior ao do Origins, tem alguns momentos pouco intuitivos e francamente confusos, nem sempre ajudados pelos desenhos que em conjunção com a física um bocado “solta” tornam o jogo pouco exacto especialmente em situações rápidas. Isto é colmatado com checkpoints frequentes e vidas infinitas e estes momentos menos bons são relativamente raros, não deixando uma marca profunda na experiência, que vive dos seus muitos méritos.

Rayman Legends é um jogo que deixa um sorriso na cara com a sua beleza, criatividade e humor conseguindo suplantar-se a si próprio várias vezes à medida que se avança. Valeu a pena a espera.

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