Análises

Football Manager 2014

O que é?

É sempre um pouco inglório analisar um jogo com novas versões lançadas todos os anos há décadas (desde os tempos em que a série ainda se chamava Championship Manager), quando a fórmula essencial se mantém fundamentalmente a mesma, apenas com uma ou outra aresta limada e polida e com a introdução ocasional de funcionalidades de mérito e utilidade variáveis, que nunca conseguem desviar atenções do essencial e imutável. Para quem não souber (e, convenhamos, a maior parte dos interessados em ler este texto saberão muito bem), Football Manager 2014 é a edição atualizada do mais popular jogo de simulação tática de futebol criado em 1992 pelos irmãos Paul e Oliver Collyer, fundadores da Sports Interactive. Mais para os aspirantes a José Mourinho do que para quem sonha duplicar as fintas de Cristiano Ronaldo, o jogador pode assumir o comando de qualquer equipa das principais ligas mundiais e procurar reforços numa base de dados verdadeiramente assombrosa para atingir os objetivos de cada época.

O que esperávamos?

Quando se fala de Football Manager, deixa de haver lugar para surpresas. Os “clientes habituais” sabem o que querem e a Sports Interactive aceita de bom grado fazer-lhes a vontade. Com mais esta edição, qualquer fã esperaria essencialmente uma versão com os campeonatos e plantéis atualizados para a época 2013/14 e as mesmas funcionalidades da edição anterior. Se pudesse ser um jogo ainda mais polido, melhor ainda.

FM 2014 reviewO que obtivemos.

 Se Football Manager 2013 apresentou a novidade do modo clássico, simplificando o jogo e tornando-o mais rápido para jogadores mais casuais e menos abertos à abdicação total da sua vida pessoal, as novidades de FM 2014 são muito mais discretas: aprofundamento dos mecanismos táticos, maior profundidade da interação com a direção do clube, com os jogadores e com a imprensa, a possibilidade de negociar contratos em tempo real e com cláusulas mais aproximadas das que vigoram no futebol “a sério”. Passa a ser possível, por exemplo, emprestar um jogador ao clube a que acaba de ser contratado, simulando uma prática corrente nas contratações dos clubes de topo e contribuindo para aumentar o realismo, mas sem que isso deixe jogadores em êxtase por finalmente ter sido suprida a lacuna.

Além destes aprimoramentos (porque é disso que se trata e não de inovações estrondosas) na jogabilidade e de retoques gráficos e funcionais na interface, outras novidades remetem para pormenores mais técnicos. Pela primeira vez, será vendida uma versão Linux juntamente com as versões Windows e Mac. Também pela primeira vez, o jogo está plenamente integrado com as funcionalidades Steam Workshop, facilitando a criação e a partilha de conteúdo criado pelos utilizadores (os packs de fotografias de jogadores e emblemas de clubes das ligas em que não existe licenciamento completo, por exemplo). Por último, os jogos passam a poder ser guardados na cloud, aumentando a portabilidade entre computadores.

Um aspeto que tem sido alvo de anunciadas melhorias com cada versão desde a edição de 2009 é o match engine 3D. Football Manager 2014 não é exceção. Com tantos anos sucessivos de “melhorias”, pensar-se-ia que o match engine estaria já mais que perfeito. Infelizmente, ainda não foi desta e quem tinha queixas a este respeito em versões anteriores, mantê-las-á praticamente intactas.

Vale a pena?

 É uma pergunta com rasteira. Depende muito de quem a colocar. Alguém que odeia futebol, que gosta de participar diretamente no jogo ou que não consegue compreender qual o interesse de passar horas a procurar um lateral direito a preço de saldo ou a ajustar as nuances de uma formação 4-1-3-2 deverá seguir o seu caminho e não olhar segunda vez para Football Manager 2014. Para os novatos a quem a ideia agrade, terão aqui um excelente ponto de partida, desde que não nos culpem pelas noites em claro. Para os outros, a grande massa de treinadores de rato em punho, é a nova edição de Football Manager. Não será preciso dizer mais nada.

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