Análises

Destiny: House of Wolves

Versão testada: PS4

No geral, The Dark Below foi uma boa adição ao Destiny e trouxe consigo uma nova raid dedicada aos Hive, novos Strikes, novos bounties, novos mapas do Crucible e novo equipamento. Contudo, não soube recompensar devidamente quem mais tempo dedicou ao jogo e implementou uma economia um tanto ou quanto desfasada daquilo que o jogo precisava.

Quando foi anunciado que a expansão House of Wolves não iria incluir uma nova raid, os níveis de suspeição e duvida dentro da comunidade atingiram níveis alarmantes. Afinal de contas, a raid é o derradeiro conteúdo cooperativo e é uma das principais atrações de Destiny. Se não iria incluir uma raid, será que a expansão iria trazer conteúdo significativo? Ora, após duas semanas e praticamente dois ciclos completos, a expansão revelou ser uma boa surpresa.

Esta surpresa não é só dirigida à expansão em si, mas também à mensagem que a Bungie passou à comunidade. Essa mensagem é: “nós estamos a ouvir”. Estas palavras por si só não representam muita coisa, mas a forma como o próprio conteúdo foi apresentado, mostram um nível de abertura. Em vez de se limitar a lançar dois ou três vídeos com uma breve descrição e imagens do novo conteúdo, a Bungie tomou outro caminho e fez alguns live streams onde mostrava cada uma das novas atividades.

A primeira coisa que se destaca nesta expansão, ainda antes de ir ao conteúdo em si, é a forma como recompensou os jogadores que mais  tempo investiram no jogo. Todos os Ascendant Materials, Radiant Materials, Strange Coins e Comendations tornaram-se úteis. Os materiais e as Strange Coins podem ser trocadas por Mote of Light, e as Comendations, que foram descontinuadas nesta expansão, deram reputação para as fações. Aqueles que mais itens tinham arrecadado, mais benefícios tiveram. Os Mote of Light tornaram-se definitivamente na “moeda” mais importante do jogo, pois permite fazer reforge às novas armas lendárias no Gunsmith. E acreditem, vão gastar muitos Mote of Light em reforges.

Os novos itens lendários já não precisam de upgrades de defesa ou dano, e como tal, já não necessitam de Ascendant Materials. Os itens exóticos que saírem agora já têm o máximo dano (no caso das armas) e o máximo nível light (no caso do equipamento), necessitando apenas de desbloquear os perks.

Mas agora, até o velhinho equipamento do Vault of Glass já pode ser útil. Graças a um novo item chamado Etheric Light, é possível ascender todo o equipamento lendário para o atual nível light máximo. Isto é uma boa novidade, pois permite que os jogadores tenham mais opções no que toca a construir uma build que se adeque a sua forma de jogar. Como consequência, também existe uma maior variedade visual entre os jogadores. O Etheric Light pode ser ganho no Nightfall, Prison of Elders, Trial of Osiris e Iron Banner.

Destiny ReefHouse of Wolves introduz um novo espaço social chamado Vestian Outpost no Reef. É aqui que reencontramos Petra, personagem que alguns ainda se devem lembrar do primeiro evento Queens Wrath. Petra, juntamente com Varikis, um Fallen da House of Judgement, guiam-nos nas novas missões de história. É-nos incumbida a tarefa de capturar o Skolas, o líder da House of Wolves. Skolas traiu a Queen e os Awoken, e pretende chefiar todos os outros clãs de Fallen. O seu derradeiro objetivo é a destruição do Reef e a salvação da raça Fallen. Pelo caminho, Skolas pretende descobrir os segredos dos Vex e do Vault of Glass.

A história aqui presente é muito interessante mas ao mesmo tempo é uma oportunidade perdida. Mais um vez, a história, ou melhor, os eventos que estão a decorrer são contados simplesmente por uma voz ao longo das missões. Como seria de esperar, esta não é a melhor forma de explicar tudo o que se passa e o porquê de fazermos aquilo que estamos a fazer. E é uma pena porque quem for ler o grimmoire desta expansão, vai ter a noção do quão rico é o lore e do enorme potencial aqui presente. Mas isto é algo que só uma sequela poderá resolver.

Completar as missões de história e o strike desbloqueia o Prison of Elders, a primeira das novas atividades. Na sua essência, Prison of Elders é um horde mode para três jogadores. Estão disponíveis missões de nível 28, 32, 34 e 35. As missões de nível 28 e 35 são fixas, mas as outras vão rodando. De destacar que a missão de nível 28 inclui matchmaking. Nestas missões podemos enfrentar numa arena Cabal, Fallen, Hive ou Vex, e à mistura vão haver determinados objetivos como eliminar um inimigo especifico ou desarmar uma bomba. Para além disto, as missões vão ter modifiers que também vão mudar semanalmente. Hive com Arc Burn é algo sempre muito “engraçado” de se enfrentar.

destiny_prison_of_elders_actionPrison of Elders não é uma raid mas também não pretende servir como substituição. Em vez disso, esta atividade funciona como uma alternativa e serve para sair da rotina semanal a que nos habituámos. E o facto de algumas missões rodarem e de existirem modifiers, Prison of Elders acaba por oferecer uma pequena dose de novidade todas as semanas. A estratégia para matar um boss numa semana pode não funcionar na semana seguinte devido a um modifier. E isto é algo interessante. Igualmente interessante é o facto de as recompensas não estarem limitadas semanalmente. Sempre que completarem uma missão, podem abrir dois chests pequenos e um grande, sendo que este último só pode ser aberto se tiverem uma Treasure Key.

Negativamente há que referir as armas e equipamento do Prison of Elders. O equipamento é bastante especifico para esta atividade e isso reflete-se nos perks. Mas isto já seria de esperar. Já as armas são uma verdadeira desilusão, principalmente no que toca aos perks. Bónus dano a um shank não me parece ser um bom perk numa machine gun. Definitivamente precisam de umas valentes melhorias.

Outro aspeto negativo tem a ver com as Treasure Keys. Para se obter uma Key é necessário fazer os eventos públicos específicos da expansão e ter esperança de ganhar uma Key no chest que aparece após cada evento. No entanto, o drop rate é extremamente baixo e obriga a bastante grind.

A segunda atividade introduzida em House of Wolves é uma atividade competitiva chamada Trial of Osiris que apresenta o novo modo de jogo Elimination. Este modo consiste em partidas de 3 vs 3 sem spawns e à melhor de cinco rondas. Uma ronda termina quando todos os elementos de uma equipa estiverem mortos. A limitação dos spawns tornam as partidas bem mais intensas e obrigam a um maior nível de planeamento e de abordagem aos confrontos.

destiny_trials_of_osiris_actionPara entrar no Trial of Osiris é preciso comprar um Trial Passage. Isto funciona como um cartão de registo de vitórias e derrotas. Dependendo do numero de vitorias obtidas, podem ter acesso a várias recompensas incluindo uma peça de equipamento, uma arma e pacotes de recompensa aleatórios. As nove vitórias num cartão são o limite e, caso não tenham nenhuma derrota, permitem aceder a um sítio chamado Lighthouse em Mercúrio. Aí, podem abrir um chest que dá uma arma com elemento e outras recompensas aleatórias.

Ao contrário do que acontece no Prison of Elders, as armas e equipamentos do Trial of Osiris são bons e podem ser úteis tanto em PVP como em PVE. Um exemplo disso é a possibilidade de ter umas luvas com reload speed para hand cannons e heavy weapons. Este ultimo perk é uma novidade.

Chegar ao nível máximo de light atual é um processo mais rápido do que foi em The Dark Below e é uma considerável diferença do que foi no jogo base. E isto não deve ser encarado como um ponto negativo pois chegar ao nível máximo não é o objetivo final, mas sim o ponto de partida para usufruir de tudo aquilo que a expansão oferece. Aliás, Destiny é um jogo que não deve ser jogado com o único intuito de apanhar armas e equipamento.

House of Wolves não é uma expansão revolucionária que visa mudar por completo a forma como se joga e como se desfruta deste jogo. No entanto, esta expansão é um verdadeiro passo na direção certa, e acima de tudo, representa uma relação mais harmoniosa entre Destiny e o jogador.

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