Análises

Senran Kagura: Estival Versus

Versão testada: PS4

Boing! Pegar num grupo de raparigas com umas mamocas tão avantajadas que possivelmente vão necessitar de usar andarilhos para quando forem mais velhas, mete-las num jogo de luta com umas físicas denominadas de gelatina, que basicamente elevam os avantajados seios a movimentar-se como se estivessem dentro de um carro numa estrada cheia de buracos, o resultado será Senran Kagura. Um ano após o lançamento no Japão, Estival versus o mais recente título da serie, é o sétimo jogo da saga e sequela do Shinovi Versus, chega à Europa trazendo aos jogadores de PS4 e PS Vita o bastante comum da série.

Em Estival Versus, as ninjas sexy são levadas para um universo paralelo para participar num evento onde as almas dos Shinobis (ninjas) que morreram são permitidas a regressar à terra dos vivos. Neste universo, temos que enfrentar as personagens das academias rivais em vários desafios.

Conforme vamos avançando no tutorial, e prestando atenção as cenas estilo visual-novel bem como aos diálogos, comprovamos que aparentemente cada academia tem um membro cuja família está de alguma forma ligado a este evento. Portanto, não caímos dentro da história totalmente de “para-quedas.”

Ao estilo dos jogos orientais, os diálogos estão bem presentes. Mas admito que conforme ia avançando no jogo, começava a perder interesse na leitura dos mesmos. No começo, considerava que fazia sentido tomar atenção, mas conforme avançava na história surgiam cada vez mais diálogos de personagens perversas que pretendem apalpar as “amiguinhas” umas às outras e dei por mim a passar os diálogos à frente. Não é que não sejam engraçados nem considero que é suposto este jogo ter um grau de seriedade elevado, muito pelo contrário, mas ter grande parte de diálogos “sem sentido”, fez com que tenha perdido um pouco o interesse.

Porém, neste tipo de jogos, o que realmente interessa é o combate. Pois bem, quem conhece ou tenha jogado outros títulos Senran Kagura já sabe o que esperar, mas, quem não jogou, seguramente se questiona, será mais que um jogo com um elenco quase erótico com ângulos de câmara duvidosos e uma história estranha?

Em Estival Versus, há ninjas para todos os gostos. Algumas são rápidas, outras são lentas. Umas são autênticas máquinas de fazer combos bem como também há algumas que parecem ser autênticos tanques de guerra. Há personagens especializadas em ataques ranged (ao longe) como também há personagens mais viradas para ataques de perto. Todas as personagens têm uma arma ou equipamento de escolha. Desde espadas a bastões, umas utilizam frigideiras e panquecas, e outras chamam ao seu auxílio animais como golfinhos ou lobos. Irreverência é algo extremamente presente nas personagens deste título.

O combate é relativamente simples. Para além do óbvio, saltar, atacar, defender e fazer “dash”, cada personagem tem um ataque fraco e rápido e um ataque forte, que é geralmente  mais lento e permite “carregar” ao manter pressionado o botão. Depois, ao pressionar os botões numa sequência específica, criamos um combo, sendo mais eficaz e traduzindo-se em dar mais dano aos nossos inimigos.

SENRAN KAGURA ESTIVAL VERSUS_20160322190151Além disto, podemos entrar em modo Shinobi que ao pressionar uma combinação de botões, surge uma animação da nossa personagem a vestir-se à “Shinobi”. Shinobi está entre aspas pois eu não identificaria as roupas como como algo que os ninjas vestissem. Obviamente esta animação explora o lado maroto do jogo. A personagem surge sem roupa, apenas tapada por uma luz ou brilho intenso que incide nas partes… sim, essas que estão todos a imaginar. Além de nos dar a visualizar mais marotices, esta transformação dá-nos ataques mais poderosos, bem como novas habilidades.

Depois , temos também pelo mapa fora, umas bombas com diversos efeitos que se poderiam revelar bastante úteis no decorrer da batalha. Contudo, do que pude testar, raramente utilizava estas bombinhas, não identificando assim uma necessidade de existência deste item.
A reutilização de arenas é notória, bem como as hordas de inimigas que temos de defrontar. Todas vestidas e despidas de igual, animações iguais e IA igual.

Conforme combatemos e ao recebermos e darmos dano a roupa fica estragada e camara encontra sempre um ângulo maroto para quase focar no que não deve. Ver se é listada ou às bolinhas, parece ser tão importante como derrotar a academia inimiga. Depois, quando realmente derrotamos as personagens principais, deparamo-nos com uma animação com grande foco na personagem derrotada em que se vê a roupa a rasgar quase que em slow-motion puxando mais uma vez pela marotice do jogo. As personagens fazem umas caras engraçadas quando são derrotadas, e a título de exemplo num combate após sair vitorioso, a academia derrotada sofreu as consequências. Todas levaram umas palmadinhas nos glúteos.

Estas pequenas marotices e parvoíces tornam Estival Versus num jogo bastante divertido capaz de nos fazer espairecer de tudo. Apesar disto, acho que a melhoria do gameplay foi descorada. A repetição de texturas nas hordas de inimigas, todas fazendo os mesmos movimentos e a reutilização de arenas, parecem-me arestas a limar, falhando assim, em elevar o patamar do jogo.

SENRAN KAGURA ESTIVAL VERSUS_20160318232123A camara também deixa um pouco a desejar. Não só no seu controle mas também devido aos ângulos difíceis quando encostados a uma parede. Nestes casos, tive algumas dificuldades em manter a um ângulo correcto, tornando-se difícil acertar no alvo pretendido e apesar de existir uma opção de seleccionar o inimigo que queremos atacar, simplesmente não é o suficiente. Mais uma vez, talvez se tenham focado demais nas marotices do que propriamente em melhorar a experiência do combate.

Relativamente aos modos de jogo, o Kagura Millennium Festival, que é o modo principal, leva-nos a fazer várias missões com diversos objectivos. Contudo, roda tudo à volta do mesmo. Derrotar as hordas de inimigos que estão surgem no nosso caminho e derrotar as personagens de academias inimigas. Conforme vamos jogando, recebemos experiência e evoluímos a nossa personagem, desbloqueando assim novas combinações. E com um leque tão grande de personagens à escolha, Estival Versus não será neste aspecto, um jogo monótono.
O modo Shinobi Girl’s Heart, trata-se de um conjunto de missões que são desbloqueadas ao completar alguns requerimentos do Millennium Festival.

Depois temos as Special Missions que elevam a dificuldade do jogo e aqui devem ter em conta o nível do vosso personagem. Relativamente aos modos online existe uma grande variedade de batalhas. Além dos mais comuns, temos algo fora do comum, que foi o que me chamou à atenção. O modo Capture-The-Bra e o Understorm. Sendo que no primeiro o ojectivo é capturar a “bandeira-sutien” e derrotar inimigos para aumentar o número de sutiens. No segundo Understorm, tal como o nome indica, temos de apanhar a roupa interior que vai chovendo do céu. Infelizmente, das vezes que tentei jogar online, os escassos tipos de eventos que encontrei foram apenas os deathmatch, não conseguindo assim testar os modos mencionados.

Em Estival Versus, a customização também não podia deixar de estar presente em peso. Ao aceder ao Dressing Room, podemos vestir as nossas personagens com todo o tipo de roupas e acessórios. Existe realmente uma grande panóplia de itens que podemos desbloquear para utilizar nas nossas personagens. Ao acabar cada missão, também desbloqueamos artigos na loja para vestir o nosso personagem. A loja tem também um sistema de lotaria que ao doar moeda do jogo, podemos ganhar ainda mais artigos, mas sinceramente, não vejo necessidade de introdução deste sistema, bastava a loja ter o conteúdo disponível para compra que era desbloqueável com objectivos ou missões.

SENRAN KAGURA ESTIVAL VERSUS_20160318234329Graficamente o jogo está ao nível de outros do género, mas talvez sendo o melhor da série Senran Kagura, provavelmente por ser o primeiro título na PS4. Raramente verifiquei problemas de performance. Só em situações de extrema quantidade de texturas se notou algo momentâneo. O design das arenas é que podia ser mais cuidado e com melhores texturas. Relativamente à banda sonora, não achei nada de especial, mas faz o seu trabalho.

Tendo uma história que poderá fazer torcer o nariz a alguns, e se já acham que títulos como o Dead Or Alive dão demasiado foco aos efeitos gelatina e roupas exageradamente curtas, então Estival Versus não é para vocês. Roupas rasgadas, conversas perversas e muita, muita ação é o que podemos esperar deste título.

Com um conceito e aspectos bastante diferentes do que estamos habituados, de forma muito resumida, um título de luta com grande foco em fanservice, “Boings”, imagens e diálogos excêntricos, este é um jogo realmente divertido. O seu humor característico e o sistema de combate simples mas sólido, tornam-no num jogo capaz, perdendo apenas o encanto na repetição. Possivelmente terá sido dada demasiada atenção ao conteúdo quase erótico, tornando tudo o restante quase que num componente secundário. Em primeiro temos o conteúdo quase erótico e só depois um jogo de luta. Eu gostei do jogo, faz o seu propósito em pleno, servindo para desanuviar de tudo e colocar um sorriso nas nossas caras. Porém, um pouco mais de profundidade não ficava nada mal. Mas assim, Estival Versus não é para toda a gente.

Veredito

Nota Final - 7

7

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