Análises

Gravity Rush 2

Versão testada: PS4

Gravity Rush foi um título nascido para demonstrar as capacidades da PS Vita, mas como a consola portátil da Sony nunca realmente ganhou força, o título acabou por passar despercebido a muita gente, mesmo tendo cumprido com o objectivo proposto. Felizmente, Kat teve uma segunda oportunidade de brilhar, desta vez na PS4. O ano passado foi lançado o remaster do primeiro título e agora é a vez da sequela. Será que desta vez Kat vai voar alto?

Os eventos de Gravity Rush 2 decorrem alguns meses após o anterior jogo e abordam o mistério da origem de Kat. Kat e Raven foram protagonistas no título anterior, mas devido a um incidente, Kat separa-se de Raven e de Dusty, perde os seus poderes de controlar a gravidade e vai parar a um sítio chamado Banga. Sendo um local bastante pobre, Kat acaba por ter de trabalhar no que for preciso para contribuir para a cidade, mas mantém a esperança de poder recuperar os seus poderes, reencontrar Raven e voltar a Hekseville.

A história é interessante, mas é a personalidade de Kat e a interacção que ela tem com os outros que realmente dá carisma ao jogo. Kat é uma rapariga inteligente, ingénua e atenciosa, que está disposta a fazer sacrifícios pessoais para salvar aqueles que precisam de ajuda. As outras personagens, em particular Raven e Syd, complementam muito bem a personalidade de Kat e criam uma dinâmica muito entusiasmante. Algo de positivo a salientar é a forma como as missões secundárias são utilizadas para mostrar outra faceta das personagens. Estas missões não são simplesmente palha, e acabam por adicionar substância às personagens que rodeiam Kat.

Estruturalmente, Gravity Rush 2 mantém um estilo open world, tal como o primeiro, mas com uma maior escala. Num jogo onde a protagonista voa, verticalidade é um dado adquirido, mas comparativamente ao seu antecessor, Gravity Rush 2 eleva esta vertente a outro patamar e oferece uma vasta área para explorar. E este é um ponto interessante porque, numa altura onde grande parte dos títulos usa um estilo open world, Gravity Rush 2 consegue ser interessante graças à jogabilidade algo ortodoxa. Aliás, este é um dos poucos títulos open world onde após duas dezenas de horas de jogo, a navegação pelo mapa não me aborreceu.

Gravity Rush 2 pode não ser uma referência no que toca a gráficos, mas o aspecto cel shading é bastante apelativo. Jirga Para Lhao, o principal mapa do jogo, é inspirado na América Latina e na Ásia, algo totalmente notório na atmosfera vibrante da cidade. De uma forma geral, o detalhe e a paleta de cores de Gravity Rush 2 é consideravelmente maior que a do seu antecessor, sem que isso retire a sua identidade bem característica.

gr12_1483442963Se jogaram o primeiro Gravity Rush, sabem o que podem esperar em termos de jogabilidade. Aqueles que não tiveram a felicidade de experimentar o primeiro título, vão certamente achar a jogabilidade algo estranha. Mas confesso que é esta abordagem ortodoxa que cativa e diverte, seja nas missões de história ou nas dezenas de missões secundárias e outras actividades. O único tipo de missões que não achei particularmente interessante foi as missões que têm elementos básicos de stealth. Estas secções, embora pequenas e não tão desafiantes, falham em tirar partido dos poderes de Kat.

Kat consegue controlar a gravidade. Com um simples pressionar de botão (R1), Kat consegue flutuar e voar, o que torna a navegação pelo mapa bastante divertida. Mas alternativamente, e como o mapa é grande, também podem usar atalhos. Enquanto flutua, voltar a carregar no R1 inicia o voo gravitacional e carregar no X aumenta a velocidade do voo.

Enquanto está no chão, no seu estado normal, carregar no quadrado inicia um simples combo de pontapés. Mas no modo zero gravidade, carregar quadrado inicia um ataque bastante forte chamado Gravity Kick. Uma das principais criticas feitas ao primeiro Gravity Rush foi de que o combate era aborrecido porque a habilidade Gravity Kick era a única coisa útil. Essa utilidade ainda se mantém na sequela, mas a variedade de opções aumentou. Por exemplo, utilizar um campo gravitacional para atirar objectos é agora algo viável, em particular em alturas onde tem de se enfrentar vários inimigos ao mesmo tempo.

gravitythrow_1483442956Para além disso, enquanto está no chão, no seu estado normal, pressionar L2 inicia o Gravity Slide, uma habilidade onde Kat desliza pelo cenário como se estivesse a andar de skate. Existem certas zonas onde esta habilidade deve ser usada, mas também pode ser iniciada no meio do combate ou como uma forma de transição entre o voo e a aterragem.

A juntar a isto, há ainda que contar diferentes estilos de poderes gravitacionais. Há medida que forem progredindo no jogo, Kat vai ganhando novas capacidades, permitindo-lhe aumentar ou reduzir a gravidade. Lunar Style reduz a força da gravidade, como tal, Kat conseguirá saltar mais alto e teleportar-se para os inimigos. Jupiter Style é basicamente o oposto. Neste estilo, a gravidade é mais pesada, como tal, os golpes ganham mais força, mas em contrapartida, os movimentos tornam-se mais lentos.

O combate de Gravity Rush 2 pode não ter o nível de complexidade de outros jogos semelhantes, mas o que é apresentado, é bastante sólido e eficaz, e permite uma variedade decente de combinações. O único problema é a camara de jogo. Em certas alturas, particularmente em zonas mais fechadas ou com muitos objectos, a camara atrapalha um pouco. Os controlos via giroscópio é algo que também não me agradou particularmente, mas felizmente, é opcional e dá para desligar.

O desenvolvimento das capacidades de Kat é feito de forma semelhante ao do primeiro Gravity Rush, ou seja, através do uso de cristais. A principal diferença está no facto de o aumento de HP e SP estar associado à progressão na história e não ao consumo de cristais nestas categorias. Na sequela, os cristais são apenas usados nas capacidades de combate de Kat, e vão desde o aumento de número de desvios, até à capacidade fazer múltiplos ataques seguidos com o Gravity Kick.

treasure1_1483442948Para além do conteúdo esperado, Gravity Rush 2 inclui também uma componente online, através de eventos gerados por outros utilizadores. De uma forma regular, vão aparecer indicações de caças ao tesouro. Caso aceitem o desafio, são transportados para uma zona do mapa, e com a ajuda de uma fotografia de referência, têm de descobrir onde está o tesouro. Isto oferece uma distração divertida das missões tradicionais e reforça a ideia de que Kat faz parte de um mundo que opera de forma independente da sua aventura, coisa apropriada tendo em conta que se trata de um mundo vivo e diversificado.

Gravity Rush 2 é o tipo de jogo em que a diversão facilmente vem ao de cima, a ponto de se querer completar todas as missões disponíveis. A história oferece as respostas aos mistérios do primeiro título e da sequela, e as personagens principais são cativantes e agradáveis. Apesar de alguns percalços com a camara e com algumas secções de stealth, Gravity Rush 2 consegue oferecer muita coisa boa e definitivamente ultrapassa o seu antecessor em qualidade. Gravity Rush 2 é um fantástico jogo e representa um fantástico inicio de 2017 para a PS4.

 

Nota editorial: Foi-nos fornecida uma cópia deste jogo pela editora/distribuidora para efeitos de análise.

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