Análises

Fate/Extella: Umbral Star

Versão testada: PS4

Fate/Extella: The Umbral Star é um jogo de acção do género de um Musou, que foi desenvolvido pela Marvelous e escrito por Kinoko Nasu, co-fundador da Type-Moon e Hikaru Sakurai. A caracterização dos personagens tem a mão de Aruko Wada. 
Umbral Star começou a ser desenvolvido quando terminou o desenvolvimento de Fate/Extra CCC, que apenas terá saído para consola portátil da Sony, a PSP. 
Desta vez, um título da série Fate, será lançado não só para a Playstation Vita, mas também para a  a caseira da Sony, a Playstation 4. Umbral Star já teve um lançamento prévio, como de comum, no Japão, chegando ao Ocidente já no dia 20 de Janeiro.

Umbral Star pode-se dizer que é um spin-off da história original da novela visual, ou seja, é baseado no original, mas com um plot twist e histórias diferentes.
Para terem uma ideia, a serie animada, conta-nos eventos de uma guerra por um cálice sagrado (Holy Grail War), capaz de conceder qualquer desejo e que só aparece ao vencedor da batalha. Antes da batalha, são invocadas pelos seus mestres, entidades heroicas ou seres místicos, como por exemplo, Hércules. Estas entidades, denominadas de servants (servos) têm acima de tudo consciência e a sua própria vontade, respeitando geralmente o seu invocador/mestre, mas podem ser levados a fazer algo contra a sua vontade, através da utilização dos selos de comando, que têm contratados com os seus mestres. Os mestres são por norma humanos magos, geralmente de famílias que já lutam há muito tempo por uma vitória pelo cálice. Obviamente, Fate é uma história repleta de acção, pelo que esperei ansiosamente por um novo videojogo dentro do mundo.

Extella é um titulo single-player que toma lugar após os eventos de Fate/Extra, onde Nero e o seu mestre saíram vitoriosos na guerra, obtendo assim o controlo de Moon Cell, que tem o poder de conceder um desejo. Nero é então “o Rei”, e como prova, receberam o anel Regalia, governando assim sobre os restantes servos. No entanto, somos confrontados por um novo inimigo, que também tem uma Regalia.
Bem, Umbral Star conta-nos na verdade três histórias principais. Todas elas, cruzam-se de certa forma, e são contadas na perspectiva de cada um destes personagens, aumentando substancialmente o numero de horas de jogo para a conclusão.

Em termos de caracterização do “nosso” personagem é bastante limitado, sendo apenas possível escolher o género e o nome. O master neste caso tem um papel praticamente passivo, sendo que quem controlamos são os heróis.
Os heróis estão divididos em 8 classes, contando cada uma com estilos de combate diferentes. As classes são bastante simples de compreender. São elas: Saber, Caster, Lancer, Assassin, Berserker, Archer, Rider e Extra. Os nomes da maior parte são bastante elucidativos, e quem conhece a obra escrita ou visual, sabe os seus atributos. Como os nomes indicam, a Saber é uma classe guerreira que utiliza uma espada, Caster é uma feiticeira e por aí fora.

O combate presente em Umbral Star é simplista e semelhante a tantos outros hack’n’slash ou Musou que conhecem, porém tem uma nuance que considero “deal breaker”, que é a velocidade. É um jogo extremamente rápido, com movimentos muitos fluidos, e é um jogo onde temos o boneco em constante movimento. Existem obviamente combinações de ataques pressionando as teclas normais, provocando diferentes quantidades de dano, bem como surtem diferentes efeitos. Para ajudar na movimentação temos também o dash, que serve para sair de ocasiões de aperto, chegar de forma mais rápida a determinado local ou mesmo aumentar ainda mais a velocidade do jogo.
Notei alguns problemas de câmara ao tentar focar certos inimigos, simplesmente parecia não funcionar como devido, limitando-me praticamente a não usar essa opção.

Conforme derrotamos as hordas de inimigos, existem algumas barras que se vão enchendo que proporcionam ataques especiais. Incluidos no grupo dos especiais, temos o Extella Maneuver, Moon Crux e Noble Phantasm. Um é um ataque feroz não só contra o inimigo que temos focado de momento, mas também aos que nos rodeiam. Outro, após assistir a uma animação digna da serie Sailor Moon, os nossos heróis além de terem roupas/armaduras diferentes, tornam-se mais fortes e com atributos. Por exemplo a Nero Claudius, Saber, ganha uma armadura e ataques baseados em fogo. Por fim, temos o ataque assinatura, Noble Phantasm. Outros servos obviamente, têm atributos, animações e ataques diferentes.

O grande foco da acção de Umbral Star é em mapas do género de arenas ou neste caso, chamam-se sectores. Temos diversos sectores que estão a ser invadidos, outros estamos nós a invadir, e temos, com a ajuda dos nossos heróis, conquista-los para obter as chaves. Cada sector tem um rank que deve ser tido em conta para uma estratégia vencedora, pois aqui, simplesmente cortar tudo e todos, não chega. Para obtermos a Regime Matrix, existem inimigos, também chave a derrotar, para conquistarmos o sector. Os Aggressors, são os defensores do sector, e quando derrotados, a área torna-se conquistada. Pode no entanto ser novamente perdida para os invasores, obtendo eles também, as Regime Matrix. Depois temos também as Plants. Basicamente são fabricantes de Aggressors. Temos também outros heróis (servants), neste caso inimigos, que são bastante fortes e alguns até bastante difíceis de derrotar, que surgem após capturar um determinado número de chaves. O jogador torna-se vencedor ao obter 15 chaves. Pelo mapa fora, e também conforme derrotamos inimigos, surgem power ups, trazendo mais alguma dinâmica ao jogo.
É perfeitamente notável que o foco deste jogo é o combate. É um jogo em que o combate é mais do que um simples button mash, explorando também a componente táctica, sendo mais um ponto a favor do título. O combate em Extella conta assim com uma formula bastante simples, com uma componente táctica interessante, tornando-se neste caso, bastante viciante

O jogo tem diversas características de role play, desde a evolução dos personagens, à ligação (bond) que temos com os nossos servants. Podemos equipar habilidades como atributos nos ataques, mais pontos de defesa ou ataque, bem como temos ao nosso dispor algo do género de “vestimentas” que contém também, várias habilidades. Desde cura, troca entre servant primário e secundário, entre outros.

Fate Extella conta com 60 frames na consola caseira da Sony, tornando a experiência extremamente fluída. A Pro, onde testei o jogo, não teve qualquer problema em processar, mesmo em situações com grande quantidade de efeitos e inimigos. A quantidade de efeitos e bonecos a fazer animações no ecrã, não demonstraram ser nenhum obstáculo, e sendo um Musou, existindo centenas de inimigos no ecrã ao mesmo tempo, seria de esperar um ligeiro arrastamento, mas admito que fiquei surpreendido ao não notar nada, fazendo assim jus à velocidade do jogo. Porém, acredito que conseguiriam trabalhar melhor as texturas para a consola caseira, pois tem poder suficiente para tal, e conseguiriam assim subir mais um degrau, com a ajuda da qualidade de imagem.

A banda sonora é bastante apelativa, enquadrando-se no ambiente de Fate. Obviamente não é nenhum colosso musical, também admito que não estaria à espera disso, mas posso dizer que encaixa perfeitamente no ambiente, suspirando Fate por todos os lados. Sempre que a ouvia lembrava-me de certo modo a animação, o que é um bom sinal.

As personagens são bastante cativantes, contado cada um com uma história diferente. A forma de escrita, a descrição do ambiente e até o humor nos diálogos são cativantes. Diálogos esses que aliados às feições desenhadas dos personagens, levam-nos a imaginar a história quase que animada. Umbral Star, tem para mim, uma narrativa interessante, semelhante como se estivéssemos a ler um romance.
A forma como está escrita elevam o interesse do jogador a querer mais. Não é nenhum Nobel da literatura, mas tem o qb para agarrar o jogador à mesma, alargando a perceção que temos dos sentimentos presentes das personagens no jogo e mesmo dos diálogos dos personagens tornaram Fate em algo mais.
Aliado aos diálogos, diria que as feições animadas, como as falas, deveriam ter sido mais trabalhadas. Os diálogos por vezes já terminam mas a boca dos personagens continua a movimenta-se como se ainda estivesse a falar. É ligeiro, mas destoa um bocado, trazendo a sensação da dobragem mal feita. Para nota, a língua falada é Japonês e a escrita é Inglês.
Também como de comum das series animadas Japonesas, existe aquele cliché amoroso, que neste caso, é entre master e servant, no entanto, também é o que chamo “nem anda, nem desanda”.Outro dos pontos positivos do jogo é a possibilidade de partilhar o save entre consolas da Sony. Caso pretendam joga-la na consola portátil, PS Vita, podem fazê-lo ao efectuar upload do Save para a cloud, e assim continuar a história onde a deixaram.

Umbral Star é cativante não só pelo seu background, carregando obviamente o sucesso das diferentes obras visuais às costas, mas também é um sucesso representativo das suas origens. 
Relativamente à historia, admito que não estava à espera de algo diferente do que conhecemos. Sabia, obviamente, que envolveria batalhar por um objectivo com a ajuda dos nossos servants, porém, e mesmo não tendo uma grande expectativa pela história, pois seria semelhante, ela de certa forma cativou-me. Este título é fiel à saga Fate, mantendo a essência da serie quer do visual novel, quer do anime que muitos de vós conhece. É caso para dizer, finalmente chega um título para a PS4 e ao Ocidente relacionado com a série Fate. É um jogo que tenta abranger um publico alvo maior que os fãs da série, porém, quem desconhece pode considera-lo um pouco repetitivo. Eu admito que é uma série que me cativa, não só pelo seu carácter, mas também pela envolvência com mitologia e fantasia. Analisar este título, foi não só um bom desafio, como também um reviver de emoções.

 

Nota editorial: Foi-nos fornecida uma cópia deste jogo pela editora/distribuidora para efeitos de análise.

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