Análises

Injustice 2

Fighting Manager 2017

Versão testada: PlayStation 4

Sabem o que Batman vs Superman e Suicide Squad têm em comum? São ambos maus filmes da DC Comics. Mas a NetherRealm esforçou-se em Injustice 2 para, pelo menos neste meio de entretenimento, os fãs da DC Comics poderem desfrutar de algo com as personagens que tanto adoram. E na maior parte, diria que o estúdio atingiu o objectivo.

Injustice 2 segue os eventos do primeiro título. O mundo ainda está a recuperar do que Superman e o seu regime fizeram na tentativa “agressiva” de obter paz e acabar com o crime. Com o Superman preso, reina uma ténue paz, mas uma grande ameaça paira sobre a Terra. Este é o mote para o vasto leque de personagens da DC Comics batalhar entre si. É verdade que a NetherRealm poderia não se ter dado ao trabalho de criar uma história tão cinematográfica, mas ainda bem que o fez. O estilo destas personagens foi bem captado, e graças a boa expressões faciais, existe uma enorme quantidade de imersão que os fãs da DC Comics certamente vão apreciar.

Mas no que toca a conteúdo singleplayer, Injustice 2 não se fica por aqui. Outros jogos de luta foram criticados por não incluir muito conteúdo a pensar naqueles jogadores mais casuais e que não têm tanto interesse na parte competitiva. Injustice 2 pode ser criticado por outras coisas, mas não por isto. Em adição ao modo história, existe o Multiverse. No Multiverse, os jogadores têm acesso ao Arcade Mode, onde podem jogar com todas as personagens e ver os finais específicos para cada uma. E ainda têm algo semelhante às Living Towers do Mortal Kombat. Estas Towers vão alternando periodicamente e apresentam diferentes níveis de dificuldade, e dão como recompensa equipamento para as personagens e dinheiro.

Uma opção interessante apresentada, opção essa que provou ser mais viciante do que antecipava, é a possibilidade de ajustar a IA de um lutador e enviá-lo para combater no Multiverse por nós. Ou então, meter os nossos lutadores IA num duelo contra os lutadores IA de outros jogadores. Há qualquer coisa de interessante em “treinar” um lutador, equipá-lo com o equipamento ideal para o estilo de combate, ajustar alguns parâmetros da IA e ver do que é capaz contra os lutadores de outros jogadores. E sim, esses lutadores ganham experiência para a personagem e para o perfil geral de jogador.

Outros modos de jogo singleplayer incluem um modo Survival, um modo onde lutam até perderem o combate, e o modo Endless, um modo onde têm de lutar até 100 vezes, para assim poderem ganhar mais loot. Além disso, podem contar com o tradicional modos Versus e com o Tutorial. No entanto, o Tutorial é básico e pouco vai ajudar na hora de treinar os básicos do combate e os golpes das personagens.

Para os jogadores que gostam de competição, Injustice conta com um ranked mode, onde os bónus do equipamento estão permanentemente desligados para garantir uma partida mais justa entre os jogadores. O desempenho ao longo das partidas é registado, e o matchmaking tenta encontrar outros jogadores de habilidade semelhante. Em adição ao ranked mode, existe também o unranked mode, onde as partidas não contam para o progresso e onde se pode utilizar todos os benefícios do equipamento. Por fim, King of the Hill também está presente. Das partidas que realizei, não tive grandes problemas técnicos e tudo correu relativamente bem.

Um pouco mais atrás, eu falei em loot. Não foi um erro. Injustice 2 tem elementos RPG sob a forma de shaders e peças de equipamento para as personagens. Estas peças, que variam conforme o nível e a raridade, apresentam diferentes estatísticas e bónus. O equipamento é obtido a abrir loot boxes que se ganham ao atingir objectivos no Multiverse e no modo AI Battle Simulator. Além disso, também podem ser adquiridas com dinheiro no jogo que se obtém em cada partida. A implementação de loot vem aumentar a longevidade do conteúdo singleplayer, pois as peças têm importância na hora de criar um lutador controlado pela IA. Mas não tenham receio, no modo competitivo, os valores destas peças não têm efeito.

Em termos de combate, pouca coisa mudou comparativamente ao primeiro título. Injustice 2 apresenta um sistema de três botões – ataque fraco, médio e forte – e um botão extra para activar as habilidades especificas de cada personagem. Os super ataques estão de regresso e, tal como em Gods Among Us, é activado ao clicarem nos gatilhos em simultâneo quando a barra de energia está cheia. De regresso está também a mecânica dos Clashes. Esta mecânica, que apenas pode ser usada uma vez por partida e apenas quando se está na segunda barra de vida, funciona como uma forma de parar o ritmo de ataque do adversário e tentar recuperar um pouco de vida. Por fim, também estão presentes as interacções com alguns objectos dos cenários e a transição entre zonas de combate.

No entanto, e comparativamente a outros jogos de luta, Injustice 2 não é um jogo assim tão fácil de apanhar o jeito. Em Street Fighter, é possível ganhar lutas a fazer apenas combos básicos e ataques tipo Shoryukens e Hadoukens. Guilty Gear apresenta uma opção para jogadores iniciantes, onde o próprio jogo facilita a execução de combos mais longos. Mas o estilo de combate de Injustice 2 é fortemente baseado em combos, e requer bastante tempo até se conseguir ser minimamente decente. Isto não é necessariamente mau, mas é algo a ter em conta para quem apenas está interessado no jogo só porque tem personagens da DC.

Se é verdade que as expressões faciais foram muito melhoradas comparativamente aos anteriores títulos da NetherRealm, as poses e animações de combate nem por isso. E como Injustice 2 é visualmente e artisticamente um excelente jogo, as más animações das personagens saltam logo à vista, e assim que se começa a reparar nestas coisas, é difícil “fechar os olhos” a isto. As poses de combate de Catwoman e Bane são as típicas animações aquáticas, como se estivessem debaixo de água ao sabor das correntes. Batman tem uns estranhos movimentos pélvicos e, tal como Flash, os movimentos dos braços nada têm a ver com o movimento da cintura para baixo. Cyborg parece estar constantemente à espera de apanhar uma bola de râguebi. E Cheetah tem um andar semelhante ao do mítico Alien de Alien Colonial Marines.

Eu já estou a imaginar alguns de vocês a contorcerem-se e a gritarem para o ecrã “isto pouco importa”. Bem, na verdade importa imenso na caracterização das personagens. Deadshot deve transparecer que é um mercenário experiente e não que está a dançar. Cheetah deve transparecer ferocidade e não que está a andar sobre chão a escaldar. Flash deve transparecer que está ansioso e pronto para combater e não que bebeu 5 litros da café enquanto abana os braços de forma dessincronizada com o resto do corpo. A pose de Robin não mostra que ele foi treinado pela League of Assassins. Noutros jogos de luta, a pose e animações de combate são parte importante na caracterização do estilo de combate e personalidade de cada lutador. Em Injustice 2, isto falha redondamente. E a animação de derrota é mais outra coisa que faz as animações parecerem tão trapalhonas. Não faz sentido uma personagem levar o último hit, ressaltar no chão, dar duas cambalhotas, cair, levantar-se e voltar a cair para colocar-se na pose de derrota. É sem dúvida uma estranha decisão.

Injustice 2 é artisticamente um jogo muito bom, estando as personagens muito bem reinterpretadas. Visualmente é sem dúvida um jogo belo, e tanto os lutadores como os cenários apresentam um grande nível de detalhe. As transições de área de combate e os super ataques estão bem realizados e são bastante espalhafatosas, nunca sendo cansativo de ver estas cenas. Em termos sonoros, o voice acting no geral é de grande qualidade, havendo inclusive várias falas diferentes durante os Clashes. A banda sonora não é maravilhosa, e muito menos memorável, mas encaixa bem no tema do jogo. Os efeitos especiais é que poderiam estar melhor, pois parece que os tons graves se sobrepõem em excesso a tudo o resto, dando um efeito artificial aos impactos e explosões.

Estamos perante um jogo de contradições. Por um lado, Injustice 2 brinda-nos com uma enorme quantidade de conteúdo singleplayer, uma história cinemática que coloca dezenas de personagens da DC Comics umas contra as outras e um leque variado de lutadores, juntamente com visuais de topo. Mas por outro lado, as más animações dão um aspecto trapalhão ao combate. Ainda assim, há que elogiar a NetherRealm por ter elevado a fasquia no que toca ao modo história em jogos de luta. E os elementos RPG também são muito bem vindos, pois acrescentam mais objectivos a longo prazo e dão uma sensação de recompensa pelo esforço. Injustice 2 é claramente um jogo com altos valores de produção; só é pena que não tenha sido dada mais atenção às animações.

Nota editorial: Foi-nos fornecida uma cópia deste jogo pela UpLoad Distribution para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 8.5

8.5

Injustice 2 é um jogo com altos valores de produção e que oferece uma grande quantidade de conteúdo, mas falha nas animações das personagens.

2 thoughts on “Injustice 2”

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