Análises

Life is Strange 2 – Episódio 1

Uma longa e poderosa jornada.

Versão testada: PC

Era uma vez…

Certamente que nem todas as histórias começam assim, mas todas as histórias são marcadas por um contexto inicial que marca o seu arranque… era uma vez, uma história de escolhas e consequências…

Life is Strange 2, desenvolvido pela Dontnod Entertainment, não é uma sequela directa do jogo original, o qual foi lançado em 5 episódios durante o ano de 2015 e onde se teve a oportunidade de vivenciar a intensa história que envolveu Max e Chloe, numa abordagem muito frontal em relação a várias temáticas polémicas num contexto marcado pela fase de turbulência no relacionamento entre os adolescentes.

Em Life is Strange 2, que também assenta numa estrutura de 5 episódios, vamos conhecer novos personagens, numa história independente, mas onde é possível sentimo-nos identificados pelo estilo próprio ao nível da jogabilidade, palete de cores e ambiente que marca esta franchise.

Aqui, acompanhamos a história de Sean e Daniel Diaz, dois irmãos de origem mexicana, de 16 e 9 anos respectivamente que, após um acontecimento traumático, são forçados a fugir de sua casa em Seattle para não serem apanhados pela polícia.

Apesar do argumento aparentemente simples, rapidamente se percebe que existem algumas variáveis que nos fazem prender à história, na medida em que, se no caso de Life is Strange 1, os poderes de retrocesso no tempo permitiam a Chloe efectuar decisões diferenciadas , aqui, existe um misterioso poder sobrenatural que marca esta nova história.

Neste 1º Episódio, intitulado “Roads”, acompanhamos a dinâmica entre os 2 irmãos, seja pelo instinto de sobrevivência de Sean que procura proteger Daniel, que na sua inocência de criança não tem noção de tudo o que está envolvido nesta fuga, e o relacionamento destes protagonistas com vários personagens com que se vão cruzando ao longo do caminho e que constroem a história, marcada inevitavelmente pela divisão.

Life is Strange 2, a par do seu antecessor, não se inibe de pegar em temas polémicos e neste caso, na actual América de Trump onde se planeia a construção de muros entre países, a crítica política está presente, face ao que as divisões entre os povos promovem no crescimento do racismo e no julgamento social que emerge da divisão entre as pessoas face ao seu país de origem.

Um dos aspectos que mais aprecio em Life is Strange é a possibilidade de conhecer novas músicas, de estilo independente, e que dão a envolvência e roupagem sonora ideal para criar o ambiente perfeito enquanto jogamos. Tal como no seu antecessor, também aqui temos a possibilidade de podermos parar nalguns momentos, apreciando a paisagem em momentos de contemplação, onde os planos e focos da câmara se distanciam, e onde a música e sonoridade são o complemento ideal para esta fuga da realidade. Ouvir “A Long Road Ahead”, “Into the Woods” ou “We Have to Go” de Jonathan Morali, que fazem parte da banda sonora deste jogo são três dos exemplos que permitem perceber qual a dinâmica musical na qual somos envolvidos ao longo da história. Ao longo das 4 horas que demorei a concluir o 1º episódio, juntei mais umas quantas musicas à minha coleção pessoal de temas imprescindíveis de bandas sonoras de videojogos.

Por outro lado, toda a envolvência sonora dos vários ambientes e efeitos sonoros é de enorme qualidade. Esta qualidade é acompanhada pelo excelente trabalho de vozes dos personagens, que dão a entoação perfeita aos vários e distintos momentos que vamos vivendo ao longo do jogo.

Em termos gráficos, tendo jogado em 4K e sem restrições de fps, é notório o upgrade do motor gráfico do jogo, mantendo uma palete de cores viva e intensa, e onde a jogabilidade e a interacção com os objectos é bastante fluída e imersiva.Comparativamente ao seu antecessor, nota-se uma maior abertura dos espaços de exploração e modo de interacção, algo que considero bastante positivo.

Life is Strange 2 é um jogo intimista e envolvente que aborda uma maneira única de contar uma história de escolhas e consequências… uma história de medos, de superação de obstáculos reais e muros imaginários, numa viagem onde apesar de termos um destino final definido, o que importa é o que se virá a recordar do seu caminho que vamos percorrendo.

 

Sistema utilizado: AMD RYZEN 5 1600X 3.6GHz, NVIDIA GeForce GTX 1080 TI 11GB, 16GB Ram DDR4, SSD 500GB, Windows 10
Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 9

9

Com um foco em novas personagens e numa longa jornada de dois irmãos, Life is Strange 2 apresenta uma história envolvente logo no primeiro episódio.

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