Análises

Rage 2

Colorido, cheio de acção e, por vezes, sem substância.

Versão testada: PC

Rage 2 é um FPS single player de extremos e exageros. Sendo uma sequela directa de Rage, num mundo aberto pós-apocalíptico, destruído por um asteróide que quase dizimou a população humana e onde um grupo denominado “A Autoridade” procura impor o seu domínio militar sobre facções rebeldes e gangues inimigas através do controlo da nanotecnologia, o bem mais precioso existente, vamos encarnar a personagem de Walker, o último Ranger, e sobre o qual recai a derradeira esperança para se voltar ter uma sociedade renascida com lei e ordem.

Este título é um produto publicado pela Bethesda, tendo sido criado pela Avalanche Studios e a ID Software, dois estúdios com uma grande experiência na criação de jogos com uma acção frenética e jogabilidade muito sólida, como por exemplo, Mad Max, Just Cause 3 ou Doom e este jogo, a esse nível, não é excepção.

O jogo tem momentos bastante caóticos, música frenética, com áreas cheias de cores berrantes, explosões constantes e uma parafernália de situações a acontecerem simultaneamente, com vários inimigos mutantes e monstros a atacarem, ao ponto de, em certos momentos, o exagero ser exacerbado em função de um necessário equilíbrio de todos os factores a considerar num plano de jogo. A jogabilidade é sólida, as armas são diversas e os upgrades disponíveis também introduzem várias possibilidades e diversidade nas abordagens dos ataques. Os próprios upgrades das armas possuem upgrades que permitem melhorias aos mesmos. Variedade nas armas, na tipologia dos upgrades e dos vários poderes, efectivamente não falta.

Seja no combate a pé, seja através do uso de um veículo que também permite ataques, a estrutura de mundo aberto permite ir visualizando no mapa os vários pontos de interesse, sendo que, alguns destes apenas são sinalizados quando passamos perto deles. Poderia tal situação ser um bom convite à exploração livre, mas infelizmente, o interesse para tal é efectivamente reduzido, não existido recompensa imediata de upgrade, visual ou de história que promova essas viagens à descoberta. Refira-se também que a manobra do veiculo é algo fraca comparativamente a outros jogos que dominaram esta vertente com mestria, como por exemplo, Mad Max. Apesar de tudo, a necessidade de progressão para melhoramos as armas, implicam obrigatoriamente a exploração do cenário e participação em actividades secundárias de modo a se encontrar dinheiro ou recursos adequados para serem trocados em entrepostos comerciais ou pontos de venda espalhados pelo mapa.

Neste contexto, o mundo aberto tem várias actividades espalhadas ao longo deste, como corridas, arenas com vagas de inimigos, que procuram, artificialmente, introduzir alguma longevidade ao mesmo. Importa referir também que Rage 2 tem um argumento pouco original e previsível quando falamos de cenários catastróficos em que a humanidade foi quase dizimada e onde a salvação da mesma reside apenas nas mãos ou nas armas de um único herói, sendo a a história bastante curta, com uma narrativa pobre e uma fraca dimensionalidade.

O ponto forte deste jogo é sem dúvida a sua vertente de combate e enquanto shooter, não haverá dúvidas em colocar este título num elevado patamar de qualidade. Sem dúvida que, quando não temos que nos forçar a explorar o mundo pouco interessante, ou nos entediamos a ter que procurar recursos para fazer upgrades às armas, assim que entramos em modo de combate, o prazer e satisfação numa jogabilidade diversificada e sólida vem ao de cima.

Em síntese, encontraremos em Rage 2 um equilíbrio harmonioso entre uma vertente de acção frenética de um sólido shooter, uma estrutura de mundo aberto interessante e apelativo ou o distanciamento a uma história cliché? Infelizmente não posso afirmar tal, considerando este um jogo bastante desequilibrado e que não consegue, nas suas várias vertentes, ter um produto final homogéneo e que se destaque de algo mediano, com excepção da enorme qualidade dos momentos em que estamos em combate directo e nos esquecemos que estamos num mundo aberto aborrecido.

Sistema utilizado: AMD RYZEN 5 1600X 3.6GHz, NVIDIA GeForce GTX 1060 6GB, 8GB Ram DDR4, Windows 10
Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 7

7

Rage 2 é um jogo com momentos de acção frenéticos, mas nem sempre com substância. Além disso, a previsibilidade da narrativa também se faz sentir. Onde o jogo brilha, é sem dúvida nos combates.

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