Análises

The Surge 2

Um passeio pelas ruas de Jericho.

Versão testada: PlayStation 4

Lançado em Maio de 2017, The Surge foi uma nova tentativa por parte da Deck13 em capitalizar o sucesso da fórmula Souls, algo que o estúdio tinha falhado uns anos antes com Lords of the Fallen. E de certa forma, a produtora conseguiu atingir esse objectivo. Embora tivesse algumas arestas que precisassem de ser limadas, The Surge foi um action RPG competente, que soube seguir as pisadas do que tornou este tipo de jogos tão popular, ao mesmo tempo que lhe adicionou novas mecânicas para o diferenciar da concorrência. Mas agora chega-nos The Surge 2, uma sequela que visa ser maior e melhor que o seu antecessor.

Os eventos de The Surge 2 decorrem após os eventos do primeiro jogo, mas seguimos as pisadas de uma outra personagem, personagem essa que podemos personalizar a nosso gosto. Após termos sobrevivido a um acidente aéreo, que nos colocou em coma durante uns meses, damos de cara com uma sociedade completamente em pantanas. O nosso caminho é nos indicado por visões ao longo do jogo e o lore é nos fornecido através de conversas com NPCs, audio logs, descrições de itens e com uma ocasional cutscene. Portanto, tudo aquilo que a fórmula Souls nos habituou. Embora a narrativa não seja extraordinária, achei que foi interessante o suficiente para me manter interessado em descobrir mais coisas sobre aquele mundo e, sem dúvida, foi um passo à frente face ao que primeiro The Surge nos ofereceu.

O design intrincado dos níveis foi um ponto positivo do primeiro The Surge, mas a variedade de locais era quase inexistente, pois os eventos decorriam na sua totalidade num complexo industrial. The Surge 2 corrige este aspecto, porque o jogo apresenta diferentes áreas com diferentes estilos e perigos próprios. Tanto podemos explorar as ruas da cidade de Jericho, como logo a seguir podemos ir dar uma vista de olhos ao porto da cidade ou a um parque recreativo, entre outras zonas. Esta maior variedade de locais não afectou a qualidade do design dos níveis, que continuam complexos, com vários segredos bem escondidos e com atalhos que ligam as diferentes secções umas às outras. No que toca ao design dos níveis, The Surge 2 é simplesmente fantástico.

O sistema de combate de The Surge 1 também mereceu elogios, pese embora fosse um pouco rígido e faltasse algum equilíbrio em certos inimigos na segunda metade da campanha. O sistema manteve-se quase igual em The Surge 2, mas agora está mais equilibrado, já que é mais fácil fazer stagger e interromper os ataques dos adversários. Enquanto que no The Surge 1 a dificuldade em fazer stagger significava troca de hits quase constantes com os inimigos, em particular na segunda metade da campanha, em The Surge 2, a maior flexibilidade torna todas as classes de armas mais viáveis, incluindo as mais lentas.

Por falar em classes de armas, a Deck13 atirou o sistema Weapon Proficiency pela janela, e isto melhorou consideravelmente a experiência de jogo. Este sistema, que estava presente no primeiro The Surge, recompensava quem se mantinha fiel a uma classe de armas, já que cada nível ganho de Weapon Proficiency significava um aumento de ataque com armas pertencentes à mesma classe. Contudo, isto fazia com que se perdesse o incentivo à experimentação de outras classes, porque significava ter de começar a evolução desde o início. Como este sistema não está presente em The Surge 2, isto significa que podemos experimentar qualquer arma de qualquer classe e em qualquer altura, sem que sejamos penalizados por tentarmos algo novo. De referir que The Surge 2 aumentou a quantidade de armas e de armaduras, além de que as armaduras têm bónus específicos de sets.

Os Dark Souls e jogos derivados desta fórmula tendem a ser conhecidos pela sua dificuldade acima da média, e o primeiro The Surge viu-se preso nesta armadilha, muito por culpa de um inimigo específico e de um boss final notoriamente complicado, mas The Surge 2 conseguiu melhorar bastante este aspecto. Ao longo das 32 horas que precisei para terminar a campanha, não notei picos anormais de dificuldade e, no total, só morri 32 vezes ao longo da aventura. O jogo não é um passeio pelo parque e nem tal era esperado de um jogo com a fórmula Souls, mas a dificuldade é progressiva e equilibrada. Basta um pouco de atenção ao que nos rodeia e ao posicionamento dos inimigos para tornar a experiência razoavelmente acessível.

Além disso, a maior acessibilidade de The Surge 2 face ao seu antecessor também é o resultado do sistema de combate melhorado e da inexistência do sistema Weapon Proficiency, duas coisas que mencionei antes. Mas não só. O sistema de parry aqui presente também contribui para a experiência de jogo equilibrada. Não é um sistema demasiado restrito, até porque existem implantes que mostram a direcção em que se deve fazer parry e implantes que melhoram temporariamente as stats em caso de um parry perfeito, e é uma opção extremamente útil em lutas de bosses, especialmente contra bosses mais ágeis. Por norma, não costumo dar muito uso a este tipo de sistemas em jogos com a fórmula Souls, mas vi-me a utilizar muitas vezes em The Surge 2.

Ora, eu falei em implantes e esse sistema foi transferido do primeiro jogo para a sequela. Nós temos um limite máximo de core power e cada implante necessita de uma determinada quantidade de core power para ser usado. Sempre que subimos de nível, o nosso core power vai aumentando e vai também abrindo mais slots para encaixar mais implantes. Estes implantes incluem, por exemplo, recuperar stamina ou HP com cada execução, um aumento de ataque causado por diferentes elementos ou aumento de ataque contra determinado tipo de inimigos. Este sistema não apresentava problemas de maior em The Surge 1, como tal, não é surpreendente que não tenha seja muito diferente em The Surge 2.

A progressão e sistema de loot são também muito parecidos com o que vimos no primeiro jogo. Durante os combates, temos a possibilidade de escolher que parte do corpo do adversário atacar e, caso seja feita uma execução, recebe-se uma blueprint para a armadura dessa zona do corpo. Dando um exemplo prático, imaginem que dão de caras com um inimigo que tem uma armadura nova. Se fizerem target à cabeça do inimigo e acabarem o duelo com uma execução, recebem a blueprint para o capacete que ele estava a usar. O mesmo é válido para as armas, pese embora, no caso das armas, não recebemos uma blueprint, mas sim a própria arma. Depois, é repetir o processo para arranjar os materiais necessários para evoluir as armas e cada peça de armadura. Este sistema de progressão e loot é prático e torna o farming relativamente rápido e divertido, coisa rara em jogos do género.

Até agora, The Surge 2 conseguiu ser maior e melhor que o seu antecessor, mas existem dois pontos que merecem crítica. O primeiro está associado às lutas de bosses que estão longe de serem memoráveis. Duas lutas até que são interessantes e diferentes de tudo o resto no jogo, mas tirando estas duas batalhas, o resto não merece destaque. O segundo ponto é referente à optimização. The Surge 1 era um jogo bem optimizado a nível de performance, mas The Surge 2 apresenta algum stuttering e uma quantidade generosa de screen tearing, em particular na área Gideon’s Rock. Este jogo não é nenhum portento gráfico, por isso, é desapontante a presença destes problemas técnicos. Eu joguei na PS4 Pro, mas estas duas questões não estão limitadas a esta plataforma.

The Surge 2 pegou nas fundações criadas pelo seu antecessor e corrigiu praticamente todas as grandes queixas feitas na altura, e o resultado é um um action RPG, que merece a atenção de todos os fãs do género. As lutas de bosses pouco memoráveis e os problemas de performance são dois pontos negativos, é verdade, mas a jogabilidade viciante e o sistema de progressão prático fazem com que a experiência de explorar Jericho seja extremamente divertida. Se estão à procura de um Souls com um estilo futurista, já não precisam de procurar mais. O nome é The Surge 2.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 8

8

The Surge 2 não teve receio em pegar nas fundações criadas pelo seu antecessor e retirar as coisas que não funcionavam, ao mesmo tempo que expandiu o que tinha de bom.

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