Análises

Need for Speed: Heat

Prego a fundo!

Versão testada: PC

Ser fã de Need For Speed não tem sido fácil. Hot Pursuit (2010) e Most Wanted (2012), dois títulos da autoria da Criterion Games, foram dois bons exemplares do que um Need for Speed deve ser: um jogo de corridas arcada, onde o foco está centrado na condução de veículos caros e/ou exóticos em corridas de alto risco. Foi esta a premissa que me atraiu para esta série, desde o velhinho Hot Pursuit (1998), e ambos os jogos da Criterion, que serviram como reboot, encaixavam que nem uma luva nas origens da série. Entretanto, o bastão passou para a Ghost Games que não conseguiu corresponder às expectativas dos fãs. Será que isso mudou com Need for Speed: Heat?

Need for Speed: Heat tem como palco de fundo Palm City, uma cidade fictícia inspirada em Miami. Nós chegamos à cidade com o intuito de participar no Speedhunter Showdown, um evento com corridas legais durante o dia e ilegais durante a noite. Para contra-balançar a coisa, a polícia de Palm City criou um departamento com um único propósito: perseguir impiedosamente todos os pilotos de rua que participarem em corridas ilegais. Existem mais coisas a acontecer nos bastidores, mas a premissa é esta. Como tem sido tradição nas ultimas entradas da série, a narrativa de Heat é medíocre e desnecessária. O pior é que isto também afecta negativamente as corridas, pois as personagens estão constantemente a falar durante a acção e a debitar “one-liners”, acabando por ser uma distracção do que realmente importa: as corridas.

A cidade em si, tem um bom design e proporciona alguns traçados de qualidade, mas no geral, achei-a desprovida de vida. Não se vê uma alma a andar pelas ruas e o número de carros na estrada é reduzido. Curiosamente, pareceu-me ver mais carros durante a noite do que durante o dia. Onde o jogo se torna realmente interessante é na dualidade existente entre corridas diurnas e nocturnas. As corridas durante o dia são legais, como tal, o risco da aparição da polícia não entra em equação, mas durante a noite, que é quando se ganha reputação, é preciso muito cuidado, porque a polícia em Heat é implacável. Conforme vamos ganhado mais corridas, vamos também chamar cada vez mais a atenção da polícia, fazendo com que os agentes da autoridade se tornem progressivamente mais agressivos.

Isto é um conceito interessante, porque oferece um elemento de risco/recompensa. As corridas nocturnas dão reputação e a única forma de garantir que não perdemos nada é escapar à polícia e entrar num abrigo. Como tal, temos de escolher jogar pelo seguro e entrar num abrigo para amealhar a reputação que temos, mesmo que seja pouca, ou arriscar e continuar a fazer corridas nocturnas para aumentar o multiplicador e correr o risco de perdermos uma fatia considerável de reputação. Este sistema oferece uma boa profundidade ao sistema de progressão e acho que tem muito potencial para ser ainda melhor explorado em futuros títulos. Porém, a polícia parece-me excessivamente agressiva, a ponto de por vezes parecer injusta, acabando por trazer alguma frustração à experiência.

Comparado com os mais recentes Need for Speed, a personalização dos veículos em Heat parece ter sido expandida. Está disponível um variado leque de personalização dos bólides, que tanto permite personalizar um carro com um visual mais desportivo como com um visual mais azeiteiro. E claro, também estão disponíveis as melhorias mecânicas, assim como algumas peças auxiliares que ajudarão a lidar com a polícia. Mais o mais importante é que, ao contrário do Payback, existe em Heat um maior incentivo à experimentação, já que o preço das peças é mais acessível. Em poucas horas é possível ter alguns veículos modificados a nosso gosto. Obviamente, a personalização também abrange a pintura, e devo dizer que o editor de pinturas de Heat é muito bom.

A condução dos Need for Speed da Ghost Games nunca chegou às alturas dos títulos desenvolvidos pela Criterion, mas Heat melhorou neste aspecto, especialmente quando comparada com a excessiva rigidez da condução que Payback tinha. Dito isto, ainda não está no ponto. Nota-se um pouco de lag na responsividade do carro e andar de lado nas curvas não é tão satisfatório como em Hot Pursuit (2010). Aliás, a forma como o drifting funciona em Heat parece aproximar-se mais de Ridge Racer do que propriamente Need for Speed. Ainda assim, há que salientar a sensação de velocidade que Heat proporciona, especialmente quando combinada com o aprimorado sistema de iluminação. A certas alturas, parece que vamos à velocidade da luz, tal a forma como todos os efeitos visuais se conjugam. E é mais deste tipo de coisas que a série necessita; mais coisas que foquem aquilo que tornou a série famosa.

Depois de ter ficado decepcionado com os mais recentes títulos, Heat mostra que a série encontra-se finalmente no rumo certo e é um bom e divertido jogo de corridas arcada. Quando vamos a toda a velocidade pelas ruas de Palm City no nosso carro alterado a gosto, a ver as chamas a saírem do escape e com o rugido do motor a acompanhar, Heat chega perto de entregar uma experiência Need for Speed próxima dos Underground, coisa que certamente vai agradar aos fãs da série de filmes Fast & Furious. Porém, Heat ainda está longe dos tempos áureos da franquia Need for Speed. Isso só irá mudar se a Ghost Games deixar o peso morto para trás e começar a forcar-se exclusivamente na emoção das corridas.

Sistema utilizado: Intel i7 6700k 4GHz, MSI Strix RX 480 8GB, 16GB RAM DDR4 2400MHz, SSD OCZ 250 GB
Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 7.5

7.5

Need for Speed: Heat é um jogo de corridas arcada sólido e divertido, sendo talvez o melhor jogo da série Need for Speed saído da Ghost Games. Porém, não consegue igualar a qualidade de alguns títulos mais antigos desta franquia.

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