Análises

Predator: Hunting Grounds

Que comece a caçada!

Que comece a caçada!

Versão testada: PlayStation 4 Pro

Predator é um dos melhores filmes dos anos 80 e um que criou uma das criaturas mais icónicas de Hollywood, a ponto de ainda hoje ser facilmente reconhecivel, mesmo após alguns filmes mediocres. Pode ser que um dia alguém consiga captar novamente a essência do que tornou o primeiro filme tão bom. A coisa também não tem andado particularmente bem no que toca a videojogos baseados nesta propriedade intelectual, mas isso não impede que se continue a tentar. A mais recente tentativa é Predator: Hunting Grounds da autoria do estúdio Illfonic, mesma companhia que nos trouxe Friday the 13th: The Game.

Predator: Hunting Grounds é um jogo multijogador assimétrico, que coloca quatro jogadores no papel de soldados contra um jogador no papel de Predator. Este grupo de soldados tem de completar várias missões na selva, como extrair informação confidencial ou defender uma determinada zona. Estes objectivos, tal como os inimigos controlados pela IA, são bastante básicos, mas oferecem alguma distracção, permitindo ao Predator aproximar-se e fazer as suas investidas. Escusado será dizer, o objectivo dos soldados é completar os diferentes objectivos no mapa e chegar ao local de extracção, enquanto que o objectivo do Predator é evitar que isso aconteça.

Jogar como um dos militares é simples e funciona como o tradicional FPS. Por outro lado, jogar como Predator é bastante diferente e requer mais tempo aprendizagem. Felizmente existe um tutorial que ensina os básicos, como a utilização dos diferentes controlos e habilidades, como o uso da camuflagem ou da visão térmica. E este é um dos aspectos positivos do jogo. A forma como o Predator se mexe, salta entre ramos das árvores e os diferentes filtros visuais faz mesmo lembrar o primeiro filme. Além disso, quando um soldado controlado pelo jogador fica sem vida, o Predator tem de confirmar a morte, de forma a conquistar o seu “troféu”. Se viram um dos filmes, devem ter uma ideia a que me refiro.

Um outro aspecto positivo é a forma como este modo multijogador 4 vs 1, em ambientes de selva, capta bem o estilo do primeiro filme Predator; um grupo de soldados em missão que se vê a ser caçado por uma misteriosa criatura. E isso aconteceu por algumas vezes em partidas, em que se ouve ramos a mexer ou os típicos som do Predator, mas não se consegue descobrir exactamente de onde vêm, até que de repente, se vêm disparos de energia com origem numa silhueta pouco definida numa árvore. É quando estes pequenos elementos se conjugam que o jogo brilha. E existem outros pormenores retirados do primeiro filme, como é o caso de podemos sujar o nosso uniforme com lama para esconder a nossa presença do Predator.

Como é expectável, Predator: Hunting Grounds tem um sistema de progressão. Ao realizarmos partidas, ganharmos Field Lockers que podemos usar para comprar Field Locker. Estas loot boxes, que não podem ser compradas com dinheiro real, incluem vários itens cosméticos para as armas e personagens. Tudo o que é importante a nível de jogabilidade. Quanto mais jogarem, mais sobem de nível, e com isso, desbloqueiam novas classes para os soldados e Predator, armas e equipamento. Felizmente, o ritmo a que se desbloqueiam coisas novas é bom, o que incentiva a que se continue a jogar. Além disso, o jogo permite que possamos fazer os nossos próprios loadouts personalizados. Uma coisa muito importante que é preciso salientar é o facto de o jogo ter cross-play, significando que os jogadores das versões PC e PS4 podem jogar juntos. Caso não queiram, esta opção pode ser desligada.

Mas as coisas positivas terminam aqui. Infelizmente o jogo tem alguns problemas fundamentais. Os objectivos dos soldados são simples e pouco diversificados, além de que os inimigos controlados pela IA não primam pela inteligência. Estão lá para causar alguma distracção e não pelo desafio. Depois, está o facto de não ser nada fácil jogar como Predator. Além de ser preciso um processo de aprendizagem mais longo, Predator não é tão forte quando poderia e deveria ser. A habilidade do jogador que controla o Predator que enfrentamos tem um enorme impacto na tensão (ou falta dela) das partidas. Como se não bastasse, o jogo só tem três mapas e a quantidade de itens cosméticos não é assim tanta.

No que toca ao departamento gráfico, nota-se o menor orçamento deste projecto. O jogo não é propriamente um marco visual, e a nível de fluidez, também não me pareceu tão fluído, falhando por vezes chegar aos 30 FPS alvo em consola. Também tive acesso à versão PC e, obviamente, a situação melhora a nível de fluidez nesta plataforma, mas mesmo assim, a qualidade de imagem não é de todo a melhor.

Predator: Hunting Grounds é um jogo multijogador assimétrico divertido, que por vezes consegue captar o espírito do filme Predator naqueles momentos em que entramos numa troca de tiros com os inimigos da IA, ao mesmo tempo que ouvimos sons do Predator, sem saber de onde vêm. Porém, o jogo tem alguns problemas técnicos, os objectivos durante as partidas são básicos e a IA não é a melhor. Mas apesar disto tudo, a pior falha deste título é ser muito leve em conteúdo. Resta esperar que a Illfonic faça com Predator: Hunting Grounds o mesmo que fez com Friday the 13th: The Game, e adicione novo conteúdo e melhore alguns dos aspectos técnicos ao longo do tempo.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 6.5

6.5

O formato 4 vs 1 encaixa muito bem num jogo baseado no Predator, mas os vários problemas e o pouco conteúdo fazem-se notar.

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