Análises

Dragon Ball FighterZ (2020)

It's Over 9000!

Versão testada: PlayStation 4 Pro

“Quem diria que aliar um dos animes mais populares de sempre a uma das melhores produtoras de jogos de luta da industria, era uma boa ideia.” Foi isto que disse no início da minha review a Dragon Ball FighterZ aquando do seu lançamento no início de 2018. Dois anos depois, o meu sentimento para com este jogo pouco mudou, mas o jogo em si, foi mudando ao longo do tempo, em particular com o início da temporada 3 em Fevereiro deste ano. Dragon Ball FighterZ nunca deixou o disco rígido da minha consola, e agora, parece-me uma boa altura para voltar a analisar este título, uma vez que o jogo recebe agora mais uma personagem adicional.

No passado, os jogos de luta recebiam habitualmente novo conteúdo através do lançamento de novas versões, o que tinha a consequência de segregar a comunidade. Mas nesta geração, começou a adoptar-se a tendência de temporada, permitindo que o jogo recebesse novo conteúdo períodicamente sem que a comunidade fosse dividida no processo. Street Fighter V foi um bom exemplo disso, assim como Tekken 7. Mas estamos aqui é para falar de Dragon Ball FighterZ e este jogo encontra-se agora na terceira temporada de conteúdos adicionais.

Falando especificamente de personagens, o leque base do jogo era de 24 lutadores. Não era um número fantástico, mas era suficientemente bom para o jogo em questão no contexto de lançamento. É verdade que existia muita repetição de personagens em lutas mais competitivas, mas isso era mais por uma questão de balancing e não tanto pela quantidade de lutadores. Desde então, foram adicionadas mais 16 personagens, incluindo alguns nomes muito pedidos pelos fãs como Cooler, Vegito, Broly, Videl, Kefla e, mais recentemente, Goku (Ultra Instinct). Mesmo com duas temporadas de personagens adicionais, existia alguma repetitividade na composição das equipas, muito devido à necessidade da inclusão de certas personagens devido às suas assists. Mas esta terceira temporada, que começou com a adição de Kefla ao elenco, mudou as coisas.

No que toca à adição de personagens adicionais, é importante que sejam únicas e que ofereçam algo de novo. E isso tem sido conseguido com sucesso. Bardock talvez seja uma das personagens mais tradicionais e completas adicionadas até agora, o que explica a sua popularidade desde que ficou disponível. Mas se olharmos para outros lutadores, como Janemba ou o Broly (DBS), reparamos que apresentam combo routes diferentes do habitual. Por sua vez, Jiren e Goku (Ultra Instinct) apresentam alterações das mecânicas universais que mais nenhuma outra personagem tem, como é o caso de o Ki Blast ser forte o suficiente para conseguir parar os Dragon Rush. No geral, e embora gostasse de ver mais algumas personagens de Dragon Ball GT, parece-me impossível não ficar satisfeito com os lutadores adicionados até agora, não só em variedade, como na qualidade da representação dos mesmos.

Uma das principais novidades da temporada 3 foi a adição de novas assists. Agora, cada personagem tem três assists diferentes, permitindo assim uma maior variedade na composição das equipas. Isto é uma coisa que os fãs pediam há muito e que finalmente foi implementado. Praticamente todas as personagens têm agora uma assist com projéctil, o que é sempre muito útil para estender os combos, e algumas receberam assists com características únicas como, por exemplo, o Goku (Base) que tem uma assist que aumenta a barra de energia e recarga a Spirit Bomb. Por sua vez, Captain Ginyu, Broly (DBS) e Beerus receberam assists que os tornam bastante mais úteis na hora de os utilizar para estender combos.

Para além disto, foi adicionada uma mecânica de comeback, semelhante ao X-Factor de Ultimate Marvel vs Capcom 3. Esta mecânica, intitulada Limit Breaking Power, faz com que a última personagem viva da equipa ganhe um aumento de ataque, dando assim mais um factor estratégico aos combates. Outras novidades incluem o Ki Charge conseguir agora deflectir Ki Blasts, e a possibilidade de adiar a entrada de uma nova personagem no combate.

A nível de modos de jogo, Dragon Ball FighterZ também foi recebendo coisas novas ao longo dos anos. O jogo conta com um novo modo de treino, chamado Dojo, melhorando consideravelmente este aspecto face ao que estava disponível no lançamento. O Dojo oferece um tutorial extensivo, onde diferentes personagens oferecem informação sobre as diversas mecânicas. Por exemplo, o Piccolo ensina tudo sobre como defender, o Krillin ensina o timing das assists nos combos, e o Frieza ensina sobre a interacção com os Ki Blasts. Por sua vez, a Caulifla mostra as novidades adicionadas na temporada 3. É estranho que um modo como este não estivesse disponível no lançamento do jogo em 2018, uma vez que Guilty Gear Xrd Revelator, lançado em 2016, tem um dos melhores e mais completos modos de treino que alguma vez vi num jogo de luta, mas mais vale tarde que nunca.

Em adição ao Dojo, existe também um novo modo chamado Tournament of Power, que é uma competição single-player contra o CPU em formato de torneio, com diferentes níveis de dificuldade. Esta é uma excelente adição à componente offline do jogo, porque é uma experiência divertida tipicamente arcade, mas sem apresentar o aumento de dano progressivo e a leitura dos nossos inputs que acontece no normal Arcade Mode. Ainda falando na componente offline, o jogo recebeu uma actualização que adicionou a opção de fazer combates 1v1 e 2v2. Por sua vez, a vertente online também recebeu algumas novidades, como o Party Battle, um modo onde 3 jogadores se unem para defrontar um adversário poderoso controlado pelo CPU.

O início da temporada 3 também coincidiu com o lançamento de uma enorme actualização de balanceamento. Esta actualização foi tão grande e teve tanto impacto que algumas personagens que raramente eram usadas por serem tão más, passaram agora a ser uma hipótese viável. Captain Ginyu é agora uma personagem decente, assim como o Majin Buu e o Krillin. Por sua vez, Frieza, Vegeta (Base) e Broly são agora considerados top tier. Ainda existem alguns lutadores com uma performance abaixo do desejado nesta temporada, como Jiren, Videl e Nappa, mas no geral, a temporada 3 trouxe um maior equilíbrio a todo o elenco.

Com tantas coisas positivas, certamente que terá de haver algo de negativo, correcto? Sim. O suporte a Dragon Ball FighterZ tem sido muito bom, não só a nível de personagens adicionais, como também através de conteúdo gratuito. Porém, a falta de novos cenários é um crime. O jogo no lançamento tinha 13 cenários, e após mais de dois anos, eis que só foi adicionado um. Nem sequer existe um cenário baseado no Tournament of Power do Dragon Ball Super. É verdade que os cenários neste jogo não têm impacto propriamente dito nas lutas, mas adiciona variedade às sessões de jogo, e com tanto material bom para usar, é uma pena que isto tenha ficado esquecido. Adoraria ver cenários baseados no Castle of God, Hyperbolic Time Chamber e Hell. Se comparar-mos com outros jogos de luta, como Street Fighter V (34 cenários incluindo DLC) e Mortal Kombat 11 (21 cenários base), vemos que Dragon Ball FighterZ fica aquém neste aspecto.

Parece-me justo dizer que Dragon Ball Xenoverse 2 tem mais fanservice devido à enorme quantidade de personagens das diferentes séries de anime e que Dragon Ball Z: Kakarot oferece uma maior nostalgia porque recria fielmente os eventos de Dragon Ball Z. Porém, Dragon Ball FighterZ é aquele que melhor recria as batalhas frenéticas e destrutivas do anime, não só pelo aspecto gráfico que imita exemplarmente a série, como também pela atenção ao detalhe incutido na recriação das diferentes personagens. Dragon Ball FighterZ já era um bom jogo de luta, mas com mais de dois anos de suporte em cima, o que já era bom, ficou ainda melhor. Este é sem dúvida um dos melhores jogos de luta da geração.

Nota editorial: Cópia fornecida pela Bandai Namco para efeitos de análise. O teste a este jogo também foi feito com o arcade stick Razer Panthera.

Veredito

Nota Final - 9.5

9.5

O bom suporte prestado pela Arc System Works a Dragon Ball FighterZ ao longo dos últimos dois anos fez com que este jogo tivesse resistido ao teste mais difícil de todos: o teste do tempo.

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Ricardo Silvestre

É o editor da ZWAME Jogos e faz um pouco de tudo no site. Gosta em particular de jogos de corrida, jogos de luta e RPG's, mas também não diz que não a um bom jogo com loot.
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