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Naughty Dog condena qualquer tipo de assédio contra a sua equipa e elenco

Neil Druckmann, vice-presidente da Naughty Dog e director da franquia The Last of Us, disse em várias ocasiões ao longo dos últimos anos que a história de The Last of Us Part II era sobre ódio, sobre como as personagens lidam com esse sentimento e ultrapassam-no. Porém, esse tema transpirou para fora do jogo, levando a que membros da equipa de produção, em particular o próprio Duckmann, fossem alvo de ameaças e de mensagens transfóbicas e homofóbicas.

Os actores também não escaparam de receber esse tipo de mensagens. Laura Bailey, que desempenha o papel de Abby em The Last of Us Part II, colocou na sua página no Twitter alguns exemplos de mensagens que tem recebido, incluindo ameaças de morte. Druckmann, que tem sido alvo deste tipo ódio há vários meses, não se acanhou em defender a actriz.

No seu Twitter, a Naughty Dog colocou uma mensagem a condenar este tipo de comportamento. “Embora a discussão crítica seja bem-vinda, condenamos qualquer forma de assédio ou ameaça direccionada à nossa equipa e elenco”, pode ler-se na mensagem. “A segurança deles é nossa principal prioridade, mas todos devemos trabalhar juntos para erradicar esse tipo de comportamento e manter um discurso construtivo e compassivo.” Herman Hulst, chefe da PlayStation Worldwide Studios, também não ficou em silêncio. E Jeffrey Pierce, que desempenha o papel de Tommy em ambos os The Last of Us, também não.

Embora The Last of Us Part II já seja um sucesso crítico e comercial, a discussão à volta deste jogo tem sido extremamente tóxica. Tudo começou em Junho de 2018, quando a Naughty Dog revelou um novo vídeo deste projecto na E3 2018, em que mostrou duas mulheres a beijarem-se. A orientação sexual da Ellie não era propriamente novidade, pelo menos para quem jogou o Left Behind, mas agora era impossível esconder e era algo que fazia parte da própria personagem de uma forma mais central.

Mas em Abril deste ano foi quando as coisas realmente pioraram. Parte da história do jogo veio parar à internet quase dois meses antes de chegar às lojas. Esta fuga de informação revelou alguns dos eventos que acontecem em The Last of Us Part II, mas também deixou muitas coisas em aberto, o que levou a que as teorias mais rebuscadas (vindas da extrema-direita e de incels) nascessem e proliferassem por essa internet fora. Tanto assim é que ainda hoje, alguma da informação falsa é passada como sendo verdadeira.

Numa entrevista ao canal Kinda Funny do Youtube, Druckmann disse que o dia em que houve a fuga de informação de The Last of Us Part II foi um dos piores dias da sua vida. “Umas horas depois, a fuga de informação está em todo o lado, e começas a receber mensagens de ódio em todas as redes sociais em que estás, e pouco depois transformam-se em ameaças de morte, mensagens anti-semitas, e outras maluquices que nunca tinha antecipado”.

Este tipo de comportamento não é exclusivo de videojogos. Star Wars: The Last Jedi e Captain Marvel foram alvo de coisas semelhantes vindos do mesmo grupo de “fãs”, e olhando mais para o passado, Ahmed Best, o actor que deu voz a Jar Jar Binks na saga Star Wars, esteve à beira de cometer suicídio tal o ataque que sofreu pelos “fãs” de Star Wars.

De qualquer das formas, é uma pena que exista quem não consiga separar a realidade da ficção, ou que se sinta de tal forma ameaçado fisicamente ou intelectualmente por personagens de um jogo, filme ou série, a ponto de acharem que ameaças de morte e qualquer tipo de assédio são justificados. Quem pensa assim, realmente precisa de reavaliar a sua vida.

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Ricardo Silvestre

É o editor da ZWAME Jogos e faz um pouco de tudo no site. Gosta em particular de jogos de corrida, jogos de luta e RPG's, mas também não diz que não a um bom jogo com loot.
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