Nioh

9 Overall Score

Sistema de combate rápido e complexo | Muito conteúdo para explorar | Sistema de loot profundo | Direcção artística muito bem conseguida

Algumas lutas de boss pouco memoráveis | Animações algo rígidas de William

Game Info

GAME NAME: Nioh

DEVELOPER(S): Team Ninja

PUBLISHER(S): Koei Tecmo

PLATFORM(S): PS4

GENRE(S): Action RPG

RELEASE DATE(S): 08/02/2017

Versão testada: PS4 Pro

O inicio de 2017 tem sido fantástico para os fãs de jogos japoneses, não só pela quantidade, mas também pela qualidade dos títulos lançados. E agora, vão ter mais mais um: Nioh, o mais recente trabalho da Team Ninja. Com o lançamento de Nioh, fecha-se assim o leque de títulos há muito em produção. Nioh, tal como Final Fantasy XV e The Last Guardian, foi anunciado à mais de 10 anos, e desde então, sofreu imensas alterações até chegar ao produto que temos hoje.

Nioh é um action RPG sombrio, impiedoso e difícil, que combina a experiência da Team Ninja em hack-and-slash com um combate metódico inspirado em Dark Souls, e um sistema de loot com semelhanças a Diablo. Misturar estes elementos tão diferentes da melhor forma não é tarefa fácil, mas a Team Ninja fez um excelente trabalho em pegar nessas inspirações e criar algo diferente e coeso.

A história de Nioh decorre no Período Sengoku e segue William Adams, um marinheiro que viaja ao Japão para enfrentar hordas de seres demoníacos chamados Yokai. Enquanto os clãs Tokugawa e Ishida lutam pelo controlo, um estranho e misterioso individuo chamado Edward Kelley manipula os acontecimentos a seu favor. Nioh vai buscar bastante inspiração à história Europeia e Japonesa, incluindo a presença de pessoas históricas reais, e adiciona uma grande quantidade de Folclore Japonês para criar um ambiente fantástico.

Houve bastante cuidado colocado na apresentação, pois o uso de voice acting Japonês misturado com Inglês acrescentam uma dinâmica cultural autêntica. A história não é maravilhosamente contada, até porque este nunca foi um dos pontos fortes da Team Ninja, mas a presença de personagens cativantes e sequências dramáticas mantém o interesse em alto na narrativa e nos eventos gerais.

Mas o destaque de Nioh é mesmo o combate. À primeira vista, Nioh parece um hack-and-slash devido ao ritmo de combate, mas um olhar mais atento revela inspiração na metodologia do combate dos Souls. É de extrema importância saber gerir a stamina, aqui chamada de Ki, e consequentemente, saber quando atacar, defender ou bater em retirada para repensar a estratégia.  Aliás, comparado com outros jogos do género, a gestão de Ki em Nioh é ainda mais importante, porque se William ficar sem Ki, o próximo ataque que sofrer pode deixá-lo completamente à mercê. E acreditem, não querem que isso aconteça.

Os inimigos também se regem por regras similares, e se a barra de Ki ficar vazia, ficam vulneráveis temporariamente aos nossos ataques. Diferentes tipos de adversários significam diferentes formas de os derrotar. Por exemplo, inimigos humanos são relativamente frágeis, como tal, basta simplesmente “atacar” o HP. Mas os Yokai, como têm uma enorme quantidade de HP, torna-se mais fácil “atacar” o Ki deles, tornando-os menos resistentes aos nossos ataques.

Sendo o Ki um aspecto tão preponderante no combate, existe uma mecânica chamada Ki Pulse, que ajuda a recuperar parte do Ki gasto no ataque, bastando para isso carregar no R1 no timing certo. Este sistema, quando masterizado, permite manter uma combinação de ataques por mais tempo, dando ainda a possibilidade de alternar a arma usada.

Outra camada do sistema de combate está associada às Stances, posições de ataque cada uma com os seus benefícios específicos. High Stance é focada em ataques fortes, mas consome mais Ki e reduz a mobilidade. Low Stance é focada em ataques rápidos, pouco consumo de Ki e em manobras evasivas, mas os ataques não fazem muito dano. Mid Stance é um misto das duas anteriores poses. É boa para defender e relativamente fácil de usar, tem um ataque decente, mas nota-se alguma falta de mobilidade, principalmente quando se quer ir rapidamente para as costas dos inimigos.

A demo Last Chance deixou-me preocupado em relação ao balancing, pois o nível recomendado nada tinha a ver com a dificuldade das missões. O jogo final tem alguns picos de dificuldade e os inimigos são capazes de ter um tracking excessivo em alguns ataques, mas no geral, a dificuldade está decentemente equilibrada. O sistema de combate é rápido, fluído, dinâmico e complexo, e é aqui que realmente está a verdadeira dificuldade de Nioh; existe tanto para compreender e masterizar, que por vezes se torna esmagador.

As missões são escolhidas através de um mapa, e levam o jogador a vários locais. Estas áreas não são tão expansivas como as vistas em Bloodborne ou na série Souls, mas têm um design intrincado, fazendo uso de caminhos secundários e atalhos. A variedade de ambientes também é boa, e incluem aldeias piscatórias, grutas e templos, entre outros, e apresentam da melhor forma a tal inspiração no Folclore Japonês. As situações e desafios propostos em cada uma das áreas certamente vai testar as vossas habilidades.

Por falar em testar habilidades, vão ter de enfrentar muitos bosses até chegar ao fim da campanha, e acreditem, alguns são bem complicados. Inclusive, alguns até têm diferentes fases, onde variam de ataques. No final, quando os derrotarem, vão sentir uma enorme sensação de satisfação. No entanto, alguns bosses são pouco memoráveis e não têm a criatividade esperada deste tipo de jogos (estou a olhar para ti, Great Centipede). Durante o tradicional processo de aprendizagem, vão morrer muitas vezes, mas alegrem-se pois os tempos de loading são curtos, aliviando assim algumas das frustrações associadas à tentativa e erro.

Conteúdo. Muito conteúdo. Tendo demorado quase 50 horas a terminar o jogo e deixado algumas missões secundárias por fazer, Nioh oferece muito para explorar. As missões principais são variadas em ambientes e situações. Já as missões secundárias são um tanto ou quanto repetitivas, pois reciclam parte das áreas das missões principais. E a variedade de inimigos não é assim tanta, o que contribui ainda mais para essa repetitividade. Para além disso, existem também as Twilight Mission. Estas missões são basicamente as missões de história, mas mais difíceis e com uma disposição de inimigos diferente, mas que dão maiores recompensas sob a forma de loot.

O sistema de loot tem alguma inspiração em Diablo. As armas e peças de equipamento podem variar conforme o nível, raridade, e estatísticas especiais. Inclusive, existe equipamento que faz parte de conjuntos que oferecem bónus extra conforme a quantidade de peças do set que estão a ser usadas nesse momento. Para além disso, é possível transferir alguns estatísticas especiais entre armas ou equipamento, usar armas para aumentar o nível de outras, e até há a opção de mudar o aspecto do equipamento. De facto, o sistema de loot é bastante completo, equilibrado e funcional, algo que me surpreendeu pela positiva.

Se mesmo após muitas tentativas continuarem a ter dificuldades em passar uma parte da missão ou um boss, podem evocar um outro jogador para vos ajudar através qualquer shrine. Aqueles que quiserem ajudar, podem procurar pedidos directamente no menu do mapa. Uma vez juntos, os jogadores podem explorar a missão na totalidade e receber amrita, aquilo que permite subir o nível da personagem, e bastante loot.

Em adição ao modo cooperativo, existe também um modo assíncrono chamado Clan Battles. Após uma determinada altura na campanha, vão ter um conjunto de facções à vossa escolha, tendo cada uma com seus bónus únicos. Há medida que forem fazendo determinadas acções, como por exemplo matar Revenants, vão arrecadando pontos que depois podem ser gastos em novos gestos ou skins.

A Team Ninja também se esforçou na parte técnica, oferecendo aos utilizadores da PS4 standard e da PS4 Pro diferentes opções gráficas e de performance. Podem dar prioridade à resolução ou à framerate, mas tendo em conta a rapidez de combate, jogar em 60fps é de longe a melhor opção. Graficamente, o jogo é um pouco inconsistente, com alguns objectos nos cenários pouco detalhados e animações algo rígidas da personagem. Mas no geral, Nioh está longe de ser um jogo feio, e apresenta uma artwork e atmosfera brilhante.

O interesse inicial em Nioh pode ter começado pelas semelhanças com outros jogos, mas agora, merece ser relembrado apenas por aquilo que é; um excelente action RPG que se destaca positivamente das suas inspirações. Com um sistema de combate rápido e profundo, uma boa direcção artística e uma grande quantidade de conteúdo, Nioh é um pacote extremamente completo que irá satisfazer os fãs deste género de jogos. Nioh não só é o regresso à boa forma da Team Ninja, como é um dos seus melhores títulos até à data.

Nota editorial: Foi-nos fornecida uma cópia deste jogo pela editora/distribuidora para efeitos de análise.

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