Urban Empire

6.5 Overall Score

Grafismo suave | Destaca-se de títulos semelhantes pelo foco na politica

Redundante | Alguns problemas técnicos a nível de politica

Game Info

GAME NAME: Urban Empire

DEVELOPER(S): Reborn Games

PUBLISHER(S): Kalypso Media

PLATFORM(S): PC

GENRE(S): Simulação, Estratégia

RELEASE DATE(S): 20/01/2016

Versão testada: PC

Kalypso media conta com um grande conjunto de títulos de renome no seu reportório. Títulos como Tropico, um título de certa forma semelhante ao Urban Empire, que é o título que vamos analisar e do qual tínhamos até algumas espectativas, face ao que conhecemos desta companhia.
Por poucas palavras, Urban Empire não é um City Builder. Também não é um RTS de acção. Categoriza-se num pódio só seu como um City Ruler. Um governador de cidade. E o que quero dizer com isto? Comparativamente falando, Urban Empire não é um jogo à semelhante a um Sim City, onde construímos as estradas, as casas, as lojas, os parques, onde temos controle até ao mais ínfimo detalhe não só da estrutura, mas também do desenho da cidade. Não é um jogo que eu consiga colocar na prateleira dos comuns RTS (estratégia em tempo real). É um título que tenta ser diferente, contando com diversas características que o colocam numa categoria própria, focando-se no campo da política.

Começamos por escolher um personagem ou entidade que tem diferentes características. Mais ou menos elitista, mais ou menos conservador, e por aí em diante. Obviamente, a escolha política terá impacto quando formos ao parlamento para qualquer tipo de votação.
Retrocedendo um pouco, visto não ser um City Builder, o nosso controlo a nível de design da cidade é bastante limitado em comparação com outros jogos. A criação dos concelhos/cidades é feita à base de selecção da área, proporcionando a escolha de rácio entre áreas, como por exemplo, industrial, comercio ou residencial. Devo reforçar que como somos um governo, deverá ir a votos para que seja aceite ou não a sua construção. E isto significa que, à semelhança da escolha inicial, o jogo tem diferentes partidos com diferentes características. Tentando espelhar a realidade, simula partidos mais de esquerda, centrais, direita, etc. Portanto, no parlamento estão presentes os diferentes partidos, aos quais temos que apelar para conquistarmos os seus votos. Não decidimos sozinhos.

Em linha com o ónus do jogo, a nossa intervenção é na sua grande maioria política. Qualquer implementação num distrito ou alteração de política, tem de passar pelo parlamento. Além disso, por vezes somos confrontados com questões políticas, humanitárias e sociais, que temos que responder. Obviamente dependendo da resposta, despoletam também diferentes reacções partidárias e civis.

No sentido de dar as luzes para compreender melhor o jogo, voltamos novamente um pouco ao inicio, quando escolhemos o “personagem”. Como referi, os nossos “traits” (atributos) vão de encontro a certos grupos partidários do que outros, porém em algumas situações dentro do clima parlamentar considero ser  de extremos. Se somos demasiado cordiais e pouco exigentes não nos levam a sério. Se somos exigentes, somos temíveis, mas perdemos também confiança. É como se costuma dizer, um 8 ou 80. É uma mecânica de extremos e até certo modo totalmente aleatório. O meio termo seria o mais indicado, e ainda relativamente à votação, em certas questões, mesmo dispondo de todos os recursos e condições para um avanço ou nova implementação, as votações não são aceites, levando assim o jogador a sentir que está a jogar contra uma parede, perdendo assim alguma motivação.
Neste caso, e infelizmente, falha de certa forma em relação às mecânicas pois não considerei que existisse uma discussão politica ou neste caso votação coerente. Os cofres podem estar a abarrotar de dinheiro, que certos partidos continuam a não aceitar inovações ou construções. Os debates políticos para as votações são limitados, nomeadamente a nível da argumentação, sendo separados por diferentes escalões. Por exemplo, dispomos de diferentes tipos de formas para tentar obter mais votos. Desde alegar que é o que queremos ou alegar que é bom para a cidade, ao ameaçar os colegas políticos dizendo que vão ficar sem nada. Bom, como disse acima, todas elas têm os seus prós e contras, e por vezes levando-me a crer que em certa altura, as influencias talvez não estejam a funcionar como de esperado.

Mas este tipo de discussões, mesmo que em algumas situações considere sem nexo, pode agradar a quem goste de gestão de bastidor, nomeadamente este grande foco em política e debate. É uma batalha constante agradar a gregos e a troianos que tornam o jogo interessante, mas talvez apenas para quem realmente goste de política. No entanto, a incoerência pode manchar a mecânica do jogo, ficando assim aquém das expectativas.  A forma de evolução política cai na redundância, tornando-se repetitiva, mesmo existindo diversos enredos e reacções.
Urban Empire é assim um jogo que se foca maioritariamente em política ao invés de se focar na gestão de uma cidade, pura e dura. Gestão de recursos, edifícios e entidades não está no ónus deste título, focando-se na gestão de influências a longo prazo. Focado neste âmbito, Urban Empire deveria ser exímio nesta mecânica. Considero que está num bom caminho, mas ainda falta um passo a dar.

A componente de construção em Urban Empire é diminuta em comparação com um City Builder. Erguer cidades, prédios, lojas, centrais elétricas, etc, é feito praticamente de forma automatizada, tirando um numero de construções limitadas.
Após delinear a zona da cidade, a mesma ergue-se de forma automática. Apenas colocamos edifícios chave como departamentos da polícia, igrejas ou escolas e também escolhemos que tipo de infraestrutura adicionar. Seja rede de abastecimento de água, gás etc. As cidades recebem a população também de forma automática, e durante a escolha da zona, apenas definimos o rácio entre zonas residenciais, industriais e comerciais.
Dispomos também de possíveis avanços tecnológicos que consomem tempo até serem desenvolvidos. Desde o desenvolvimento do gás, ao saneamento, aos caminhos de ferro, por aí fora. Felizmente, estes avanços tecnológicos, mesmo morosos, tornam-se até bastante rápidos pois dispomos de uma opção de “Fast Forward” possibilitando assim não termos de aguardar tanto tempo como suposto. Obviamente, nunca seria os meses em tempo real, mas é uma implementação positiva.

A nível gráfico, o jogo tem uma qualidade até bastante apelativa para o género. De nota, com as configurações gráficas puxadas ao máximo para eyecandy, não identifiquei slowdowns. O que é uma grande vitória, tendo em conta que, primeiro porque a minha gráfica não é de ultima geração, e segundo, porque sendo até um motor “leve”, os jogadores mais “casuais” (os que não tenham computadores de ultima geração), deverão conseguir jogar este título sem problemas de maior. E porquê de considerar isto é bom? Pois bem, este título não é para todas as idades nem para todo o tipo de jogadores. Quem vai gostar deste jogo, é quem tem o fraco por política, levando-me a crer que haverá muitos possíveis futuros fãs do jogo que não têm computadores, digamos, de ultima geração.

Neste tipo de jogos, considero que uma banda sonora interessante é um ponto que eleva bastante a qualidade de jogo. Porém aqui considero a banda sonora excessivamente repetitiva. Ao inicio posso dizer que me agradou, mas conforme as horas passavam, o que considerava suave, passou a espicaçar, tornando-se até um pouco cansativa.

Posto isto, considero que Urban Empire tem um percalço na entrega ao jogador, tentando ser um título demasiado inovador, porém, ao arriscar assim, pode ficar como um jogo aborrecido para a grande maioria, cimentado pelas excessivas questões burocráticas negativas, tornando Urban Empire num exemplo de uma boa ideia, em algo como quase uma execução falhada. Diria que é como aqueles carros que estão entre a classe B e C, gritando quase por uma liga “própria”, mas falha de certa forma na qualidade de condução, para proporcionar uma experiência que nos faça comprar o carro, e não ficarmos pelo simples test drive. Há carros que efectivamente não são para todos. E ainda bem que os há para todos os gostos. Mas, posso dizer que o jogo cumpre o seu objectivo? Mesmo considerando os problemas que mencionei, mesmo não sendo na totalidade “O” pioneiro, notando algumas inspirações de Tropico, demonstra bem um clima partidário, parlamentar, e as suas lutas constantes por mais um voto. Quem tem realmente o bichinho por política, Urban Empire é um jogo que se pode tornar num título bastante interessante, onde podem depositar diversas horas, portanto diria que sim, missão cumprida kalypso.

Nota editorial: Foi-nos fornecida uma cópia deste jogo pela editora/distribuidora para efeitos de análise.

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