Análises

Captain Toad: Treasure Tracker

Um tesouro para todos

Versões testadas: Switch e 3DS

Captain Toad é pequeno e indefeso, não é particularmente rápido e nem sequer consegue saltar por causa da mochila pesada que tem às costas, mas nada disto o impediu de explorar os locais mais longínquos e perigosos em busca de tesouros e aventura. Começando como líder de um grupo que ajuda o Mario a descobrir Power Stars pela galáxia fora em Super Mario Galaxy (2007) para a Wii, Captain Toad ganhou o gosto pela ribalta em Super Mario 3D World (2013) para a Wii U, onde tinha os seus próprios níveis uma vez por mundo. Num jogo onde os controlos de câmara eram limitados e a ênfase eram os saltos rápidos e precisos, os níveis do Captain Toad giravam à volta de… girar a câmara à volta de um nível. Este conceito resultou tão bem que o capitão ganhou a oportunidade de o levar mais longe com o seu próprio jogo – Captain Toad: Treasure Tracker (2014) ainda na Wii U. Este é daqueles tesouros (peço desculpa) que merece mais do que aquilo que o pequeno mercado da Wii U lhe podia dar. Felizmente, o destemido explorador nunca diz que não a uma aventura e viaja agora para a Switch e 3DS com novas versões de Treasure Tracker.

Cada cenário é como uma pequena caixa de puzzles por onde Captain Toad tem de navegar – sem saltar! – até chegar seguro a uma estrela, o objectivo de cada nível. Rodar a câmara para mudar a perspectiva é a nossa principal ferramenta, essencial para descobrir caminhos e segredos que estão completamente escondidos se não mudarmos o ponto de vista. Se num nível podemos fazer isto relaxadamente, noutro podemos ter de evitar inimigos que patrulham um labirinto, rodar partes de uma mansão assombrada ou fugir da lava que inunda o cenário enquanto caem meteoritos e um dragão cospe fogo. Como seria de esperar, chegar ao fim de cada nível é apenas parte da diversão. Em cada um podemos encontrar três diamantes (que servem para desbloquear alguns níveis) e completar um desafio – como apanhar as moedas todas ou não ser visto por nenhum inimigo. Também podemos revisitar os níveis para encontrar sprites do Toad escondidos, uma pequena novidade ao estilo “descobre o objecto” que ajuda a espremer um bocadinho mais de sumo do jogo, apesar de não ser particularmente entusiasmante.

Captain Toad é sempre acessível, pegando num conjunto pequeno de mecânicas simples que são desenvolvidas e aplicadas num sem-fim de ideias e puzzles diferentes. Um jogador experiente pode demorar até sentir algum desafio, mas o aumento progressivo de dificuldade, juntamente com a curiosidade de ver mais um adorável e engenhoso nível, são incentivo o suficiente para jogar mais até chegarem os puzzles mesmo difíceis.  Umas cinco a sete horas são suficientes para ver os créditos finais, mas há material para umas doze horas; é verdade que se arranjam jogos mais longos por menos do que os €40 que o jogo custa, mas não deixam de ser horas muito bem passadas.

Usando o ecrã táctil podemos paralisar inimigos ou mover certos blocos coloridos de um lado para o outro. Na Switch só podemos fazer isso em modo portátil; com o jogo a correr na TV, usamos os sensores de movimento do Joy Con para apontar um cursor (o que é um pouco incomodativo, por ser sempre visível). Na prática, isto torna muito mais fácil impedir os inimigos de se mexerem enquanto jogamos, o que pode ser uma espécie de batota, mas é completamente opcional e pode ser bastante útil para jogadores menos experientes.  A versão Switch também tem um modo para dois jogadores, onde um controla o movimento do Toad e o outro a câmara e cursor; não é o melhor modo cooperativo, mas é um exercício divertido de coordenação. Também novos são os níveis de Super Mario Odyssey, miniaturas estupendas de locais como New Donk City, que infelizmente substituem os níveis de Super Mario 3D World que estavam na versão Wii U de Captain Toad.

É difícil não ficar de bom humor com os visuais coloridos e radiantes de Treasure Tracker. Cada cenário parece um diorama interactivo por onde pequenos bonecos cuidadosamente animados e detalhados passeiam; até a música e os sons são adoráveis! Pôr a fofura em números é complicado, mas a versão Switch corre a 1080p no modo TV e 720p em modo portátil, sempre a 60 frames por segundo; na 3DS o jogo corre a 30 fps, com uma qualidade gráfica surpreendente e fazendo um brilhante e útil uso do 3D estereoscópico.

Captain Toad: Treasure Tracker é uma aventura deliciosa, com uma curva de dificuldade que permite diversão acessível, um sentimento crescente de concretização e desafios incrivelmente difíceis para quem quer explorar o jogo na sua totalidade. Adorável de uma ponta à outra, Treasure Tracker é genial na maneira como cria puzzles inteligentes com ferramentas tão simples. Quem não jogou na Wii U deve aproveitar a oportunidade de jogar esta pérola na 3DS ou na Switch e quem já jogou não vai ver muito de novo, mas, se houver vontade de revisitar o jogo, é perfeitamente compreensível.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 8.5

8.5

Captain Toad: Treasure Tracker é uma adorável caixa de puzzles repleta de óptimas ideias. Quem não jogou a versão Wii U não vai querer perder esta pérola.

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