Análises

Destiny 2: Forsaken

Até sempre, Cayde-6.

Versão testada: PlayStation 4 Pro

Há cerca de um ano atrás, tive a oportunidade de fazer a análise a Destiny 2. Existiam bastantes expectativas por parte dos fãs para o que a Bungie iria fazer de novo e, na altura, considerei que era uma boa melhoria face ao que foi o primeiro Destiny no lançamento. Afinal de contas, Destiny 2 tinha uma campanha com início, meio e fim, várias missões opcionais que ofereciam mais contexto sobre o mundo, e várias melhorias à estrutura das áreas. Contudo, a médio/longo prazo, as falhas começaram a surgir. E estas falhas estavam ligadas à progressão e à diversidade de actividades end game. Fazer análise a um jogo deste género, um jogo que está em constante evolução, é como olhar para uma bola de cristal e tentar prever o futuro.

Curse of Osiris não foi particularmente um bom DLC por vários motivos, mas o principal foi por ser o primeiro pacote de conteúdos adicionais, e como tal, não tinha como objectivo corrigir nenhum dos problemas encontrados no jogo base. Warmind, o segundo DLC, foi o ponto de viragem, pois foram adicionados novas actividades end game com loot específico e quest secretas com múltiplos passos que tinham como recompensas armas exóticas. Isto culminou mais recentemente com a introdução da quest da Whisper of the Worm. Mas foi no final de Agosto que as coisas mudaram concretamente, graças à actualização 2.0.0. Esta actualização, além de preparar a chegada da expansão Forsaken, fez inúmeras alterações aos sistemas de jogo, sendo weapon slots estilo Destiny 1 e random rolls dois dos principais destaques. Agora, o lançamento da expansão deu o passo final. Mas o que quer isto mesmo dizer?

Primeiro que tudo há uma campanha mais pesada que gira em torno da morte do carismático Cayde-6. Este é o segredo mais mal guardado de sempre, tendo em conta que foi usado em quase todo o material promocional. A campanha tem uma estrutura diferente daquela vista até agora, pois é dividida por partes, não sendo apenas missões atrás de missões até chegar ao boss final. Começamos por fazer algumas missões até ver os momentos finais de Cayde-6 e continuamos até encontrarmos o novo NPC, situado em The Tangled Shore. Aí, colocamos as missões de parte e fazemos actividades dessa área, para depois avançarmos com a história, sob o formato de Adventures. Por fim, fazemos mais algumas missões da campanha até todos os Barons terem sido derrotados e percebermos o que se está a passar. Tudo acaba quando se chega à Dreaming City. Ora, parece uma estrutura narrativa estranha, mas até que funciona surpreendentemente bem, pois acondiciona várias actividades diferentes na campanha, tornando-a mais variada.

Certamente que repararam que esta análise chega em vésperas do lançamento da nova raid, chamada Last Wish, pois considerei não ser importante para esta opinião crítica, e existem duas boas razões para isso. Primeiro, as raids são actividades que apenas uma minoria da comunidade faz e são ainda menos aqueles que a completam. E em segundo, as raids, independentemente da sua qualidade, nunca foram o problema de Destiny. O problema de ambos os jogos sempre estiveram associados à progressão ou ao conteúdo existente a dada altura. E é exactamente isso que iremos olhar aqui. Se jogaram Destiny 2 no lançamento, especialmente até ao lançamento do Curse of Osiris, sabem perfeitamente que a progressão foi demasiado simples e que o end game não apresentou muito conteúdo. A situação foi melhorando desde então, mas Forsaken escala as coisas para outro patamar. Agora, o grind é real.

Com o Forsaken, o limite máximo de poder passou para 600, havendo um soft cap a 500. É um longo e trabalhoso caminho para tornar o nosso boneco mais forte, e o esforço aumenta consideravelmente se tiverem dois ou até mesmo três personagens. É preciso fazer strikes, bounties, patrols e eventos públicos para se chegar a 500, para depois passar aos challenges diários e semanais. Estes challenges dão como recompensa powerful rewards, que é o necessário para aumentar de forma gradual o poder do nosso boneco. Challenges diários é uma novidade. Além dos habituais desafios semanais, como o Nightfall ou o Flashpoint, agora existem desafios diários que incluem fazer um strike, uma partida de Crucible, de Gambit (o novo modo PvPvE) ou uma missão de história em Heroic. De referir que agora os itens exóticos são drops raros, tornando a obtenção destes itens em algo muito mais especial. Sim, no geral estamos a falar de muito grind, mas é um grind progressivo que recompensa visitas diárias ao Destiny 2. E no fundo, era isso que se pedia: motivos para regressar.

Outra das grandes novidades é a adição de duas novas zonas, uma estreia na franquia. Até agora, nenhuma expansão ou DLC tinha adicionado dois locais de uma só vez. Tangled Shore, que se situa no Reef, é o primeiro local e serve como palco para grande parte da campanha. É também o local típico que se espera de um DLC, com vários lost sectors para encontrar e patrulhas para fazer. É sem dúvida um local interessante de explorar e diferente do que já tínhamos visto, e é aqui que nos são apresentados os novos inimigos, chamados Scorn. Scorn são uma facção dos Fallen dirigida por Uldren Sov. Contudo, devido às mutações que sofreram e ao facto de terem mexido com tecnologia Hive, deixaram de ser considerados como Fallen.

A outra zona chama-se Dreaming City. Esta área dinâmica tem um duplo propósito: servir de palco para a raid e de local para o end game. Os inimigos são mais fortes, as bounties mais difíceis de completar e existem muitos segredos por descobrir. É exactamente por isso que se trata de uma área dinâmica. Ainda não é bem certo como tudo irá acontecer, mas esta área vai ter diferentes rotações que afectarão os segredos disponíveis. Portais que servem de atalho para outras zonas, gatos escondidos que dão loot, baús de tesouro invisíveis, bosses secretos e dimensões dos Taken, são algumas das coisas já descobertas pela comunidade. Se efectivamente as rotações virem efectivamente a mudar alguma coisa na Dreaming City, então, existe potencial para que esta área se torne em algo especial.

E tal como prometido, foi adicionada uma nova actividade estilo horde mode. Chamada Blinding Well, esta actividade é uma continuação do que vimos anteriormente com o Court of Oryx, Archon’s Forge e Escalation Protocol. Existem diferentes níveis de dificuldade que, na teoria, deveriam de dar melhores recompensas. Mas não é bem assim, pois mesmo o nível mais alto acaba por não oferecer grandes melhorias no poder do boneco. Blinding Well mantém exactamente os mesmos pontos positivos e negativos do que as outras actividades mencionadas anteriormente. É divertido e desafiante, e apresenta a premissa de armas com bons rolls.

Contudo, esta actividade, especialmente a dificuldade mais alta, é mais equilibrada quando feita com mais que uma fireteam, ou seja, com 5 ou 6 jogadores. Como se trata de um espaço público e não existe matchmaking específico para a actividade, só restam duas opções: andar entre o spawn inicial e o Blinding Well até encontrar jogadores suficientes para começar a actividade ou tentar organizar um lobby com amigos e andar entre o spawn inicial e o Blinding Well até duas pessoas se encontrarem, e assim, permitir que o resto dos amigos se juntem à mesma sessão. Por outras palavras, a Bungie cometeu o mesmo erro pelo quarto ano consecutivo. Continuando com os aspectos menos bons, existem alguns problemas ainda a resolver, como itens que desaparecem por termos o inventário cheio, quests com bugs e uns quantos glitches.

Mas repetindo a pergunta que fiz no início, o que quer isto dizer? Bem, não sei como estará o estado de Destiny 2 daqui a uns tempos. Não sei se daqui a um ou dois meses eu e a comunidade vamos sentir o mesmo em relação ao Forsaken, e se calhar nessa altura, podemos olhar para trás e pensar “mas que péssima ideia que a Bungie teve”. Contudo, aquilo que posso afirmar agora, no presente, e depois de ter metido mais de 50 horas na expansão é que o Forsaken é o melhor pedaço de conteúdo adicional que a Bungie já lançou até agora para Destiny, e é graças a isso que posso dizer abertamente que o nosso hobby está de volta.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise

Veredito

Nota Final - 8.5

8.5

Destiny 2: Forsaken adiciona uma grande quantidade de conteúdo novo, mas o principal ponto positivo é a existência de uma progressão mais demorada mas gradual. Finalmente, Destiny 2 parece ter encontrado o seu caminho.

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