Análises

Shadow of the Tomb Raider

É o fim da trilogia de origem de Lara Croft.

Versão testada: PlayStation 4 Pro

Lara Croft está de volta para mais uma aventura, fechando assim a trilogia da sua história de origem. Eu fiz a análise a Rise of the Tomb Raider, duas vezes, mas mesmo após 60 horas de jogo combinadas entre versões, continuei sem saber bem o que sentir. Aquele jogo foi um caso de amor ódio, pois as coisas que gostei, gostei mesmo, e os aspectos menos bons, odiei profundamente, com principal destaque para a narrativa. Será que o mesmo se passou em Shadow of the Tomb Raider? Bem, sim.

A história deste terceiro título segue de perto os eventos do final de Rise of the Tomb Raider. Lara Croft está ainda mais obsessiva em relação à vagamente maléfica e secreta organização Trinity, ao mesmo tempo que continua a lidar com a morte do seu pai e com os segredos que ele escondia. Se viram qualquer material promocional deste jogo sabem mais ou menos como esta aventura começa. Nessa tentativa de antecipar-se à Trinity e de lhe estragar os planos, Lara comete um pequeníssimo erro e começa o Apocalipse. Coisa pouca. E assim, de repente, Lara torna-se na vilã da história e Trinity na salvadora do mundo, pois a organização deseja parar os eventos cataclísmicos iniciados por Lara (para depois moldar o mundo a seu gosto).

É uma excelente premissa, que confere um cariz mais sombrio, digno do nome do jogo, e adiciona uma maior dimensão e urgência à narrativa, abrindo assim as portas para algo potencialmente grandioso. Contudo, isto apenas dura na parte introdutória do jogo, pois a história rapidamente coloca o Apocalipse e as consequências das acções de Lara em segundo plano, para dar destaque a conflitos tribais. E é uma pena, pois a premissa inicial é muito mais interessante do que aquela que decorre durante a maioria do jogo.

Além disso, continuei a achar que existe demasiado foco no pai da Lara e não tanto no desenvolvimento da própria Lara. Ás vezes quase que parecia que o protagonista era o pai dela de tão influente que tem nas acções da Lara e no destaque que tem na história. E depois de terminada a campanha, senti que quase que não existiu uma evolução da caracterização da Lara ao longo da trilogia, nunca tendo visto algo que me fizesse minimamente lembrar a clássica personagem e sem nunca ter sido demonstrado que Lara faz o que faz por gosto. No final, continua a parecer que faz as coisas por obrigação e com sacrifício.

Tal como nos dois jogos anteriores, Camilla Luddington foi a actriz escolhida para dar vida a Lara, mas a prestação, embora um pouco melhor, continua algo inconsistente, às vezes por uma escrita longe de fantástica e outras por falta de atenção dela ou dos directores. Por exemplo, notei a perda do sotaque britânico em algumas ocasiões. E desta vez, Jonah tem maior tempo de antena. Aliás, Jonah é usado narrativamente para tentar incutir alguma humanidade na Lara, mas na prática, continua a ser uma personagem de suporte mal aproveitada e sem carisma.

Colocando de lado o aspecto da narrativa menos bem conseguida, a estrutura do jogo está um pouco diferente mas para melhor. Shadow of the Tomb Raider, tal como o jogo anterior, tem uma estrutura semi-open world, com áreas cheias de segredos por descobrir e túmulos opcionais. A principal diferença está na frequência dos combates, que agora é inferior. Aqui existe um maior foco na exploração e em puzzles ambientais, havendo alguma acção pelo meio para variar um pouco as coisas. Não me interpretem mal. Continuam a existir momentos de muita acção, com tiros e explosões por todo o lado, mas a balança está agora mais inclinada para a exploração das áreas e para a movimentação transversal. E isso é positivo, pois relembra um dos aspectos que mais gostava dos originais Tomb Raider.

Durante a exploração vamos apanhar materiais para evoluir as armas ou para criar novos fatos nos acampamentos, cada um com bónus específicos, como a redução do barulho ou o aumento de recursos apanhados de cada vez. E a experiência obtida durante a exploração ou combate, pode ser usada para adquirir novas habilidades para Lara. Algumas destas habilidades apenas podem ser desbloqueadas em túmulos, que agora existem em maior número, mas a grande maioria é desbloqueada com pontos obtidos ao subir de nível. Estas habilidades pertencem a três categorias diferentes, que visam melhorar as capacidades de combate, exploração e recolha de materiais. Isto inclui, por exemplo, poder fazer dois Stealth Takedowns seguidos sem alertar os inimigos ou ver os recursos ou as armadilhas na área com o Survival Instincts.

Em termos de jogabilidade, existe agora um maior ênfase em stealth. O sistema de combate é quase o mesmo de Rise of the Tomb Raider, embora Lara tenha aperfeiçoado as suas habilidades, a ponto de se tornar numa espécie de “Predator”. Lara pode cobrir-se de lama para se camuflar melhor com os cenários e até pode usar o topo das árvores para apanhar os inimigos um a um. Ou então, pode usar setas venenosas para fazer o trabalho de forma silenciosa. Contudo, esta remodelação para uma predadora silenciosa cai por terra em partes onde o jogo coloca vários inimigos em espaços confinados em duelos corpo-a-corpo. Estas sequências não resultam tão bem como os confrontos em espaços abertos, onde Lara tem várias opções à escolha.

Importa referir que o input lag está de volta, tal como existiu no lançamento em Rise of the Tomb Raider. Embora não seja tão mau, nota-se um ligeiro atraso no tempo de resposta da direcção, o que tem impacto negativo particularmente contra inimigos que se mexem rápido. Por outro lado, a Eidos Montréal foi mais longe nas opções dadas aos jogadores para personalizar a sua experiência de jogo, sendo possível escolher o nível de dificuldade de diferentes elementos da jogabilidade em separado. Querem aumentar a dificuldade da exploração e dos puzzles e reduzir a dos combates? Então, ficam a saber que podem fazê-lo.

Se há um ponto onde é difícil encontrar defeitos é no departamento técnico. Rise of the Tomb Raider não era um jogo feio, bem pelo contrário, mas Shadow of the Tomb Raider evoluiu ainda mais na fidelidade visual, apresentando gráficos detalhados com texturas de alta resolução, vistas belas e um bom sistema de iluminação que une muito bem todos os componentes da imagem. O detalhe dos diferentes materiais foi muito bem conseguido e as expressões faciais é de melhor qualidade face ao que vimos no jogo anterior, em particular nas cinemáticas. A nível de performance, tendo jogado na PlayStation 4 Pro, optei pelo modo Resolução (4K/30fps), não tendo notado problemas de fluidez, mas quem preferir, pode jogar no modo Performance, que tem como alvo os 60 fps.

Em certos aspectos, Shadow of the Tomb Raider é melhor que Rise of the Tomb Raider, mas no computo geral, não foi o final que desejaria. Esperava que o último título da trilogia de origem de Lara Croft acabasse com um estrondo e que fosse o capítulo decisivo na definição desta icónica personagem, mas na realidade, acabou de forma demasiado seca. Ainda assim, apesar de tudo, eu diverti-me bastante durante as quase 19 horas que demorei a completar o jogo. Como disse no início deste análise, é uma relação de amor ódio.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise

Veredito

Nota Final - 8

8

Shadow of the Tomb Raider é um bom e divertido jogo, mas ao mesmo tempo, não é a conclusão da trilogia que gostaria nem aquela que esta icónica personagem merecia. É competente a nível de jogabilidade, mas fica mais uma vez aquém em termos narrativos.

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