Análises

New Super Mario Bros. U Deluxe

Versão testada: Nintendo Switch

New Super Mario Bros. U foi lançado originalmente para a Wii U em 2012, apenas meses depois de New Super Mario Bros. 2 ter saído na 3DS. Com estes dois lançamentos tão próximos e um look igual a todos os jogos da série New Super Mario Bros., o jogo da Wii U foi visto por muitos como uma sequela desinteressante e preguiçosa. Como vários jogos da anterior geração da Nintendo que foram relançados para a Switch, New Super Mario Bros. U Deluxe é uma segunda oportunidade para mostrar a mais gente o quão brilhante este jogo realmente é.

New Super Mario Bros. U Deluxe traz o jogo original, a expansão New Super Luigi U e novas personagens direccionadas a jogadores menos experientes. No que toca a novidades não há muito a dizer, mas há algumas melhorias gráficas, mesmo que não sejam drásticas. A resolução subiu de 720p para 1080p, mantendo-se a 720p no modo portátil e o framerate mantém-se sempre estável a 60 fps, mesmo com quatro jogadores e imensas coisas a acontecer no ecrã. A Peach tem um modelo novo, mas, de resto, os modelos e texturas do jogo mantêm-se inalterados, havendo, no entanto, uma clara melhoria na resolução das sombras e filtragem das texturas. Como é costume com a Nintendo, não há anti-aliasing, o que não se revela um problema muito grande, mas que deve ser bem mais notório em TVs 4K que têm de fazer upscale da imagem.

Vamos ao que interessa: o jogo. New Super Mario Bros. U Deluxe é o pináculo do Super Mario em 2D. Os muitos anos de iterações e experiências resultaram num jogo com um design de níveis fantástico e com uma física e controlos acessíveis, mas que permitem uma enorme liberdade de movimentos, tornando os níveis em caixas de brinquedos. Em cada nível somos introduzidos de uma forma segura a uma nova mecânica ou ideia, que volta a aparecer nesse nível em situações progressivamente mais difíceis e perigosas. A Nintendo EAD não colocou só obstáculos para os níveis ficarem cada vez mais desafiantes; também pontuou o ritmo de jogo com pequenos momentos para respirar de alívio ou brincar com os níveis sem tanto risco.

Apesar de haver uma clara subida na dificuldade à medida que se avança, veteranos não terão grandes problemas em chegar ao Bowser e ao “fim” do jogo. Para esses, o verdadeiro desafio está em encontrar as três moedas escondidas em cada nível e passar o mundo especial que se desbloqueia com estas. As moedas costumam estar em sítios de difícil acesso ou até mesmo escondidas, sendo preciso tomar atenção aos níveis e a algo que salte à vista, como uma parede diferente ou um cano fora de sítio. É quase sempre tecnicamente possível apanhar as moedas da primeira vez que se passe um nível, mas é altamente improvável, até porque há um limite de tempo. Tal como a existência de vidas, o limite de tempo é um instrumento que ficou da era arcade, cuja utilização nos tempos modernos é discutível, mas tem a sua utilidade como uma pressão extra para os jogadores e como forma de os fazer regressar a níveis antigos.

Adicionar mais jogadores traz mais confusão, mas também mais diversão. Outro grande triunfo é a maneira como os níveis funcionam tão bem com qualquer número de jogadores, oferecendo experiências diferentes. Uma equipa coordenada pode levar a jogadas brilhantes, mas o contrário – ou até mesmo um único elemento perturbador – pode levar ao caos, o que pode ser frustrante, mas facilmente resulta em risos. As novas personagens são óptimas para principiantes: a Toadette escorrega menos, nada com mais controlo, apanha três vidas em vez de uma e adiciona 100 segundos ao temporizador. Além disso, também pode apanhar uma coroa que a transforma na Peachette (não, a Bowsette não está no jogo, nem existe oficialmente), ganhando um segundo salto e habilidade de flutuar durante um bocado. O Nabbit, antes apenas disponível na expansão, também escorrega menos e adiciona tempo, mas é invulnerável a qualquer ataque, perdendo apenas quando cai num buraco. É uma boa opção para os mais novos, mas o facto de ele não poder usar Power-Ups ou o Yoshi é desapontante. Ao contrário da versão Wii U, qualquer uma destas personagens (assim como Miis) pode ser usada para jogar a solo.

Para quem quer explorar as mecânicas de jogo ainda mais a fundo, há o modo Challenge, onde temos pequenos níveis com desafios muito difíceis e específicos, como não apanhar moedas ou nunca tocar no chão. Passar estes níveis revela o quão bem afinada e versátil é a física e controlos do jogo. Para ficar de boca aberta, o melhor é ver os vídeos incluídos onde se podem ver jogadores pertencentes ao Mario Club (a equipa que testa muitos dos jogos da Nintendo) a fazer jogadas absolutamente inacreditáveis.

New Super Luigi U reaproveita o mundo e temas do jogo principal, mas os níveis são completamente novos e extremamente difíceis. Se New Super Mario Bros. U é melhor a oferecer uma experiência completa com uma curva de dificuldade acessível, New Super Luigi larga a gordura, ignora os jogadores inexperientes e foca-se em níveis curtos, mas repletos de desafios que forçam o jogador a masterizar os controlos, mais difíceis aqui, uma vez que o Luigi salta mais alto, mas também escorrega muito mais. Nesta expansão deu para ver a Nintendo a flectir os seus músculos criativos na criação de níveis menos ortodoxos, mas não por isso menos geniais, antes do lançamento de Super Mario Maker.

Aquando do seu lançamento original, o estilo visual de New Super Mario Bros. U já cansava por ser tão parecido com os jogos anteriores da série. Com os anos, talvez o look não esteja tão batido, e, de facto, o jogo não é tão pouco inspirado artisticamente como os seus predecessores, havendo cenários bem giros e inimigos adoráveis. Mesmo assim, e apesar de ser bastante colorido, limpo e animado, New Super Mario Bros. U é maioritariamente desinteressante a nível visual. Infelizmente, o mesmo se pode dizer da banda-sonora. Tem algumas músicas engraçadas que ficam na cabeça, mas pouco mais do que isso, havendo demasiadas faixas que se baseiam no tema principal.

New Super Mario Bros. U Deluxe não é um remaster que acrescente ou melhore muito, por isso quem já jogou o jogo original e a expansão não terá muito de novo para ver, o que pode doer tendo em conta que o jogo custa o mesmo do que um completamente novo. Por outro lado, que não haja enganos: este é o melhor Super Mario a duas dimensões e isso é dizer muitíssimo. Pode não ser muito entusiasmante a nível audiovisual, mas é um dos melhores jogos de plataformas alguma vez feitos, com física e design de níveis absolutamente brilhantes, garantido diversão independentemente do número de jogadores e experiência com o género.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 8.5

8.5

New Super Mario Bros. U Deluxe não é tão novo como o nome indica, mas é um jogo de plataformas 2D genial, mesmo que não seja o mais bonito.

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