Análises

Dead or Alive 6

Pronto para lutar.

Versão testada: PlayStation 4 Pro

Até custa a acreditar, mas esta franquia já existe há mais de duas décadas. O meu primeiro contacto com a série aconteceu exactamente com o primeiro Dead or Alive, na PlayStation original. O que me atraiu na altura foi o sistema de combate rápido e táctico, que premiava a antecipação e a diversidade de estratégias. Mas durante estas décadas, o género de jogos de luta evoluiu e foi experimentando novas ideias e conceitos, como um modo história cinemático, um maior foco nas competições ou um estilo visual anime em 2.5D. Onde se enquadra Dead or Alive na actualidade?

Para aqueles que não estão muito familiarizados com Dead or Alive, este é um jogo de luta 3D focado na rapidez de execução e na habilidade em ler e capitalizar os ataques do adversário. Este último acontece graças aos Holds, que funcionam essencialmente como contra-ataques. O sistema de combate da série é interessante devido ao sistema de triângulo, estilo pedra, papel e tesoura, em que os Holds vencem os Strikes, os Strikes vencem os Throws e os Throws vencem os Holds. O que isto faz é incentivar uma constante mistura de acções para evitar que o adversário consiga prever as nossas intenções. É um grande sistema e acrescenta às lutas uma forte componente psicológica.

Dead or Alive 6 mantém essa mesma estrutura, ao mesmo tempo que simplifica alguns elementos, como o tipo de stuns, e acrescenta novas mecânicas. A principal novidade está na inclusão de uma barra de energia, há semelhança de outros jogos do género, que vai subindo conforme dão ou levam dano. Podem utilizar a barra na totalidade para desencadear um ataque especial, chamado Break Blow, ou podem utilizar metade para fazer um Break Hold, que é um contra-ataque universal que funciona contra qualquer golpe, independentemente se é um ataque baixo, médio ou alto. Embora não seja uma revolução na série, é uma evolução na direcção certa que só traz benefícios à formula clássica Dead or Alive. O único aspecto que acho um retrocesso está associados aos cenários. Eles são variados e alguns com diferentes níveis, mas são todos demasiado pequenos. Em jogos anteriores, os cenários davam mais espaço de movimentação e apresentavam mais o que estava na linha do horizonte. Em DOA6, os cenários são pequenos e fechados, a ponto de em 2 ou 3 passos chegarmos ao limite da arena.

Como em qualquer jogo de luta, treino é um aspecto vital. Felizmente, DOA6 oferece muitas ferramentas de aprendizagem e treino dedicadas a todas as mecânicas de jogo. O tutorial é extremamente completo e apresenta 40 categorias diferentes, incluindo a explicação do funcionamento dos Holds, como lidar com Critical Stuns, diferentes tipos de throws, treino de combos e técnicas de recuperação, entre muitas outras coisas. E depois há o próprio Training Mode, que oferece muitos dados, incluindo a informação dos frames do inicio do ataque, do próprio ataque e da recuperação, do dano resultante do ataque, da direcção e do tipo de ataque. Façam um golpe qualquer e o Training Mode revela tudo o que precisam saber. E claro, também estão presentes as habituais opções que permitem que o boneco de treino faça determinados golpes. No geral, Dead or Alive 6 tem tudo o que é necessário para qualquer um, independentemente do seu nível de habilidade, consiga aprender o sistema de combate.

Também há o DOA Quest, uma nova adição na série. Este modo oferece mais de 90 desafios, cada um com objectivos específicos. Alguns destes objectivos são simples, como realizar 2 throws, enquanto outros objectivos são um pouco mais difíceis como, por exemplo, executar um combo de 10 hits ou derrotar um adversário em menos de “X” tempo. Por outras palavras, DOA Quest funciona como uma espécie de modo de treino alternativo, em que podemos aprender as mecânicas de jogo em situações mais próximas de combates a sério. Completar os desafios tem como recompensa partes de fatos para desbloquear novas indumentárias e dinheiro para comprar fatos, acessórios e música.

Como seria de esperar, estão presentes os modos Arcade, Time Attack e Versus, pese embora a vertente Tag Team tenha sido completamente cortada. Depois, temos o modo Survival. Nunca fui grande fã deste tipo de modos em jogos de luta, mas Dead or Alive tem sido uma excepção. Talvez seja o ritmo de combate aliado ao apanhar itens do chão que vão aparecendo durante as lutas, mas é um dos meus modos favoritos em DOA6. E claro, também há um modo história cinemático que continua a narrativa dos jogos anteriores. Contudo, confesso que não o achei nada de especial, muito por causa da forma como os eventos estão organizados, o que leva a existam demasiados saltos temporais. Além disso, e como as lutas são apenas de um round, acaba por tornar este modo um tanto ou quanto aborrecido.

O online é um aspecto importante nos jogos de luta hoje em dia. Como é em DOA6? Diria que cumpre, na maior parte. O jogo tem ranked matches, como esperado, mas de momento não tem online lobbies. Querem jogar contra um amigo vosso? Bem, não podem. Importa referir que esta funcionalidade vai ser adicionada durante este mês, mas não deixa de ser desapontante que isto não esteja disponível logo desde o primeiro dia. Das partidas que fiz, o resultado foi misto, mas existe um padrão que ajuda a prevenir as piores situações. Passo a explicar. O jogo faz a distinção se o oponente está a jogar com uma ligação por wi-fi ou por cabo. Ora, por wi-fi, mesmo que a indicação da qualidade de ligação tenha sido a máxima, a minha experiência não foi boa e notei claramente lag. Mas contra oponentes com uma conexão por cabo, a minha experiência foi boa e fluída, não tendo tido problemas de maior.

Como já é tradição na série, desbloquear fatos é uma componente importante mas, ao contrário do que acontece em DOA5, desbloquear fatos em DOA6 é um passo atrás. Isto porque em DOA5 podíamos desbloquear os fatos para as personagens que queríamos e quando queríamos. Em DOA6, ganhamos partes de fatos nos variados modos de jogo, mas são atribuídos de forma aleatória. Podem estar a jogar com a Ayane no modo online e ganhar partes de fatos para a Kasumi ou para outra personagem qualquer. Para piorar a situação, podem ganhar 500 partes e essas partes irem parar a um fato que apenas precisa de 200, desperdiçando assim as restantes. É um sistema que parece pensado para a versão Core Fighters, mas que é péssimo para a versão completa. Felizmente a produtora está atenta à situação e vai implementar alterações já este mês, mas por agora, é isto que o jogo tem e é simplesmente mau.

Entre personagens clássicas da franquia e algumas estreias, DOA 6 inclui no total 26 lutadores. Podem contar com nomes bem conhecidos da série como Kasumi, Tina, Hayabusa e Zack, os estreantes Diego e NiCO, e os regressos de Honoka e Marie Rose, duas personagens que se estrearam em DOA5 Last Round. É um elenco variado e robusto que certamente irá agradar aos fãs de DOA, pese embora se façam notar as ausências de lutadores como Momiji, Gen Fu e das personagens convidadas de Virtua Fighter. Quem sabe um dia mais tarde.

Visualmente, nota-se uma melhoria geral na qualidade gráfica, mas quando analisados os vários elementos um a um, existem algumas inconsistências e por vezes até chego a preferir a direcção de DOA5. DOA6 apresenta um maior número de detalhes nas personagens, nos cenários e melhores efeitos de suor, pó e sujidade, mas o sistema de iluminação em alguns cenários está um pouco exagerado, como é o caso em Road Rage em que é tudo super claro e brilhante. Um outro aspecto é a textura da pele, que é mais “plástica” comparativamente a DOA5. E outra coisa que salta à vista é a clara falta de qualquer método de AA para “limpar” um pouco a imagem.

Em suma, DOA6 é um pacote bastante completo e cheio de conteúdo. Tem um modo história cinemático, tem os modos Arcade, Time Attack e Survival, coisas que nem todos os jogos do género trazem de raiz, um excelente modo de treino e um modo online que, embora seja básico, é funcional. E não sei como salientar mais o quão bom e divertido é o sistema de combate, por o sistema de triângulo incentivar uma constante mudança de estratégia. É verdade que DOA6 ainda não tem online lobbies e que as lutas Tag Team desapareceram por completo, mas ainda assim, esta é capaz de ser a melhor entrada da série. Não esperem uma revolução da fórmula DOA, mas sim uma boa evolução.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise. O teste a este jogo foi feito com o arcade stick Razer Panthera.

Veredito

Nota Final - 8

8

Um bom elenco de lutadores, imenso conteúdo e um excelente sistema de combate tornam DOA6 numa das melhores entradas da série. À primeira vista, este pode parecer um título superficial, mas a verdade é que é um jogo de luta muito competente.

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