Análises

Mortal Kombat 11

Toasty!

Versão testada: PlayStation 4 Pro

Depois do fantástico Mortal Kombat 9, lançado em 2011 na geração passada, Mortal Kombat X soube a pouco. O jogo apresentou algumas ideias interessantes a nível de jogabilidade, mas o enorme salto temporal dado na narrativa entre os jogos teve como consequência um elenco de lutadores menos apelativo e um estilo artístico que não fazia jus à série. Mas Mortal Kombat 11 já se encontra aí e, após já o ter jogado por algumas dezenas de horas, devo dizer que o jogo corrige muito das minhas críticas para com o seu antecessor, mas também adiciona alguns novos problemas pelo meio.

Os eventos de Mortal Kombat 11 decorrem no seguimento do que vimos em Mortal Kombat X. Raiden tomou uma postura mais, digamos, agressiva e começa a invadir outros reinos sob o pretexto de proteger Earthrealm. Entretanto, Kronika, a guardiã do tempo, vê os actos de Raiden como algo que vai quebrar o equilibro entre luz e escuridão e decide começar uma nova era. Para isso, pretende reiniciar a linha do tempo e criar uma nova realidade em que Raiden não exista. Isto leva a que o passado e o futuro entrem em rota de colisão, e ambos os lados terão de encontrar aliados para a sua causa. A narrativa é completamente mirabolante, mas é exactamente isso que se esperava, e a verdade é que é interessante de seguir e está surpreendentemente bem realizada e com uma cinematográfica de topo. E pelo meio, este bater de cabeças entre o passado e o futuro cria algumas situações e interacções bem engraçadas.

As expressões faciais estão excelentes, assim como o próprio modelo das personagens que as tornam mais realistas, representando sem dúvida um salto gigante comparativamente ao que tínhamos visto em Mortal Kombat X. A quantidade de detalhes colocados na apresentação realmente faz sobressair o estilo único desta franquia. Isto é acompanhado por um voice acting de qualidade que inclui no elenco actores como Kelly Hu, Jennifer Hale, Troy Baker e Phil LaMarr. Até Cary-Hiroyuki Tagawa, actor que desempenhou o papel de Shang Tsung no filme Mortal Kombat, está de regresso para novamente representar essa personagem. A única excepção é Ronda Rousey, a voz de Sonya Blade, que é má e sem qualquer emoção.

Não posso deixar de mencionar o excelente redesign de algumas personagens, entre as quais Jax, Shao Kahn, Scorpion e Sub-Zero, que têm agora um aspecto mais moderno. Mas o destaque vai mesmo para as personagens femininas. Skarlet, Kitana e Jade deixaram de ser lutadoras em fato de banho para serem guerreiras intimidadoras. Por sua vez, Cassie Cage e Jacqui Briggs não só foram visualmente redesenhadas, como também contam agora com um estilo de combate mais polido e único. O jogo conta com um leque inicial de 25 lutadores e, embora estejam ausentes algumas personagens clássicas como Sindel, Mileena e Reptile, é um elenco equilibrado e variado, com uma boa mistura entre novo e velho. No geral, todas as personagens foram retocadas, a ponto de este ser o primeiro Mortal Kombat onde tenho genuinamente interesse em experimentar e treinar com várias personagens.

Acabado o modo história, que pode durar 5 ou 6 horas, é altura de passar aos outros dois modos single-player, que são Klassic Towers e Towers of Time. Klassic Towers é o tradicional modo arcade, em que cada personagem tem o seu próprio final. Por sua vez, Towers of Time é onde vão passar a grande maioria do tempo, pois é aqui que vão conseguir apanhar diversos itens de personalização para os lutadores, incluindo skins, peças de equipamento e brutalities. Semelhante ao Multiverse de Injustice 2, o modo oferece periodicamente diferentes torres para completar, sendo que cada uma tem como recompensa itens para uma personagem específica e algumas das diferentes moedas do jogo. As lutas também apresentam diferentes modifiers para acrescentar algumas novidades à equação. Na teoria, Towers of Time tem os ingredientes certos para ser um modo divertido, mas na realidade, é tudo menos isso.

Towers of Time não é divertido devido à combinação da dificuldade das próprias lutas, com o aumento de vida e de ataque dos adversários, e com os modifiers que só afectam o jogador. Estes modifers variam de “irritantes” a “quem pensou que isto seria uma boa ideia”. Rockets e lasers que aparecem fora do ecrã, magia ou gás venenoso que bloqueiam o meu jogador mesmo durante um combo e um constante spam de assistências por parte da IA não é de todo a minha definição de diversão ou equilíbrio. As coisas melhoraram nos últimos dias com a redução da vida dos adversários e com o aumento das recompensas, mas a verdade, é que isso não fará grande diferença no final. E tudo porque os modifiers presentes, em vez de realçarem o bom sistema de luta, incentivam exactamente o oposto, e porque as lutas estão desenhadas a pensar nos konsumiveis.

Para complicar ainda mais a situação, como se já não fosse complicada o suficiente, eis que há ainda que considerar os Augments. Estes cristais oferecem bónus de ataque ou defesa (em conteúdo single-player apenas), mas estão divididos pelas categorias de peças e por formatos diferentes. Colocando de outra forma, primeiro é necessário evoluir a peça de equipamento para desbloquear os slots, depois é preciso ter a sorte de sair Augments para a personagem que queremos, e depois é preciso que seja do formato certo para usar no equipamento do lutador. Se for de um formato diferente, é necessário pagar Koins para alterar o formato do slot no equipamento até calhar o formato desejado. Towers of Time é um modo que pede demasiado tempo e complica demasiadas coisas. Pelo menos, e tal como já existia no Injustice 2, está disponível a opção de ajustar a IA de um lutador e colocá-lo a lutar por nós, aliviando assim algum do grind. Mas quando um modo de jogo incentiva o jogador a não jogar esse mesmo modo, é porque algo está mal.

As diferentes moedas obtidas no modo Towers of Time podem ser utilizadas na Krypt, que faz o seu regresso, mas agora num formato diferente. Desta vez vamos percorrer a Krypt na terceira pessoa, quase como se fosse um jogo de aventura e explorar a ilha com a narração de Shang Tsung. E diga-se de passagem, a ilha é um local fantástico de explorar, pois está cheia de segredos e de easter eggs para descobrir. É basicamente a Disneyland do universo Mortal Kombat. A vasta maioria dos baús são gerados aleatoriamente para cada jogador, pese embora alguns tenham conteúdo fixo, reduzindo assim um pouco a variabilidade das recompensas. Embora a Krypt em Mortal Kombat 11 possa ser considerada uma loot box gigante, o real problema não está no loot ser quase todo aleatório, mas sim na forma como os recursos para abrir os baús são obtidos. E aqui voltamos ao modo Towers of Time. É necessário uma enorme quantidade de grind e de tempo perdido num modo pouco divertido para se conseguir obter moedas suficientes para abrir baús, e assim, ter uma hipótese de apanhar brutalities, skins ou o tal item que tanto se quer.

Ainda em relação ao conteúdo single-player, também estão presentes o modo Tutorial, que ensina os sistemas básicos da jogabilidade, e o modo Training, onde vão treinar a vosso gosto até mais não. Importa referir que o Tutorial vai buscar algumas das funcionalidades adicionadas mais tarde em Injustice 2, que mostra informação adicional sobre termos e conceitos típicos deste género de jogos, como os frames de início de um golpe ou os ataques mais seguros se forem bloqueados, sem que isto se torne demasiado complicado de entender, mesmo para os jogadores mais casuais. Não significa que ao completarem todas as lições ficarão a dominar tudo, mas é um bom passo para compreender o sistema de luta e começar a jogar mais seriamente. E quando se sentirem preparados, podem testar as vossas habilidades contra outros jogadores no online. Estão incluídos os modos Ranked Matches, Casual Matches e King of the Hill e, tirando um ocasional adversário com uma má ligação, a minha experiência nesta parte sem sido bastante sólida. Como nota, de regresso está a funcionalidade de tornar o rage quitting em fatalities ou, neste caso, quitalities.

Depois de algum tempo com o jogo, rapidamente se percebe que a NetherRealm se esforçou para mudar como os combates em Mortal Kombat funcionam. O ritmo das lutas foi um pouco reduzido face ao que tínhamos tido nos dois últimos títulos, tanto que já não dá para correr e a distância dos dashes foi reduzida. Alguns não vão gostar destas mudanças, mas pessoalmente achei positivo o ritmo de combate ser menos frenético. Isto não quer dizer que seja lento ou aborrecido. Longe disso, até porque foram adicionadas pequenas coisas que tornam o sistema de combate mais fluído e menos limitado. Até o simples acto de defender recebeu ajustes e recompensa quem defende um golpe no frame de impacto.

Além disso, os golpes X-Ray desapareceram e deram lugar a algo chamado Fatal Blows. O resultado é parecido, na medida em que é um golpe desenhado para dar uma grande quantidade de dano, mas a grande diferença é o facto de os Fatal Blows não estarem dependentes da barra de energia. Eles só podem ser usados uma vez por combate e só ficam disponíveis quando o nosso lutador está com pouca vida (menos de 30%), funcionando assim como uma ferramenta de último recurso para tentar mudar o rumo do combate. Isto abre espaço para que a barra de energia seja usada de forma ofensiva para amplificar os nossos golpes ou de forma defensiva para nos libertarmos de um combo do adversário.

Mortal Kombat 11 é o maior e melhor Mortal Kombat até à data e, igualmente, o melhor trabalho da NetherRealm. É um título ambicioso, com altos valores de produção e com conteúdo destinado a todos os tipos de jogadores, quer sejam jogadores mais casuais ou mais competitivos. Este é sem dúvida um dos jogos de luta mais completos actualmente disponíveis no mercado e um que os fãs desta série vão gostar. Mas as coisas boas que o jogo tem, e que são muitas, acabam por ser manchadas por um sistema de progressão desnecessariamente complexo e obtuso, e por uma excessiva quantidade de grind necessária para desbloquear os itens para as personagens que queremos. É pena porque até então, Mortal Kombat 11 estava a ser uma excelente experiência.

Nota editorial: Cópia fornecida pela UpLoad Distribution ara efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 8.5

8.5

Mortal Kombat 11 é o melhor título saído até à data da NetherRealm e é igualmente um do jogos de luta mais completos do mercado. Mas o grind excessivo e o sistema de progressão desnecessariamente complexo dão um uppercut na diversão.

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