Análises

Erica

Uma aventura interactiva cheia de mistério.

Versão testada: PlayStation 4 Pro

Erica é um exclusivo da PlayStation 4, lançado inesperadamente no dia 19 de Agosto, depois de uma ausência de notícias acerca do seu desenvolvimento, desde o seu anúncio em 2017. Este é um jogo assente numa narrativa interactiva de mistério, com acção ao vivo, suportada em Full Motion Video, que pode ser jogada através do touchpad do Dualshock 4, ou através de uma app instalada num smartphone Android ou Apple, à semelhança dos jogos Playlink já lançados anteriormente, como Hidden Agenda, entre outros.

Nesta intrigante narrativa interactiva, seguimos a história de Erica Mason, uma jovem adolescente que procura encontrar respostas para a morte do seu pai, quando esta era criança, e desvendar a identidade de quem cometeu tal traumatizante e hediondo acto criminoso. Não sendo um argumento propriamente original, é no modo interactivo como vamos desenvolvendo o desenrolar da história, que vamos conhecendo com mais detalhe algumas características dos personagens do jogo e da sua história, sempre num ambiente muito misterioso e com muitos segredos por revelar, onde as aparências nem sempre são óbvias.

A integração dos momentos de interacção está feita de modo exemplar e todas as acções contextuais não surgem de modo redundante, estando muito fluídas e sem qualquer interrupção. Em termos de imersão, não existem quebras e a história, na qual, vamos participando e modificando a sua narrativa, não surge interrompida por alguma dificuldade desadequada em realizar esta ou aquela acção. Tendo jogado através do smartphone, no seu ecrã touch, tudo é imediatamente responsivo e em termos contextuais, a suavidade com que as dicas dadas no jogo, para interagirmos com o ecrã, são bastante discretos e nada intrusivos.

O facto do jogo não ter momentos interactivos com timing para forçar a escolha rápida, permite que façamos alguma reflexão sobre o caminho a tomar, ou diálogo a escolher, sem a pressão adicional de uma contagem decrescente de tempo para se tomar uma decisão. Com algum tempo para se tomar decisões, mas querendo desvendar o mistério que envolve a história de Erica, a duração do jogo ronda as 2 horas e meia, o que, num contexto de narrativa interactiva com acção real, é o tempo normal e habitual para um filme ou dois episódios de uma qualquer série. Considero um tempo adequado, e sabendo que existem múltiplos finais, sempre possibilita uma exploração posterior com outras escolhas, permitindo assim descobrir uma história diferente em paralelo à experiência inicial sem conhecimento do desfecho da aventura com as escolhas iniciais.

No global, os actores desempenham aqui um trabalho de representação muito decente, mas neste aspecto, devemos destacar o papel da actriz principal que encarna a personagem de Erica, a britânica Holly Earl. O que torna esta misteriosa aventura interactiva mais cativante, é, sem dúvida, a capacidade de expressar emoções e o desempenho artístico da Holly Earl, com um representação muito credível, no aspecto técnico, e de grande valor, ao nível de um série ou filme de elevada produção. A par da integração dos aspectos técnicos na interacção para o desenrolar da história, a credibilidade da personagem Erica, incutida pela actriz Holly Earl, foi sem dúvida um dos melhores pontos que considero emergir desta experiência.

Em suma, esta é uma experiência narrativa que integra momentos de interacção diferente das propostas habituais no género, de elevada qualidade e fluidez, com uma misteriosa história que apetece ir desvendando através das nossas escolhas.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 8.5

8.5

Erica é uma aventura interactiva surpreendentemente boa, não só pela forma como está estruturada, mas também pelo bom desempenho dos actores.

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