Análises

Luigi’s Mansion 3

Aspirar nunca foi tão divertido

Versão testada: Nintendo Switch

Maio de 2002, depois de horas à espera na loja de videojogos do costume, finalmente tinha a Gamecube! Era um bocado estranho uma consola da Nintendo sair sem um Super Mario, mas tudo bem, porque o Luigi’s Mansion parecia tão único como uma consola (quase) cúbica com uma pega. No entanto, é preciso lembrar que este jogo saiu na era em que a Concentra era a distribuidora e representante da Nintendo em Portugal, logo alguma coisa tinha de correr mal: os cartões de memória não chegaram! A coisa razoável a fazer era jogar só um bocado e esperar pacientemente pelos cartões, mas isso era pedir demasiado de um jovem de quinze anos entusiasmado por jogar na sua consola nova. Tinha de continuar a explorar Luigi’s Mansion sempre que me deixassem, ou seja, a Gamecube ficou ligada até eu acabar o jogo. Se havia dúvidas de que o Luigi tinha star power suficiente para ter o seu próprio jogo, desapareceram, e Luigi’s Mansion ganhou um lugar no meu coração, mesmo que não atingisse todo o seu potencial.

Em Luigi’s Mansion 3 exploramos um hotel assombrado para salvar o Mario, a Peach e os Toads, que foram presos em quadros pelo King Boo. Graças ao Poltergust G-00, o mais recente aspirador de fantasmas criado pelo Professor E. Gadd, podemos fazer frente a todos os espíritos que nos aparecerem à frente. A estratégia básica para derrotar um fantasma é atordoá-lo com a lanterna para, depois de muita resistência, conseguir aspirá-lo. O Luigi tem alguns truques novos, como atirar um fantasma para cima de outro para lhes tirar vida, conseguindo despachar muitos inimigos rapidamente e evitar ficar rodeado. Também se pode atirar um desentupidor que se agarra a algumas superfícies; depois é só agarrar a corda que está presa na ponta com o aspirador e puxar. Isto deixa-nos destruir e interagir com vários objectos no cenário e, por exemplo, tirar escudos a fantasmas. Além disso, tem piada.

Se Luigi’s Mansion 3 faz algo, é mostrar mais uma coisa que tem piada fazer num videojogo, mas não na realidade: aspirar. Talvez seja por aspirarmos quantidades astronómicas de moedas, notas e barras de ouro ou talvez porque saiba bem ouvir o “woomp” do aspirador à medida que este engole almofadas de sofá inteiras. Esvaziar um espaço virtual enquanto ignoramos a desarrumação à nossa volta no mundo real tem algo de catártico. O HD Rumble não faz nada de estonteante, mas sentir a tralha aspirada à medida que entra no cano, mudando a vibração de acordo com o tamanho dos objectos, torna a aspiração ainda mais satisfatória. Sim, é preciso ir salvar o Mario e companhia, mas primeiro há que aspirar todos os papéis, pratos, chaves de ferramentas, velas, cortinados e o que quer que caiba no Poltergust.

Jogadores inexperientes podem ter alguma dificuldade com os controlos no início: apontar a lanterna e aspirador com o segundo analógico e movimentos pode causar alguma confusão. Como a câmara é fixa, mas não está atrás do Luigi, apontar horizontalmente implica mexer o analógico para a esquerda ou direita do Luigi, não a nossa. Isto não é um obstáculo muito grande, basta algum hábito e quem tiver problemas com os inimigos pode comprar imensas vidas para evitar ecrãs de Game Over.

Uma das grandes novidades do jogo é o Gooigi, um clone do Luigi feito de gosma que podemos invocar e controlar em qualquer altura. Como o Gooigi não é muito sólido, consegue passar através de grades e espinhos, por exemplo, chegando a sítios onde o verdadeiro Luigi não consegue. Assim conseguimos controlar duas personagens quase em simultâneo, o que abre portas a muitas puzzles diferentes. Ver este ser viscoso a abanar como gelatina passar por grades e ouvir todos os seus sons peganhentos é estranhamente agradável e engraçado, mesmo que muito ligeiramente nojento.

Em qualquer altura, um segundo jogador pode pegar num comando e controlar o Gooigi, permitindo diversão co-op a dois, mas o multiplayer não se fica por aí. Também se pode jogar online ou offline com até oito jogadores no modo ScreamPark, onde duas equipas competem em mini-jogos simples, mas divertidos, ou no modo ScareScraper, onde os jogadores têm de cooperar para apanhar todos os fantasmas escolhidos num determinado número de andares antes que o tempo acabe. Estes modos são surpreendentemente divertidos e viciantes, valendo para mais umas quantas horas de diversão.

Nunca se sabe que novas ideias e puzzles se escondem atrás de cada porta ou como vai ser o próximo andar do hotel, cada um dos quinze andares com o seu tema único. Luigi’s Mansion 3 está recheado de originalidade e diversão; o hotel pode estar assombrado, mas o que se vai ouvir são gargalhadas, não gritos. A quantidade de trabalho e personalidade que a Next Level Games pôs em todos os recantos e pormenores do jogo é admirável. Enquanto jogava, não conseguia deixar de sentir algumas semelhanças com os jogos de aventura do Tim Schafer, mas com o carimbo da Nintendo. Grande parte dos puzzles não são muito difíceis, exigindo mesmo assim alguma atenção e lógica, mas quem quiser encontrar tudo vai ter de explorar bem e puxar pela cabeça. Demorei cerca de dezasseis horas a chegar ao fim do jogo, com muito ainda por descobrir e desvendar, mas, melhor que isso, com imensa vontade de o fazer.

O primeiro jogo foi uma excelente demonstração das capacidades gráficas da Gamecube e Luigi’s Mansion 3 é, sem dúvida, um dos jogos mais bonitos da Switch. Claro que a fantástica direcção artística tem um papel enorme nisto, mas o sistema de iluminação e sombras, os óptimos modelos e as brilhantes animações fazem do jogo, que corre mais fluídamente que o Gooigi, uma delícia para os olhos. Os ouvidos também não vão passar fome; há muito cuidado com os vários efeitos sonoros e a banda-sonora acompanha o alto calibre do resto do jogo sem se fiar apenas em músicas tipicamente “assustadoras”.

A Next Level Games fez um trabalho louvável, dando finalmente ao canalizador de verde o jogo fenomenal que ele merece, com o nível de polimento e sorrisos por minuto que seria de esperar de um estúdio interno da Nintendo (um grandíssimo elogio). Luigi’s Mansion 3 não é só o melhor jogo da série, também é um dos melhores jogos da Switch e completamente imperdível.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 9.5

9.5

É difícil apontar o dedo a Luigi’s Mansion 3, uma aventura que diverte constantemente com novas ideias, muito humor, personalidade e um nível altíssimo de atenção aos pormenores e qualidade.

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