Análises

Battletoads

Zitz, Pimple e Rash estão de regresso.

Versão testada: PC

29 anos depois da estreia na NES, Battletoads tornou-se numa franchise de culto e de referência nos beat´em up arcade nos anos 90, pelo que, com este lançamento, é possível agora reviver a nostalgia numa roupagem moderna e actualizada dos nossos heróis Toads, Rash, Zitz e Pimple, numa nova missão para defrontar a maquiavélica Darq Queen.

Battletoads assenta na sua essência na combinação entre o enorme sentido de humor nos diálogos das personagens e uma variedade de jogabilidade que permite ir para além da componente beat´em up num estilo 2.5D, com a introdução de secções de corridas e plataformas, tudo isto agora numa versão que permite co-op multiplayer local até 3 jogadores.

O vertente gráfica do jogo é logo um dos aspectos que sobressai nesta nova aventura, pela utilização de animações desenhadas à mão, como se tratasse de uma banda desenhada, num estilo cartoonesco muito singular, agora numa cristalina resolução em 4K, num clássico readaptado para a nova geração.

As transformações do corpo dos Toads nos combates permite alguma criatividade na abordagem aos combates e aos desafiantes bosses, na medida em que é necessário utilizar as suas várias capacidades e poderes para melhor abordar as lutas. Os 3 Toads também são diferenciados entre si e possuem características muito próprias que se notam em combate. Pimple é o mais forte, mas também o mais lento, Rash é o mais rápido, mas também o mais fraco e Zitz, que acaba por ter características mais equilibradas. Dada a imprevisibilidade dos bosses nas suas transformações, levam a que o jogo se torne aditivamente imprevisível, alterando-se muito rapidamente o estilo de jogabilidade nas respectivas secções, para jogos de plataformas em side-scroller ou corridas de naves, que, entre várias situações distintas, nos vão fazer reviver o infame turbo tunnel. Tudo é muito rápido, por vezes caótico, e sem pausa para descontrair, dada a fluidez com que tudo decorre.

Os fãs de beat´em ups terão aqui a possibilidade de dar azo às suas capacidades de rápida decisão nas abordagens a efectuar aos combates e utilização das melhores estratégias e morph attacks para vencer os oponentes. Neste aspecto, cada Toad tem o seu morph attack específico e as suas características únicas dão resultados diferenciados consoante o boss em confronto.

Em termos de dificuldade, este não é um jogo que dê descanso aos comandos e muitas são as vezes que o jogo nos leve ao limite. A rapidez de reflexos é essencial e este vai jogo vai certamente arrancar uns quantos cabelos a quem pense que vai entrar num descontraído passeio no parque. De qualquer modo, o jogo tem 3 modos de dificuldade (Tadpole – Fácil; Toad – Normal e Battletoad – Difícil) que permitem ajustar a abordagem para uma vertente mais fácil ou mais desafiante.

É neste aspecto que entra um dos aspectos mais divertidos do jogo, que é a possibilidade de jogar em co-op local até 3 jogadores. Battletoads não tem multiplayer online, mas permite que o jogo possa ser jogado localmente em simultâneo até 3 jogadores em que podem cada um deles controlar um dos Toads na superação dos inúmeros desafios e vagas de inimigos que estes enfrentam. Aqui, em couch co-op, o jogo brilha pelo divertimento que trás na interacção entre todos os amigos que enfrentam o caos, em conjunto. Este é dos aspectos mais positivos a destacar, tendo em conta que é um género que faz falta e faz sentido na possibilidade de se partilhar o divertimento em conjunto. De referir que o co-op permite fazer drop-in e drop-out em qualquer momento do jogo e das secções, dando assim uma liberdade na partilha de estratégias em conjunto, onde o trabalho em equipa é essencial. Mesmo em termos de cooperação, todos os jogadores devem tentar dar a sua ajuda no avanço dos níveis, na medida em que, uma maior passividade de um ou outro é premiada, ironicamente, com um troféu de participação, como se de um troféu de consolação se tratasse. A própria dinâmica entre os vários Toads altera-se através do modo cooperativo, com o drop-in e drop-out dentro das sequências, com as reanimações dos jogadores, algo que é mais passivo no modo single player.

Neste aspecto, uma das maiores críticas que faço é efectivamente a ausência de co-op online que retira um pouco do sentido de cooperação entre a comunidade e partilha de experiências in-game entre amigos ligados online. A limitação ao co-op local pode ser um aspecto que, apesar de bastante divertido, não ser o factor mais decisivo para quem apreciasse jogar de modo cooperativo, mas online. Tal vertente não está aqui contemplada.

O jogo acaba por apresentar bastante variedade nos vários géneros e estilos clássicos, mas sempre uniforme na acção desenfreada e muito dinâmica. Apesar da centralidade do jogo estar concentrada na vertente de combate, ao mesmo tempo, vamos sendo confrontados inesperadamente com outros géneros de jogabilidade, através dos mini-jogos em estilo retrogaming, que acabam por criar variedade e interesse em avançar para descobrir o que a criatividade e imaginação dos criadores do jogo nos querem presentear. Infelizmente, este é um jogo com uma duração curta e no final ficamos a desejar que a experiência se prolongue por mais algum tempo.

Em suma, Battletoads é um jogo divertido, mas curto, para fãs de beat´em up e couch co-op local, que irá fazer reviver memórias clássicas, mas agora num contexto moderno e actualizado.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.
Sistema utilizado: AMD RYZEN 5 1600X 3.6GHz, NVIDIA GeForce GTX 1080 Ti, 16GB Ram DDR4, Windows 10

Veredito

Nota Final - 8

8

Battletoads é um divertido jogo que os fãs de beat´em up vão gostar. Peca por ser curto e pela ausência de online co-op.

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