Análises

Tony Hawk’s Pro Skater 1 + 2

Uma pranchada de nostalgia.

Versão testada: PlayStation 4 Pro

Não sou nem nunca fui fã de Skateboarding, mas joguei os dois primeiros Tony Hawk’s Pro Skater na original PS One. E o mesmo é válido para o meu grupo de amigos na altura. O apelo destes jogos, tanto para os fãs da modalidade como para os que não tinham qualquer interesse, era a combinação de um estilo muito característico arcade, uma componente de plataformas, e uma jogabilidade que incentivava experimentação tudo unido com uma fantástica banda sonora. Contudo, a partir de certa altura, que coincidiu com a era da Robomodo como produtora dos jogos Tony Hawk, a série começou a perder qualidade, até que bateu no fundo em 2015 com o medíocre Tony Hawk’s Pro Skater 5. Mas após um período de inactividade, a série está de regresso para voltar a dar espectáculo.

Tal como o nome indica, Tony Hawk’s Pro Skater 1 + 2 é uma junção dos dois primeiros títulos da franquia, mas que também traz alguns dos melhores elementos dos que chegaram depois. Pode-se dizer que é uma espécie de best-off da série Tony Hawk’s Pro Skater, mas que tem um foco em particular nos dois primeiros títulos. Isto significa que o apelo dos clássicos jogos está aqui presente, e isso acaba também por realçar que estavam muito à frente do seu tempo. A memória muscular que tinha adquirido a jogar Tony Hawk’s Pro Skater na PS One já há muito que tinha desaparecido, mas felizmente, existe um bom tutorial para relembrar os básicos da jogabilidade. Acho que este é o ponto por onde todos devem começar.

Tony Hawk’s Pro Skater 1 + 2 é puramente arcade, mas os fundamentais da realidade são aplicados, ou seja, aterram com a prancha numa posição errada e é uma queda garantida. Depois de uma passagem pelo tutorial, é hora de enveredar pela campanha que nos leva a vários níveis clássicos recriados de raiz para este novo lançamento. Em rondas de 2 minutos percorremos os níveis para completar diversos desafios, que tanto podem ir de atingir uma determinada pontuação a destruir painéis informativos, ou a apanhar letras para completar a palavra “skate”. Os níveis são muito bem desenhados e a estrutura do jogo incentiva a que os cenários sejam bem explorados em busca de novos caminhos ou de segredos escondidos. A componente plataforma foi muito bem utilizada e incorporada ao estilo arcade clássico do jogo.

Num primeiro olhar, a jogabilidade parece simples, mas não é o caso. A curva de aprendizagem é alta e é preciso treino para encadear as manobras, mas ao mesmo tempo é recompensador quando o treino e a habituação dão frutos. Tirando o botão X/A, que é o salto, os restantes face buttons do comando estão associados a tipos de manobras e essas manobras também variam conforme a direcção escolhida. E depois existem manobras que servem para estender os combos. E em cima disto há que aprender o esquema dos níveis e onde estão os perigos. É muito para aprender mas a recompensa quando as coisas finalmente dão certo é muito grande.

Como disse anteriormente, os níveis clássicos foram recriados de raiz para este jogo e a forma como Vicarious Visions deu uma nova vida aos níveis merece ser louvada. Houve muito respeito pelo material original, e todas as melhorias implementadas salientam o aspecto único de cada nível e a visão original da Neversoft. O Abandoned Mall é um bom exemplo disso, já que agora parece mesmo um centro comercial abandonado, quase que situado num cenário pós-apocalíptico. Apesar das enormes melhorias visuais, quem jogou os originais certamente que vão reconhecer estas novas versões dos níveis.

Quanto a skaters, estão presentes alguns nomes veteranos, como o próprio Tony Hawk, Chad Muska, Rodney Mullen e Bob Burnquist, mas também foram adicionados skaters actuais como Nyjah Huston, Riley Hawk e Leticia Bufoni, sendo que cada um dos skaters do elenco tem as suas especialidades. Alternativamente, também é possível criar o nosso próprio skater através da opção Create-a-Skater, que podemos utilizar nos modos singleplayer e no online multiplayer.

A banda sonora dos dois originais Tony Hawk’s Pro Skater era fantástica, e a Vicarious Visions fez um excelente trabalho em trazer essas músicas de volta, mas também adicionou dezenas de novas músicas. Tanto podem estar a fazer manobras ao som de Rage Against The Machine, Papa Roach e até Anthrax, como também de Craig Craig feat. Icy Black e Machine Gun Kelly. No geral, a banda sonora tem uma boa mistura de géneros, em que as dezenas de novas músicas encaixam perfeitamente com as clássicas. Mas quem preferir, pode passar uma música à frente ou até pode remover músicas da playlist.

A Vicarious Visions tinha a difícil tarefa de pegar em dois excelentes títulos clássicos e modernizá-los para os tempos actuais, sem que a essência do que tornou os jogos originais populares se perdesse no processo. No final, a companhia lidou brilhantemente com o desafio e entregou um remake de grande qualidade, que combina mecânicas de jogabilidade profundas, gráficos muito bons e uma fantástica banda sonora. Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 têm a dose certa de modernismo e de nostalgia.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 9

9

A Vicarious Visions fez um excelente trabalho a trazer dois clássicos títulos de volta para a ribalta, modernizando todos os aspectos técnicos sem perder a alma dos jogos originais.

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Ricardo Silvestre

É o editor da ZWAME Jogos e faz um pouco de tudo no site. Gosta em particular de jogos de corrida, jogos de luta e RPG's, mas também não diz que não a um bom jogo com loot.
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