Análises

Kena: Bridge of Spirits

Guia espiritual

Versão testada: PlayStation 5
Disponível para: PC, PlayStation 5, PlayStation 4

Anunciado em Junho de 2020, Kena: Bridge of Spirits conseguiu rapidamente atrair a atenção de muita gente devido ao seu aspecto estilo filme da Pixar. A direcção artística extremamente apelativa era algo que saltava imediatamente à vista sempre que um novo trailer era divulgado nas redes sociais. Mas agora que o jogo já se encontra disponível para PC, PS5 e PS4, chega a hora de confirmar se era apenas fogo de vista ou se a excelente apresentação é suportada por uma jogabilidade sólida.

Kena: Bridge of Spirits não tinha muita coisa a seu favor, porque este foi o projecto de estreia do estúdio Ember Lab e da sua pequena equipa de desenvolvimento. Como se já não fosse complicado um pequeno estúdio indie criar um primeiro jogo de qualidade, ainda há que ter em consideração o facto de os colaboradores virem de um background de filmes de animação e não de videojogos. Aliás, este mesmo estúdio criou no passado um pequeno vídeo animado que visava explorar o conceito de como seria The Legend of Zelda: Majora’s Mask em formato de filme animado. A experiência nesse ramo faz-se mesmo sentir em todo o jogo, tanto nas animações faciais expressivas das personagens, como no design colorido e saturado dos cenários, ou das simples interacções com o mundo. De facto, a cinematografia de Kena: Bridge of Spirits é excelente. Diria até que artisticamente este é um jogo imaculado e que facilmente conseguiria ver este título ser adaptado para um filme. Aqui enquadro também a fantástica banda sonora que acompanha perfeitamente todos os momentos de jogo e um voice acting de qualidade.

Kena: Bridge of Spirits, tal como o título deixa sugerir, segue as aventuras de Kena, uma guia espiritual, que viaja para uma vila abandonada em busca do santuário sagrado da montanha. Mas esta comunidade esquecida oculta muitos segredos e espíritos errantes permanecem incapacitados de seguir em frente. Kena terá de batalhar para desvendar os mistérios desta vila e, para isso, contará com a ajuda dos Rot, pequenas criaturas tímidas que se escondem por toda a floresta e que são importantes para manter o equilíbrio ao decompor elementos mortos e apodrecidos. Embora não seja uma história muito complexa ou cheia de reviravoltas, gostei do que foi apresentado e as personagens que se encontram ao longo da aventura. Só tenho pena que o jogo não tenha dado um pouco mais de atenção a Kena, à própria protagonista, porque se chega ao fim com a sensação de que não se ficou a conhecer bem esta personagem.

Quem jogou algum jogo de acção estilo God of War, Horizon Zero Dawn ou Dark Souls rapidamente se habituará ao sistema de combate aqui presente. R1 é o ataque fraco, R2 o ataque forte, sendo também possível fazer charge attack ao manter o botão pressionado, e círculo serve para os desvios. L1 é o botão de parry/shield. Tudo muito standard para o género de jogo em questão, como seria de esperar. Eventualmente, a arma de Kena também se transformará num arco, dando-lhe assim uma opção de ataque a longa distância. Dentro das batalhas, Kena pode contar com a ajuda dos Rot na hora de destruir coisas corrompidas ou distrair os adversários por alguns momentos. Uma palavra para as batalhas de boss intensas e desafiantes, uma vez que obrigam a que se tire total partido das ferramentas oferecidas.

Ao derrotar inimigos, Kena vai ganhado Karma que serve para desbloquear novos golpes e habilidades. No entanto, este é um aspecto que tem algumas falhas. Algumas das novas habilidades realmente fazem-se sentir positivamente no combate, como é o caso do Rot Hammer, um charge attack que conta com a ajuda dos Rot, mas outras habilidades são coisas que já deveriam de fazer parte do leque de ataque de origem, como a possibilidade de atacar num salto ou de atacar no final de um sprint. Estas duas coisas são movimentos tão básicos e elementares que não deveriam fazer parte da skill tree deste jogo.

Mas Kena: Bridge of Spirits não vive só de combate. O jogo oferece uma boa dose de exploração e puzzles à mistura. Com o progredir da aventura, Kena terá de completar puzzles bastante interessantes ao manipular o cenário. Ela também contará com a ajuda dos Rot, pedindo-lhes para mover objectos ou destruir coisas corrompidas. Existem bastantes coleccionáveis para quem quiser fazer os 100%, mas acho que neste caso em particular, as recompensas não são assim tão interessantes. E essas recompensas são chapéus para os nosso amiguinhos Rot. A campanha dura cerca de 10 horas, mas quem quiser fazer tudo, poderá retirar umas 20 horas de jogo.

Visualmente, este é um jogo muito belo, com cenários e personagens cheios de detalhes. Por vezes até custa a acreditar que Kena: Bridge of Spirits foi feito por uma pequena equipa sem experiência nesta industria. O jogo apresenta dois modos gráficos: um modo resolução a 4K/30 FPS e um modo performance a 4K dinâmico a 60 FPS. Este modo performance é o recomendado, já que a perda de resolução não se faz sentir, mas o aumento de fluidez é bastante notório. Se há algo que poderia de estar melhor são as cutscenes, ou melhor, a forma como foram renderizadas. O jogo corre a 60 FPS em modo Performance e algumas cutscenes são em tempo real, também a 60 FPS. Contudo, outras cutscenes são pré-renderizadas a 24 FPS, como se fosse um filme, e nessas situações, é bastante notório o salto de 60 FPS para 24 FPS. Sendo cutscenes, é claro que não têm impacto na jogabilidade, mas é uma mossa naquele que é um jogo com uma excelente apresentação.

Kena: Bridge of Spirits não visa revolucionar o género com novas ideias, mas isso também não é um requisito para apresentar um jogo de qualidade. São utilizados elementos vistos em outros jogos, mas também são apresentadas algumas ideias novas e um estilo visual muito característico. Algumas cutscenes a 24 FPS e o tropeçar do sistema de progressão são os principais aspectos a criticar, mas no final de contas, este continua a ser um bom jogo e uma grande forma do estúdio Ember Lab se estrear na industria dos videojogos.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 8

8

Apesar de alguns aspectos menos bem conseguidos, Kena: Bridge of Spirits é um jogo solido e um bom projecto de estreia para o pequeno estúdio Ember Lab.

User Rating: 4.23 ( 2 votes)

Ricardo Silvestre

É o editor da ZWAME Jogos e faz um pouco de tudo no site. Gosta em particular de jogos de corrida, jogos de luta e RPG's, mas também não diz que não a um bom jogo com loot.
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