Análises

Control

Um dia diferente no escritório.

Versão testada: PlayStation 4 Pro

Depois de Quantum Break, a Remedy volta novamente à carga, desta vez com Control. À primeira vista, estes dois títulos podem parecer semelhantes, pois ambos apresentam protagonistas com poderes sobrenaturais, mas um olhar mais atento revela que não é bem assim. Quantum Break foi um título experimental que tentou casar um videojogo com uma série televisiva tendo, nesse processo, perdido algum foco na experiência. Mas Control deixa essa natureza experimental de parte e apresenta uma experiência single player narrativa mais tradicional, resultando assim naquele que é [REDACTED].

Em Control seguimos as pisadas de Jesse Faden, uma mulher com um passado misterioso, que anda à procura do seu irmão há muito desaparecido. A sua demanda leva-a a entrar numa agência secreta em Nova Iorque, quando esta está a ser invadida por uma ameaça de outra dimensão. O próprio edifício onde a agência se encontra, chamado Oldest House, não é um edifício comum, dando margem de manobra para que muitos segredos e mistérios se escondam entre aquelas estranhas paredes. Obviamente, não vou entrar em muitos mais detalhes para não estragar a surpresa a ninguém, mas Control é um título super interessante e misterioso que, com sucesso, vai deixando migalhas para manter o jogador preso ao ecrã mas sem nunca perder o mistério.

Os cenários presentes em Control são pesados e claustrofóbicos, e apesar de acção decorrer dentro do edifício, existe uma boa variedade de ambientes. Cada local tem as suas próprias características e, por vezes, até somos brindados com visitas a outras dimensões. O ambiente geral e a narrativa são também bastante beneficiadas pela quantidade generosa de coleccionáveis. Estando no meio da sede de uma agência secreta, é normal a existência de bastantes documentos que descrevem as suas investigações e as ocorrências de eventos paranormais. Estes documentos, dada a sua natureza secreta, estão parcialmente censurados, mas revelam informação suficiente para o jogador ir percebendo a natureza da ameaça e das experiências realizadas pela agência.

Importa mencionar que a narrativa é complementada por um voice acting de grande qualidade. A actriz Courtney Hope, que dá cara e voz a Jesse Faden, protagonista de Control, faz um excelente trabalho na entrega das suas falas e das emoções. E a qualidade do voice acting estende-se ao restante elenco, incluindo ao Ahti, o misterioso porteiro que aparenta saber mais do que deixa entender. A música também ela é exemplar, conseguindo encaixar perfeitamente nos momentos mais intensos e criando um ambiente pesado nos momentos mais pausados.

No que toca à jogabilidade em si, Control é um third-person shooter em que temos à nossa disposição algumas habilidades paranormais adquiridas ao longo da campanha. Como consequência, o combate aqui presente é bastante divertido e diversificado. Ao início pode parecer algo limitado, mas à medida que vamos ganhando novas habilidades, o número de opções disponíveis em combate vai aumentando. Estas habilidades incluem um desvio, levitação e o atirar objectos do cenário, sendo possível utilizar algumas destas coisas em simultâneo (exemplo: fazer um desvio enquanto estamos a levitar). Além de mais, Control tem uma boa variedade de inimigos e que aparecem em diferentes combinações de unidades, o que incentiva a que estejamos em constante movimento e que utilizemos frequentemente as habilidades.

Além das habilidades paranormais, Jesse também à sua disposição a Service Weapon, uma arma modular que assume diferentes formas e que tem munições infinitas (mas que utiliza um carregador com munições limitadas). Grip é a forma original e funciona como um normal revolver, enquanto que Shatter funciona como uma caçadeira. Por sua vez, Spin é o equivalente a uma metralhadora. No total, a Service Weapon tem cinco variantes, que podem ser melhoradas para acomodar mais mods, de forma a aumentar o dano base ou a cadência de tiro, entre outras coisas. Jesse também utiliza mods pessoais, com o intuito de aumentar a vida máxima, a barra de energia ou a eficácia de certas habilidades.

Há que dar crédito a Control pelo seu fantástico sistema de combate. Em vez de fazer o mesmo que a maioria dos outros jogos do género, Control incentiva a que o jogador seja criativo, que arrisque, e que pense em formas improváveis de lidar com as situações. O mesmo é aplicado ao sistema de vida, pois a única forma de recuperar vida sem ser num ponto de controlo/teleporte e ao apanhar pequenos fragmentos que os inimigos vão deixando cair à medida que levam com tiros nossos. Estão com pouca vida? Por vezes, a melhor forma de sair destas embrulhadas é ir para o meio da acção, apanhar os fragmentos de vida, e espalhar o caos entre os inimigos com os nossos poderes.

Completar missões e descobrir áreas secretas oferece pontos de habilidade que podem ser usados para aumentar stats ou para expandir os poderes paranormais de Jesse. Por exemplo, a habilidade Launch, que permite pegar em objectos do cenário e atirá-los contra os inimigos, apenas consegue utilizar pequenos objectos ao início, mas quando evoluída ao máximo, não só consegue utilizar objectos de maior porte, como também consegue pegar em inimigos. Mas o que mais gostei foi o facto de as melhorias às habilidades de Jesse fazerem-se sentir durante os combates. Além disso, derrotar inimigos pode resultar na obtenção de materiais que podem ser usados para melhorar a Service Weapon ou para criar mods para a arma ou para a Jesse.

A campanha em si dura cerca de 20 horas, mas também existem missões secundárias e algumas áreas adicionais. Para o tipo de jogo que é, esta é uma boa longevidade, não havendo o risco de se arrastar ou de começar a perder o interesse. Um aspecto que me apanhou desprevenido, pela positiva, tem a ver com a progressão, que é bastante metroidvania. Avançamos até certo ponto onde recebemos uma habilidade ou um item, que nos permite voltar atrás e explorar uma área que estava, até então, inacessível. E tal como é hábito nos metroidvania, o conhecimento do mapa é muito importante para a navegação e para se saber qual o caminho certo.

Até agora, tudo bem. Contudo, onde o jogo falha, é no aspecto técnico. Visualmente, Control é um jogo bastante belo e detalhado, com um grande sistema de iluminação, que tira bastante partido do contraste de cor, nomeadamente entre o cinzento das paredes da Oldest House com os amarelos e vermelhos fortes de algumas áreas. Além disso, nunca perde a piada ver objectos a irem pelos ares nos cenários durante os confrontos. Mas o que falha é a performance. A versão testada, que foi a versão PS4 Pro, é estável e mantém-se frequentemente nos 30 fps, apresentando algumas quebras quando existe muito espalhafato no ecrã. Nada de extraordinário, mas nota-se quando acontece. Também tive a oportunidade de jogar algumas horas na PS4 standard, e aqui, a história é diferente, pois o jogo tem quebras de fluidez demasiado frequentes e por longos períodos. É preciso salientar que a Remedy reconheceu o problema e encontra-se a trabalhar numa actualização para melhorar a performance nas consolas, mas por agora, as coisas são o que são.

Control é um casamento perfeito entre narrativa, exploração e combate. A enorme atenção ao detalhe é complementada por um bom elenco de actores e por uma protagonista verdadeiramente interessante. A Oldest House é um local fantástico de explorar, com algumas áreas surpreendentes, e com batalhas que vão progressivamente aumentando de dificuldade e de espectacularidade. São precisas melhorias à performance do jogo nas consolas, algo que está a caminho, mas mesmo assim, mesmo com estes problemas, Control é o meu jogo favorito da Remedy até à data e é totalmente recomendado a qualquer um que queira uma boa experiência single-player.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 8.5

8.5

Em essência, Control é a mistura ideal entre narrativa, jogabilidade e estranheza, e é sem dúvida um dos melhores trabalhos vindos da Remedy.

User Rating: 3.45 ( 2 votes)
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