Análises

Death Stranding: Director’s Cut

O estafeta lendário

Versão testada: PlayStation 5
Disponível para: PlayStation 5

Lançado originalmente em 2019 para a PS4, Death Stranding ofereceu uma experiência diferente daquilo que Kojima nos tinha habituado com Metal Gear Solid, o que apanhou alguns jogadores de surpresa, especialmente aqueles que estavam a contar com algo mais focado em acção. Ainda assim, Death Stranding acabou por ser considerado como um dos melhores jogos desse ano e foi sem dúvida o meu favorito. Em retrospectiva, até se pode dizer que foi um jogo à frente do seu tempo devido à situação que todos sabemos e que vivemos há mais de ano e meio. Agora é a vez de o jogo chegar à PS5, graças a uma edição graficamente melhorada e com mais conteúdo.

A primeira coisa que me veio à cabeça quando comecei a jogar Death Stranding: Director’s Cut na PS5 foi a quantidade de informação que retive 2 anos depois de ter jogado a versão PS4, coisa que não esperava. Parece que o jogo foi mais marcante do que julguei, porque fui-me lembrando de cenas ou diálogos há medida que ia avançando pela campanha. Curiosamente, isso não retirou a minha vontade em continuar a jogar nem retirou o meu desejo de me ver o mais longe possível dos BTs, porque já sabia o que eram e porque o conceito arrepia-me.

Mas para dar algum contexto sem spoilers a quem não jogou a versão PS4, Death Stranding leva o jogador a seguir as pisadas de Sam Porter Bridges, um estafeta que tem a missão de fazer importantes entregas aos sobreviventes de um incompreensível evento pós-apocalíptico. Durante uma missão logo no início do jogo, Sam e mais alguns membros do Corpse Disposal Team 6 vêem-se cercados por entidades chamadas Beached Things (BT para abreviar), que causam uma enorme explosão que destrói tudo numa vasta área. Na consequência desse incidente, Sam vê-se forçado a desempenhar um conjunto de tarefas que têm como objectivo final conectar o país de uma ponta a outra, com uma rede de informação chamada Chiral Network. O nível de “kojimice” é elevado e por vezes complicado de seguir com tantos termos para decorar como BT, Beach, DOOMS, Voidout, MULE e por aí fora, mas tudo acaba por ser explicado há medida que se avança pela campanha.

Death Stranding não é tão focado na acção como outros projectos saídos da mente de Hideo Kojima, o que acaba por explicar a resistência de alguns jogadores há dois anos atrás, mas esse acaba por ser um dos pontos fortes deste jogo. Death Stranding não é tanto o que acontece no destino mas sim a própria jornada. O acto de planear uma entrega ao escolher a melhor rota possível e tentar prever que ferramentas serão necessárias é bastante satisfatório e, surpreendentemente, muito viciante. Isso acontece por várias razões. Primeiro, pelo próprio desafio oferecido pelo mapa, pela chuva que vai estragando a caixa que protege as encomendas, e por algum tipo de inimigo. Depois, porque há medida que se vai ganhando mais reputação com um cliente, vai-se igualmente desbloqueando ferramentas que poderão vir a ser úteis em missões seguintes, como uma mota com um atrelado, uma arma melhorada ou um exoesqueleto mais eficaz. Por fim, o próprio cenário reflecte a passagem do tempo, porque vai ganhando um caminho marcado devido à nossa passagem e à passagem de outros NPC’s amigáveis.

Death Stranding tem também uma componente online bastante interessante. É possível encontrar encomendas de outros jogadores perdidas pelo mapa que podemos apanhar e entregar no cliente correcto ou passar a um outro jogador através de uma caixa postal online. Contudo, importa salientar que entregar no destino é mais vantajoso, porque a recompensa é maior. Além disso, também vemos estruturas construídas por outros jogadores no mapa, incluindo pontes, abrigos ou geradores, e todos os jogadores podem contribuir com materiais para construir estradas de forma a facilitar as deslocações. Pode ser trabalhoso e ser preciso investir algum tempo, mas compensa a longo prazo e facilita imenso realizar as entregas de maior volume ou cujas encomendas sejam frágeis.

O jogo tem uma boa longevidade. Lembro-me de ter completado a campanha na PS4 em cerca de 40 horas, tendo depois investido mais 25 horas posteriormente a construir o resto das estradas e a realizar as missões que tinha deixado por fazer. Confesso que não estava à espera, mas regressar a este jogo, agora na PS5, foi muito agradável, a ponto de ter colocado quase 30 horas em cima. Isso deve-se à qualidade do jogo, claro, mas também às melhorias técnicas. Os jogadores na PS5 podem escolher um modo focado na resolução e um modo performance focado nos 60 FPS. Além disso, os gráficos foram ligeiramente melhorados face à versão PS4 Pro, apresentando alguns elementos mais detalhados.

Mas Death Stranding: Director’s Cut é mais do que uma simples melhoria de performance e resolução, só que devido à natureza do jogo, é difícil separar o novo do velho. Nesta versão Director’s Cut, os tutoriais foram revistos para passar informação importante mais facilmente. Além disso, foi introduzido algum equipamento novo relativamente cedo na aventura para facilitar o progresso nesta fase. Ao completar o pedido nº 77, que é obtido ainda em Distribution Center West of Capital Knot City, os jogadores podem obter a Maser Gun, uma nova arma que incapacita inimigos humanos, e o Support Skeleton, um novo exoesqueleto que visa permitir que Sam carregue mais peso e corra mais rápido. E com o desbloquear de armas, Sam ganha acesso à Firing Range, que oferece várias missões virtuais do género que alguns Metal Gear Solid incluíram no passado.

Outras novidades incluem a implementação de pista de corridas acessível no episódio 3, e de ferramentas como Cargo Catapult para atirar encomendas a uma longa distância, Jump Ramps que permitem que Sam salte facilmente desfiladeiros dentro de veículos, Chiral Bridges, que são pontes apenas acessíveis a Sam, Buddy Bot, um companheiro robot que acompanha Sam e ajuda a transportar mais carga, e mais personalização, entre outras coisas. Além disso, Death Stranding: Director’s Cut inclui também novas missões que levarão os jogadores a uma fabrica misteriosa. De referir que os jogadores que jogaram Death Stranding na PS4 poderão importar o seu save para a Director’s Cut na PS5, mas o processo ainda é o antigo, ou seja, é preciso ir à versão PS4 fazer upload dos saves para a cloud e depois ir à versão PS5 fazer download. Ao fazerem a importação do save, recebem também os troféus desbloqueados na versão PS4. De qualquer forma, devido às novidades e melhorias feitas nesta nova versão, recomendo que comecem uma aventura do início.

Olhando para o que escrevi em 2019 na review à versão PS4, devo dizer que o meu sentimento para com este jogo não se alterou. Death Stranding continua a ser uma das minha experiências favoritas dos últimos anos, seja pelo mundo criado ou pelo foco da jogabilidade incentivar uma menor passividade das acções por muito banais que sejam. As melhorias gráficas e de performance presentes na versão PS5 realçam positivamente o fantástico aspecto técnico do jogo, e todas as novidades e adições incluídas em Director’s Cut fazem um grande trabalho em expandir ainda mais o estranho mundo de Death Stranding. Quem for entrar pela primeira vez em Death Stranding vai ter à sua frente uma experiência única, e quem vier da PS4 pode ficar descansado, porque o preço pedido pelo upgrade é totalmente justo.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 9

9

Aquele que foi um dos meus jogos favoritos da geração passada regressa com visuais aprimorados e mais conteúdo.

User Rating: 2 ( 4 votes)

Ricardo Silvestre

É o editor da ZWAME Jogos e faz um pouco de tudo no site. Gosta em particular de jogos de corrida, jogos de luta e RPG's, mas também não diz que não a um bom jogo com loot.
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