Análises

Bravo Team

Sob fogo cerrado

Versão testada: PlayStation VR (com a PlayStation 4 Pro)

Recentemente tive a oportunidade de analisar um pequeno jogo chamado Moss. Foi um título que me apanhou de surpresa, porque soube utilizar a Realidade Virtual a seu favor, de forma a apresentar uma experiência cativante. Porque é que estou a falar de Moss agora? Porque a transição desse título para Bravo Team foi um choque tremendo a nível de qualidade, a ponto de serem completos opostos. Um é um exemplo do que um título de Realidade Virtual deve ambicionar ser, enquanto que o outro é um perfeito exemplo do quão mau pode ser um título de Realidade Virtual quando utiliza mal esta tecnologia.

Bravo Team é um shooter da autoria da Supermassive Games, produtora que nos trouxe os jogos Until Dawn, Until Dawn: Rush of Blood e The Inpatient, sendo estes dois últimos para o PlayStation VR. Ora, estes três jogos são bons, o que torna ainda mais surpreendente o desastre encontrado em Bravo Team. E não me refiro apenas à parte gráfica, mas também ao aspecto técnico e à jogabilidade. Os problemas existentes não estão centrados apenas num único aspecto, infelizmente.

Em essência, Bravo Team é um estranho cruzamento entre Rainbow Six e Time Crisis, no sentido em que mistura um estilo cover-shooter com um movimento quase on-rails. O nosso movimento é bastante limitado, sendo possível entrar ou sair de cover com apenas o toque de um botão. Tirando isso, o nosso boneco permanece fixo no mesmo lugar. Enquanto estamos em cover, podemos espreitar através das esquinas, disparar com mira feita, disparar às cegas por cima da cabeça ou avançar para outra cover. Quando escolhemos uma nova cover, o nosso boneco corre automaticamente para o local e a camera de jogo passa de ser na primeira pessoa para ser na terceira pessoa.

A maior parte do tempo é passado a lutar contra os controlos. Percebo que as decisões tenham sido tomadas para reduzir a sensação de náusea, mas a execução não foi bem feita. Podemos rodar em 180º, e quando usado o DualShock 4, podemos rodar em 360º, 90º de cada vez. Mas seja qual for a forma de controlo escolhida, o movimento nunca é fluído. O Controlador de Mira ajuda um pouco, mas a sensação de que algo não está bem é uma constante. Para além de haver imput lag, o posicionamento da arma e da retícula é simplesmente estranho e pouco natural. Nas poucas instâncias em que tudo funcionou bem, o jogo mostra o ar da sua graça e torna-se divertido.

O arsenal à nossa disposição está limitado a quatro armas de fogo, mas nenhuma passa a sensação de poder e eficácia. As granadas estão ausentes, o que é uma pena, porque durante a campanha existem várias situações onde as granadas seriam perfeitas para lidar com os inimigos. A campanha, cuja duração tem cerca de três horas, não é particularmente interessante. Podemos dar ordens ao nosso companheiro, de forma a conseguirmos aguentar um determinado local ou para nos dar fogo de cobertura, mas nem sempre funciona bem. Por sua vez, a IA dos inimigos deixa bastante a desejar. Caso queiram, podem fazer a campanha com um amigo, mas a experiência não melhora assim tanto.

Os problemas não se ficam por aqui. Entre os vários bugs e glitches que apanhei, destaco o ter visto o meu companheiro de equipa a trespassar paredes ou a ser completamente ignorado pelos inimigos. E visualmente, Bravo Team fica aquém do esperado. Eu sei que é um título de Realidade Virtual, como tal, os gráficos não conseguem igualar os jogos tradicionais, mas neste caso, a arte e o estilo gráfico não ajudam a esconder os defeitos. Em algumas alturas, os tons predominantes de cinzento e castanho, até deixam passar a ideia de que estamos perante um título de inicio da geração passada.

Será que os problemas técnicos poderão ser corrigidos futuramente? Quem sabe. É possível que os bugs e aspectos menos bem conseguidos venham a ser totalmente corrigidos, ou pelo menos, melhorados através de actualizações. Mas com tantas e melhores opções disponíveis no mercado para o PlayStation VR, é difícil recomendar Bravo Team. Este título não mostra o que a Realidade Virtual é capaz.

Nota editorial: Cópia fornecida pela editora para efeitos de análise.

Veredito

Nota Final - 5

5

Bravo Team falha em demonstrar aquilo que a Realidade Virtual é capaz. Em vez disso, é um título que falha em todos os departamentos.

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