Análises

Batman: Arkham City

Uma noite em Arkham City pode não ser fácil na pele do Batman, mas não há dúvida de que é uma experiência memorável e, acima de tudo, divertidíssima.

Na maior parte das apresentações pré-lançamento do jogo feitas pela Rocksteady, os representantes do estúdio não se cansavam de sublinhar que o objectivo com Batman: Arkham City não era criar o maior open world possível, mas sim criar o mais detalhado. E isso comprova-se depois de algum tempo a “passear” pela cidade-manicómio. Neóns de várias cores, cartazes de publicidade e propaganda, um elevado número de criminosos e as suas conversas (algumas delas bastante cómicas, havendo até referências à rede social Facebook ou à série Lost), referências a outras encarnações do Cavaleiro das Trevas ao longo dos tempos e a muitas personagens que integram o seu universo, troféus do Riddler em toda a parte (a maior parte destes desbloqueia algo, seja artwork, modelos 3D dos personagens ou pequenas histórias que ajudam a melhor compreender a narrativa)… Tudo isto contribui para tornar Arkham City num sítio credível e apelativo. Espalhados pelos vários territórios da cidade estão alguns edifícios que é onde se passa a maior parte da acção que avança a história. Nestes, a jogabilidade processa-se de forma semelhante à de Arkham Asylum, o que invoca uma sensação agradável de familiaridade.

“Hey, isso é muita giro, mas explorar uma cidade que, supostamente, é 4 a 5 vezes maior que a ilha onde o Batman: Arkham Asylum se passou a planar lentamente como o Batman planava nesse jogo não deve ter muita piada.” – Verdade, verdade… Ainda bem, então, que a Rocksteady aumentou drasticamente a mobilidade do personagem, porque neste jogo ele não plana. Ele voa. A mecânica é simples e divertida: saltar de um edifício, mergulhar gloriosamente em direção ao chão e puxar o analógico para baixo (controlos invertidos) no último segundo para planar voar. Uma vez dominada a técnica, o simples acto de ir de um ponto até outro é, em si, um prazer enorme. [É aconselhável completar os primeiros quatro desafios da missão secundária AR Knight, de forma a desbloquear um upgrade para a Grapple Gun que facilita ainda mais o movimento do Batman.]

Ou então, voltando um bocadinho atrás, em vez de puxar o analógico e continuar o vôo, porque não completar o mergulho e aterrar no meio de um grupo de inimigos? Aí entra em acção a componente beat ‘em up do jogo, na forma da mecânica Freeflow. Os que jogaram Arkham Asylum sabem como funciona: um botão para atacar, um para contra-atacar, um para atordoar inimigos, alguns gadgets à mistura, algumas combinações que resultam em movimentos especiais e uma boa dose de ritmo. Simples. No entanto, também o combate foi melhorado nesta sequela e agora há uma maior variedade de inimigos, que obrigam à utilização de tácticas específicas para serem neutralizados, uma maior integração dos gadgets em combate, mais animações (e melhores) e mais movimentos. Muitos destes podem ser desbloqueados com pontos de experiência ganhos ao longo do jogo.

O último pilar que compõe a jogabilidade, o modo Predator, é talvez aquele onde as melhorias são mais subtis e não têm um impacto tão grande. Há inimigos que conseguem inutilizar o Detective Mode até serem neutralizados, outros que colocam minas para dificultar o movimento de Batman, outros que destroem as famosas gárgulas (ou qualquer que seja o objecto onde o Batman se esconde, algures por cima dos inimigos) e há ainda alguns com óculos de visão térmica. Nada que torne as coisas demasiado difíceis, de qualquer forma.

Por tudo aquilo que Batman: Arkham City faz bem, no entanto, há potencial desperdiçado em certas situações. Há personagens que não são devidamente desenvolvidas no jogo e que podiam ter dado origem a sequências jogáveis bastante interessantes. Também algumas das missões secundárias sofrem do mesmo mal: facilmente se poderia fazer algo de superior com as ideias e conceitos presentes. Outro elemento que não foi tão bem aproveitado como deveria foi a inclusão de Catwoman como personagem jogável. É uma personagem única com os seus próprios movimentos, gadgets e história, é certo, mas as suas missões não são nada de especial e a personagem em si não foi integrada da melhor forma na narrativa principal. Para além disso, está associada a um Online Pass (incluído em todas as cópias novas mas que terá de ser adquirido separadamente, caso a cópia comprada seja usada). Apesar de tudo, a história é interessante, tendo a sua quota parte de momentos surpreendentes e reviravoltas, as lutas contra bosses foram melhoradas de forma significativa e é de louvar a variedade de situações em que o jogo nos coloca ao longo do enredo principal.

Gráfica e artisticamente, o jogo fala por si. Poucos são os jogos que usam o Unreal Engine 3 e que têm melhor aspecto, mesmo tendo em conta que alguns dos problemas associados ao motor gráfico estão presentes, como por exemplo o atraso na aplicação de algumas texturas (nada que afecte a experiência no seu todo). Também de admirar é a forma como a Rocksteady é coerente na maneira como constrói a identidade visual do mundo e reinterpreta personagens clássicos. Em termos de som, as vozes são de grande qualidade, tal como no jogo anterior, assim como os efeitos sonoros e a banda sonora, sendo esta última uma das grandes surpresas do jogo, com vários temas difíceis de esquecer e que em muito ajudam à atmosfera.

Brilhante e repleto de conteúdo, Batman: Arkham City deve ser jogado por todos aqueles que gostam de diversão, quer sejam fãs de Batman ou não.

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