Análises

Pikmin 3

Num planeta onde até a mais pequena flor é muito maior que nós, por mais bonitas que sejam as paisagens, o fim pode estar à espreita atrás de qualquer pedra ou escondido no meio de um tufo de relva. E quando estamos a mercê de gigantes e nos apercebemos da nossa insignificância neste estranho mundo, eis que surgem criaturas ainda mais pequenas que nós, frágeis, vulneráveis e não muito inteligentes, mas que mesmo assim imediatamente dão o seu todo para nos ajudar, mesmo que para isso morram.

Esta é a história de como três astronautas em busca da solução para a escassez de alimentos no seu mundo se despenharam num planeta desconhecido e de como os pequenos Pikmin os ajudaram na sua demanda.

WiiU_Pikmin3_scrn02_E3Após praticamente 9 anos sem uma nova entrada na série e depois de ter sido adiado, eis que chega finalmente Pikmin 3 à Wii U. Para quem nunca jogou os anteriores, Pikmin 3 é um jogo de estratégia com menos ênfase na micro gestão e com uns toques de acção onde nos seguem até 100 Pikmin, uma mistura entre plantas e formigas que podemos atirar e direccionar para atacar inimigos e realizar várias tarefas. O nosso objectivo é apanharmos os frutos espalhados pelo mundo e para isso precisamos da ajuda dos Pikmin para os transportar visto que até uma laranja é do tamanho de um pequeno prédio comparada com o tamanho das nossas personagens. O nosso tempo em cada nível é limitado, pois temos que nos recolher para a nave antes de vir a noite, quando os animais são mais ferozes, por isso é preciso saber gerir o tempo e decidir deixar alguns objectivos para o dia seguinte.

Uma das novidades é que aqui controlamos três personagens em vez de duas (ou apenas uma no primeiro Pikmin) e há um grande ênfase em dividirmos a nossa atenção entre os três para chegar a sítios de outra maneira inacessíveis e usar o nosso tempo de uma maneira mais eficiente, fazendo o máximo de trabalho no mínimo de tempo possível até porque estamos dependentes da quantidade de sumo espremido da fruta que apanhamos para sobreviver. A isto junta-se a utilização do Gamepad como mapa que além de mostrar a localização das nossas personagens, Pikmin e frutos, também nos permite dar ordens a cada personagem para ir automaticamente para um local já visitado. Poder fazer isto a qualquer instante apenas com uns toques sem ter que perder tempo ou navegar em menus faz uma diferença tremenda na maneira como se joga e cria estratégias.

137346173552O que não faltam são métodos de controlo. Podemos usar o Gamepad como comando e mapa, apenas o Gamepad sem o uso da TV ligando o mapa carregando para baixo no D-pad, e também se pode usar o Pro Controller assim como o comando da Wii mais o nunchuck. Este último método é sem dúvida a melhor maneira de jogar, sendo mesmo recomendado pelo próprio Shigeru Miyamoto. Quem jogou as versões Wii do Pikmin 1 e 2 sabe que apontar com o comando é muito mais rápido e preciso do que usar o analógico, permitindo uma gestão muito melhor dos Pikmin e muito mais destreza especialmente durante os momentos de maior stress. Com um Motion Plus ou um Remote Plus, os controlos ficam ainda melhores porque o cursor continua a funcionar mesmo que o comando deixe de captar o sensor. Enquanto usamos tanto o comando da Wii como o Pro Controller, podemos continuar a usar o Gamepad como mapa, unindo o melhor de dois mundos. Se a TV não estiver disponível e quiserem usar os outros comandos, também é possível. Apesar de o comando da Wii ser o método de controlo superior, todos os outros funcionam perfeitamente bem.

Pelo caminho perdeu-se a possibilidade de fazer swarming, uma maneira de encaminhar directamente os nossos Pikmin numa direcção sem ter que os atirar. Em vez desta acção podemos agora fazer lock-on num inimigo ou objecto e lançar todos os Pikmin à carga assim como a hipótese de fazê-los rebolar para a esquerda ou direita para se desviarem de ataques inimigos. Isto compensa maioritariamente a falta de swarming, não havendo nenhum momento em que faça falta essa habilidade, mas não deixa de ficar a sensação que era uma maneira mais directa e intuitiva de controlar o nosso exército.

Também ausentes estão as cavernas que apareceram no Pikmin 2 onde não havia limite de tempo, mas também não podíamos arranjar mais Pikmin do que os com que entrávamos. Estas cavernas eram basicamente masmorras desenhadas aleatoriamente e ofereciam um desafio bem-vindo e um contraste interessante com o ambiente colorido do exterior, mas a verdade é que passava-se demasiado tempo dentro delas e isso ia contra uns dos pontos mais fortes do jogo, os belos e relaxantes cenários exteriores assim como a sensação de escala . Sendo assim, as cavernas como existiam no Pikmin 2 não fazem falta, não só porque aqui também visitamos cavernas inseridas naturalmente nos cenários e não feitas aleatoriamente, mas especialmente porque as várias missões que temos fora do modo de história fornecem um desafio com um número de Pikmin limitado semelhante, apesar de bem mais difícil.

WiiU_Pikmin3_2_scrn05_E3-620xNo modo história temos cinco tipos de Pikmin diferentes: vermelhos, amarelos, azuis, voadores e de rocha, sendo estes últimos dois uma novidade. Cada tipo tem habilidades específicas, algumas já conhecidas dos jogos anteriores, outras novas, mas deixo-as para serem descobertas no jogo. Coordenar os diferentes tipos de Pikmin juntamente com as três personagens e saber delinear funções é o cerne do jogo, o que significa que substituir os Pikmin roxos e brancos do segundo jogo pelas novas espécies é uma escolha lógica, pois coordenar e escolher entre sete tipos diferentes ao mesmo tempo que dividimos a nossa atenção em três frentes seria demasiado confuso e caótico. No entanto, os Pikmin em falta aparecem nas missões, por isso não vais ter saudades dos roxos gorduchos e dos venenosos brancos.

Tal como nos primeiros dois jogos, os níveis primam pela sua beleza natural e sentido de escala, mesmo com a nossa cabeça a funcionar a mil para desenvolver estratégias eficientes, há algo de relaxante em passear pelo meio de flores dezenas de vezes o nosso tamanho, subir para cima de troncos de árvore cortadas, passar por riachos que na realidade não devem passar de fios de água, andar pela neve, deslizar por inclinações congeladas e explorar grutas completamente escuras à excepção da fraca e azulada luz dada por cogumelos possivelmente radioactivos.

Se artisticamente é impecável, tecnicamente revela algumas falhas por vezes: algumas texturas, nomeadamente as do chão não são as melhores e certos modelos precisam de mais polígonos. No entanto, no geral é um jogo lindíssimo e que também tem os seus bons momentos técnicos, com bastantes bons modelos e óptimo uso de vários efeitos como o depth of field. Não será fácil encontrar outro jogo onde a fruta tenha tão bom aspecto. O jogo corre a 720p com 30 fps constantes, isto com 100 coloridos e adoráveis Pikmin a correrem e saltarem de um lado para o outro enquanto transportam fruta, constroem pontes, atacam inimigos e derrubam paredes. Para verdadeiramente apreciar os gráficos, recomenda-se usar a câmera fotográfica para ver o mundo de outro ângulo, podendo até partilhar as fotos no Miiverse.

Para acompanhar isto, há uma miríade de efeitos sonoros vindos dos seres vivos e do ambiente a darem vinda ao jogo e uma banda sonora que apesar de não deixar muitas músicas na cabeça, está perfeitamente adequada tanto aos momentos relaxantes como aos stressantes, mudando consoante a situação.

UE8Chegar do início ao fim do modo de história sem voltar atrás para apanhar toda a fruta, deve demorar entre as 10 e 15 horas de acordo com as capacidades de cada um e quem já dominou os anteriores jogos não deverá achar a maioria do jogo muito difícil, no entanto e apesar da geral falta de sentimento de perigo, é desafiante, especialmente se quisermos ser eficientes, tendo nesse caso que fazer uma grande ginástica mental para optimizar os nossos recursos. Ficar-se pelos créditos finais e não apanhar os frutos todos é um disparate, voltar aos níveis que não explorámos completamente, apercebermo-nos das novas possibilidades que se abriram com os novos Pikmin que fomos recrutando e chegarmos até à fruta mais escondida e bem protegida é uma das melhores partes do jogo. Isto para não dizer que podem-se adicionar mais umas boas horas de jogo com isto.

Igualmente importante é não ignorar as missões, que preenchem grande parte das lacunas que se possam sentir no modo história. Não só temos os Pikmin roxos e brancos de volta e um número fixo de bichos com quem trabalhar à semelhança das cavernas do segundo jogo, como é extremamente difícil e exigente apanhar até medalhas de ouro, quanto mais de platina. Se no modo de história a necessidade de pensar a fundo se quisermos ser eficientes é evidente, aqui é imperativa. Além disso, também podemos voltar a lutar contra os bosses do modo história. As missões podem ser jogadas com mais uma pessoa localmente em modo cooperativo e também há o modo Bingo onde temos que apanhar os frutos que aparecem no nosso cartão antes do outro jogador enquanto apanhamos itens para o atacar. Infelizmente, falha a possibilidade de jogar online.

Pikmin 3 é um verdadeiro clássico Nintendo, não só por fazer extremamente bem o que se propõe a fazer, mas também pelo equilíbrio e dualidade entre o infantil e o adulto, o pequeno e o grande. De um lado está a beleza relaxante da natureza e toda a vida e energia dos ternurentos ajudantes, do outro está o stress da batalha e estratégia, responsabilidade da liderança e a urgência e tristeza quando os Pikmin correm e gritam de desespero ao verem-se sozinhos quando a noite cai e falhámos em salvá-los a todos. No dia seguinte há mais trabalho a fazer.

 

Também podem deixar a vossa opinião sobre Pikmin 3, no respetivo tópico oficial no fórum.

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