Análises

The Legend of Zelda: Wind Waker HD

Quando em 2000 a Nintendo mostrou pela primeira vez o The Legend of Zelda: Wind Waker ao público, o mundo esteve prestes a acabar. Legiões de fãs (e não só) correram para os computadores e martelaram no teclado até o seu descontentamento ser público: o estilo de desenho animado era infantil e apenas para crianças, Zelda é para adultos e a Nintendo estava a arruinar a saga e a trair os fãs.

Passados 13 anos, com a sua direcção artística única, Wind Waker é lembrado por muitos com ternura e tido como um exemplo de como mudar drasticamente de estilo gráfico com sucesso.

brilliance-1ogsy6No meio das suas experiências para preparar o próximo Zelda para a Wii U, a Nintendo decidiu que estava na hora de revisitar o jogo e dar-lhe uns retoques. Apesar do sufixo HD, a Nintendo não se limitou a subir a resolução para 1080p, tendo alterado, entre outras coisas, o sistema de iluminação, sombras e até algumas texturas. A adição de Bloom que inicialmente parece exagerada acaba por resultar extremamente bem neste enquadramento tropical, dando ênfase à forte luz do sol e calor. O jogo corre a 1080p e a 30 fps tal como o original, tendo por vezes quebras em cenas de acção que envolvem muitos barcos a disparar. Apesar da mudança de estilo face ao original não ser drástica, é o suficiente para fazer a diferença: o jogo está lindíssimo. Os modelos parecem menos desenhos animados bidimensionais e fazem mais lembrar bonecos, parecendo muito mais sólidos devido ao novo sistema de iluminação que propicia muitos momentos de arregalar os olhos onde vamos querer dar uso à função de gravar a imagem com o Miiverse.

Tudo isto está acompanhado por uma brilhante banda sonora com temas de influência celta, assim como versões de temas clássicos da saga e algumas faixas de ambiente para as masmorras, sóbrias e algo assustadoras. As músicas foram retrabalhadas para continuar a soar como as originais, mas com bastante mais qualidade. Não sendo a banda sonora orquestrada ou com instrumentos reais que muitos pedem, os resultados não deixam de ser excelentes e a música perfeitamente casada com o tema náutico e estilo cartoonesco.

As mudanças não se ficam pelos gráficos, para quem achou que viajar pelos oceanos demorava muito tempo agora há uma nova vela opcional que duplica a velocidade do barco, o que melhora substancialmente o ritmo do jogo, especialmente para quem está mais interessado em viajar de A a B e acabar o jogo rapidamente do que explorar calmamente. Além disso, a infame secção onde temos que andar de um lado para o outro a descobrir mapas para depois apanhar uns certos oito itens foi encurtada, sendo que a localização deles todos está detalhada num só mapa, cinco deles estando directamente em terra firme e os restantes debaixo do mar.

BTmEi6UCYAAFhLi.png largeIsto resolve duas das maiores queixas do jogo original e a adição do Hero Mode desde o início resolve a outra: a falta de dificuldade. Se o modo normal é muito fácil para jogadores minimamente experientes, o Hero Mode prova-se um verdadeiro desafio, não só os inimigos causam mais dano como não há corações para recuperar vida, fazendo com que cada golpe sofrido seja importante, especialmente no início do jogo quando temos pouca vida. Isto torna o jogo bem mais interessante, não só pelo desafio, mas porque faz com que sejam necessárias as antes inúteis poções, o que implica dar uso aos itens precisos para as fabricar ou aos iscos usados para chamar ratos que nos podem vender poções, iscos esses que custam dinheiro. Este modo consegue ser bem difícil e é possível voltar para a dificuldade normal sempre que escolhemos o nosso ficheiro, no entanto um modo de dificuldade intermédio para quem não quer ser tão posto à prova mas acha o modo normal muito fácil era bem-vindo.

O jogo pode ser controlado com o Pro Controller ou com o Gamepad que pode ser usado para jogar sem a TV ou como mapa e para gestão de itens, ambas funções extremamente úteis porque possibilitam orientarmo-nos ou trocar de itens rapidamente e sem pausar o jogo. Também se pode atribuir itens a mais um botão do que na versão Gamecube e os acessórios aplicáveis no barco como o canhão e o gancho estão sempre atribuídos ao d-pad o que faz com que não seja necessário reatribuí-los quando entramos no barco. Além disso também podemos apontar movendo o Gamepad o que é óptimo para apontar rapidamente e com precisão, podendo sempre usar-se em conjunto com o analógico ou também desligar os sensores de movimento. Agora também é possível andar enquanto se usa as armas que permitem apontar em primeira pessoa como o boomerang ou o arco, mas não se pode usar a espada por exemplo.

A Picto Box (máquina fotográfica) também levou uma actualização podendo agora guardar 12 fotos em vez de quatro e também nos deixa tirar auto retratos (tal com uma adolescente!) e fazer caretas. Além de podermos colocar as fotos no Miiverse também podemos usar a Tingle Bottle, que vem substituir o Tingle Tuner, para colocar no mar uma garrafa com um texto e uma foto lá dentro, que depois vai parar a uma praia de outro jogador ligado à net. Uma novidade interessante e original, mas não incluir o Tingle Tuner é uma oportunidade falhada visto que era perfeito usar o Gamepad a fazer a vez do Game Boy Advance enquanto o outro jogador usava o Pro Controller para controlar o Link. Não é um problema de maior visto que era apenas um extra que muito pouca gente usou, mas é digno de nota.

brilliance-45rsxhQuem já jogou o original sabe agora o que esperar do jogo, mas o que dizer aos novatos? Wind Waker é a história de uma criança preguiçosa que se vê forçada a abandonar o conforto do lar e tudo o que conhece para salvar a sua irmã que foi raptada, o que o leva a envolver-se numa aventura bem maior que ele e que o rapto da irmã. Um formato semelhante a praticamente todos os outros Zelda, mas que como tal, esconde debaixo da sua simplicidade várias nuances, detalhes, óptimas personagens e ligações aos outros jogos da saga, tanto explícitas como escondidas.

Como Link (ou qualquer que seja o nome que se escolhe dar ao herói), viajamos pelos mares de ilha em ilha, visitando povoamentos, descobrindo mapas que nos levam a tesouros escondidos debaixo de água, invadindo submarinos e jangadas inimigas e aventurando-nos em masmorras repletas de quebra-cabeças e monstros de todos os tipos e tamanhos. O mar é um pouco vazio visto que grande parte das ilhas são minúsculas, mas pelo meio há inimigos, tesouros para encontrar, peixes falantes que nos desenham o mapa e contam rumores sobre o mundo para nos ajudar na nossa aventura e outras surpresas. A nova vela que torna a navegação mais rápida certamente será uma bênção para os que achavam as viagens marítimas enfadonhas.

As masmorras são como de costume, uma das partes principais do jogo, e apesar de terem alguns puzzles interessantes com boas utilizações dos itens e da mecânica única na saga de poder usar as armas dos inimigos, são as masmorras mais fracas de todos os Zelda 3D. São bons níveis e o ambiente mais sombrio que contrasta com o do mundo exterior está extremamente bem conseguido, mas falta-lhes uma certa centelha criativa no layout e na sua progressão. Vale a pena repetir que o Hero Mode torna as masmorras bem mais interessantes para quem procura um desafio.

À semelhança do Majora’s Mask, o número de masmorras não é tão grande como nos outros jogos, havendo por isso algum ênfase em missões alternativas, mas o jogo não deixa de ter bastante sumo precisando de cerca de 30 horas para ser passado pela primeira vez.

brilliance-2uusxsEscolher entre o novo estilo gráfico e o antigo é uma mera questão de preferência pessoal, mas a nova versão está estonteante e mais viva do que nunca, respirando charme e personalidade, dois chavões algo vagos e demasiado utilizados, mas que qualquer pessoa que tenha jogado Wind Waker sabe que se aplicam.

O preço é puxado para uma versão melhorada de um jogo com 10 anos, especialmente tendo em conta que não tem conteúdo novo propriamente dito, mas preferências gráficas à parte, esta versão é sem sombra de dúvida superior em tudo o resto, conseguindo colmatar muitas das falhas do original, criando um jogo mais equilibrado, interessante e com menos momentos mortos.

The Legend of Zelda: Wind Waker HD é uma experiência que mesmo passados tantos anos, continua fresca como mais nenhuma e quando a aventura chama, não há nada como içar a vela e fazermo-nos ao mar.

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