Análises

Pokémon X & Y

Dizem que em fórmula vencedora não se mexe e mais vencedora que a de Pokémon não é fácil de encontrar. Com Pokémon X e Y a Game Freak não muda demasiado a receita, não deixando mesmo assim de ter dado o maior salto desde o primeiro jogo.

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Continuamos a desempenhar o papel de um ou uma jovem que parte de uma pequena aldeia com o seu primeiro Pokémon e embarca numa aventura para ser um mestre Pokémon, defrontando-se pelo caminho com os seus rivais e uma organização criminosa. Os combates pouco mudaram, continuamos a ser atacados aleatoriamente ao passear por ervas altas e infelizmente continuamos a ter que usar ataques especiais (HMs) para ultrapassar obstáculos. Mas nem tudo está na mesma.

A mudança óbvia são os gráficos, agora completamente em 3D, vemos o mundo Pokémon com outros olhos. Apesar de ser um grande fã de sprites bem feitos, a verdade é que as cidades, florestas e cavernas ganham nova vida com gráficos poligonais, mesmo que estes não sejam de topo.
Ao explorarmos a nova região de Kalos (inspirada em França), a perspectiva é habitualmente isométrica como sempre foi, mas por vezes o ângulo câmera muda, tomando partido do novo motor gráfico para algo menos superficial do que meramente ter personagens e cenários a três dimensões. A câmera pode subir, revelando caminhos e personangens situados nas alturas, ou pode passar para trás de nós pela primeira vez na série, alterando drasticamente como vemos o mundo, quer estejamos numa cidade ou a explorar uma caverna. Nada de extraordinário, mas é uma novidade para a série.

Mas onde a diferença se faz sentir é nas batalhas, onde podemos ver os nossos monstrengos a lutar em todo o seu esplendor com fantásticos modelos 3D. Por um lado confesso sentir falta de ver pela primeira vez o sprite de um Pokémon para ver que direcção artística é tomada com o seu design, mas isso pouco é face à vantagem de ter uma representação perfeita a três dimensões completamente animada. Já não estamos presos a ver os nossos lutadores pelas costas enquanto atacam com animações extremamente limitadas, agora a câmera muda dinamicamente ao estilo Pokémon Stadium como se fosse uma transmissão televisiva e os movimentos e ataques são bem mais variados e detalhados.
Claro que ainda há limitações, continua sem haver grande contacto físico entre os Pokémon, mas é perfeitamente compreensível que com modelos de 718 Pokémon diferentes (mais trocos), isto não seja uma tarefa fácil de resolver.

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A falta de proficiência técnica da equipa é visível, o 3D estereoscópico que dá o nome à 3DS só funciona dentro das batalhas e de alguns lugares específicos e mesmo quando funciona, não é nada de impressionante. Além disso, o framerate consegue ser bastante mau durante os combates, mesmo em 2D. Felizmente isto não é um grande problema, visto que estamos a navegar em menus e não a controlar uma personagem directamente, pelo que não tem impacto na jogabilidade.
Apesar dos modelos dos monstros de bolso estarem óptimos, as cores estão um bocado esbatidas, uma decisão estranha visto que sempre foram jogos que apostarem muito nas cores, especialmente nos designs dos bichos. Isto é mais notório e incomodativo em certos Pokémons como o Pikachu ou o Charmander, que perdem as suas cores vivas tão características.
A banda-sonora é, como de costume, composta por imensas e óptimas faixas, agora com uma qualidade de som bem melhor. Apesar das músicas serem praticamente todas novas, alguns temas clássicos e jingles que os fãs conhecem e adoram estão de volta assim como os famosos rugidos dos Pokémon, agora com um upgrade de qualidade, sendo a excepção o famosíssimo Pikachu que usa a voz do anime.

Também é visível a falta de experiência em métodos de controlo diferentes do habitual, sempre que a câmera muda para trás de nós, os controlos ficam pouco cooperantes e francamente maus, especialmente na Lumiose City onde enquanto andamos a lutar com os controlos e câmera podemos entrar acidentalmente numa loja ou ir contra alguém.
O D-Pad é usado para andar e correr, enquanto que o Circle Pad automaticamente activa os patins para irmos mais rápido. É um esquema um pouco estranho porque com o D-Pad estamos limitado a oito direcções e com os patins e bicicleta, apesar de ficarmos bem mais rápidos, perdemos imensa precisão sendo fácil bater contra tudo e todos com frequência.
Não é um problema grave e não é de difícil habituação, mas não foi a melhor das escolhas e é estranho estar limitado a oito direcções quando queremos andar com precisão, agora que a série passou à terceira dimensão.

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A progressão no jogo, apesar de semelhante aos anteriores em larga escala, tem algumas diferenças. O início do jogo é bem menos lento, em pouco tempo já conhecemos os nossos rivais e estamos a lutar e apanhar ‘Mons, desta vez de tipos muito mais variados nas áreas iniciais permitindo-nos formar uma equipa diversa e ter escolhas muito rapidamente. Como desta vez apenas foram introduzidos 69 novos monstros, estão espalhados e misturados (mais do que o costume) por Kalos Pokémons de todas as gerações, o que por um lado tira a sensação de novidade e descoberta, mas por outro dá mais sentido de coesão e continuidade, isto para não falar de menos designs maus só para atingir a quota de 150 adições por geração.
Chegar assim tão rápido a um ponto que antes demorava muito mais, torna as primeiras horas do jogo bem mais agradáveis tanto para principiantes como para veteranos.

Além disso o Exp. Share também mudou bastante, acessível quase no início do jogo, este item agora pode ser activado para fazer com que o Pokémon que lutou ganhe todos os pontos de experiência que habitualmente ganharia e que o resto da equipa ganhe um fracção. Obviamente, isto faz com que a equipa suba de nível muito mais rápido e de forma mais equilibrada, o que à primeira vista parece facilitar demasiado as coisas, mas a verdade é que em todos os jogos da série o jogador rapidamente fica bem mais forte do que quase qualquer desafio que lhe apareça durante a história, sendo o verdadeiro interesse do jogo fazer uma boa equipa, capturar o máximo de Pokémons e lutar com outras pessoas.
Para ver a diferença que o Exp. Share faz, joguei uma grande porção do jogo com ele desligado o que me pareceu tornar o jogo um pouco mais difícil que o habitual a partir de certo ponto se não perdermos muito tempo a treinar a equipa. Ou seja, o Exp. Share acaba por ser uma espécie de opção para mudar o modo de dificuldade a médio prazo. No entanto, e apesar de ser opcional, esta mudança pode não ser do agrado de todos por tornar as coisas mais fáceis.

A maior novidade do jogo, além da introdução do tipo Fairy (fada) que mais uma vez mexe com o ecossistema de fraquezas, é a Mega Evolução. A partir de certo ponto no jogo podemos usar um item que nos permite durante a batalha evoluir certos Pokémons para novas formas nunca antes vistas. Apenas alguns monstros têm uma mega evolução e esta necessita de um item específico para cada Pokémon, que volta ao normal no fim do combate. Nem todos os designs das Mega Evoluções são vencedores, mas esta novidade permite-nos efectivamente ter um sétimo elemento na nossa equipa, o que abre portas a novas estratégias, especialmente porque alguns bichos mudam de tipo.

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No ecrã de baixo, podemos controlar vários menús que também apresentam novidades importantes. A primeira é o Pokémon Amie onde podemos brincar com um Pokémon da nossa equipa fazendo-lhe festas, dando comida e jogando mini-jogos, o que além de poder derreter um coração, aumenta a felicidade do Pokémon o que traz vários benefícios como certos efeitos durante a batalha, maior ganho de experiência, evasão e rácio de ataques críticos entre outros.
Também no ecrã táctil se controla o Super Training onde podemos jogar mini-jogos que melhoram as estatísticas dos nossos monstros e desbloqueiam sacos de boxe onde eles podem treinar. Isto torna visível uma boa parte do treino dos Effort Values (EV), estatísticas antes escondidas que nos ajudam a tirar o máximo dos Pokémons.

Os O-Powers são uma versão melhorada dos Pass Powers do Pokémon Black e White, onde podemos usar poderes que nos sobem temporariamente o ataque, defesa, experiência entre muitos outros efeitos. Estes poderes podem ser usados em amigos na Internet, o que nos permite pedir ajuda a pessoas que estejam online. Estes poderes são apenas uma parte das imensas melhorias a nível de conectividade online que X e Y trazem face aos anteriores jogos.
Agora podemos através de um menú no ecrã de baixo ligar e ligar o acesso à net quando quisermos e estamos sempre ligados, podendo ser desafiados para uma batalha ou troca a qualquer altura. Com um ou dois toques podemos mudar a opção para aceitar ou não convites de estranhos, usar o microfone para falar com amigos, adicionar pessoas aos nossos contactos, lutar com treinadores perto de nós e entrar em vários tipos de batalhas com ou sem ranking.

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De volta está o GTS, basicamente um banco onde podemos deixar Pokémons juntamente com condições para uma troca, especificando que Pokémon queremos por ele. Se alguém entrar no GTS e aceitar a troca, ela é feita sem nos termos que incomodar. Quem gostar de jogos de sorte, também pode usar o Wonder Trade onde “doamos” um monstrengo à nossa escolha e recebemos um aleatório de alguém que fez o mesmo.
Este sistema online é de longe o mais evoluído da série e basicamente aproxima o jogo do MMO que muitos pedem, visto que se quisermos podemos estar sempre ligados à net onde qualquer pessoa do outro lado do mundo nos pode desafiar para uma batalha ou troca.

Pokémon X e Y não reinventam a roda, mas deixam poucas dúvidas que isso seria desnecessário, fazendo tão bem aquilo que capturou as mentes e corações de tantos milhões ao longo dos anos. Viajar pelo mundo a batalhar e capturar Pokémons para fazer a equipa perfeita aos nossos olhos continua a ser uma aventura como poucas outras e com todas as novidades e a mega evolução do online, ainda há mais incentivos para ser um mestre Pokémon.

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