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Apresentação Uncharted 3: Drake’s Deception

Foi o dia 18 de Outubro que a Sony Portugal escolheu para presentear-nos com a vinda de Justin Richmond e Arne Meyer, da produtora Naughty Dog, para que dessem a conhecer um pouco mais de Uncharted 3: Drake’s Deception, que é visto como o maior exclusivo para a PlayStation 3, nesta recta final de 2011.

Enquanto que de manhã tivemos a oportunidade de entrevistar Richmond e Meyer, duas pessoas que revelam genuíno entusiasmo pela sua profissão, à noite fomos saudados por uma viagem pelos tempos em que de súbito, faziámos parte da viagem épica de T.E. Lawrence durante à sua ascensão enquanto uma das maiores figuras históricas do século passado.

Segue-se, pautada por textos e imagens, uma parte dessa mesma viagem.

ZWAME: Qual foi a razão por detrás da escolha de Lawrence da Arábia, após Sir Francis Drake e Marco Polo?

Justin Richmond:

Foi por diversas razões na realidade. Primeiro, queríamos conceber algo que se passasse no deserto e Lawrence da Arábia veio a integrar-se na perfeição.

Tendo em mente a temática em torno do deserto, inicialmente recuámos até Alexandre, o Grande mas mais tarde a Amy Henning, uma das nossas colegas na Naughty Dog, chamou-nos à atenção para o facto de T.E. Lawrence  ter sido um árqueologo ainda antes de se tornar famoso enquanto Lawrence da Arábia. Durante esse tempo, no princípio da sua idade adulta, ele viajou pela França até à Síria e foi estudando castelos e monumentos do período das cruzadas e foi a partir desse momento que começámos a brincar com a ideia desta figura histórica para à nossa narrativa.

Para além disso, o facto de ele ter tido uma morte misteriosa, causada supostamente por um atropelamento acidental, também funcionou em nosso favor, já que se encaixou perfeitamente na nossa ideia dele ter pertencido em tempos a uma  sociedade secreta.

ZWAME: Vocês tiveram oportunidade de fazer pesquisa local, no que diz respeito aos cenários no deserto por exemplo?

Arne Meyer:

Na apresentação que fizemos ainda há pouco, a pessoa que se vê a rebolar numa das fotografias por uma duna abaixo é um colega nosso. Alguns deles fizeram uma viagem de propósito até aos desertos da Califórnia de forma a recolherem referências para o jogo, tanto fotografia como vídeo.

Aliás, já quando desenvolvemos o Uncharted 2: Among Thieves, também tivemos colegas que se deslocaram de propósito ao Tibete e aos Himalais com o mesmo propósito em mente.

Justin Richmond:

Ainda assim, a Ammy Hennig geralmente tenta reúnir o maior número possível de referências para que possamos trabalhar com as mesmas dentro na produtora. Não digo que a pesquisa local não seja algo útil mas não é uma coisa que consideremos absolutamente prioritária.

ZWAME: Em comparação com o Uncharted 2: Among Thieves, como é que irá ser o triângulo amoroso entre o Nathan, a Elena e a Chloe?

Justin Richmond:

Nesse aspecto, a narrativa deste jogo em comparação com a anterior é algo completamente distinto. Ainda existe uma certa dinâmica entre as personagens nesse campo mas ainda assim, para este jogo, decidimos focar-nos um pouco mais na relação entre o Sully e o Nathan, sem descurar claro o romance entre o Nathan e a Elena.

ZWAME: Olhando para Uncharted e olhando para Jak & Daxter, é impossível não reparar num certo paralelo que ambas as séries partilham, relativamente à progressão de cenários que marca cada jogo na trilogia. É intencional?

Justin Richmond:

Isso já nos foi mencionado anteriormente mas trata-se de uma coincidência, já que a grande maioria do pessoal que trabalha no Uncharted não se encontrava presente na Naughty Dog aquando do lançamento dos Jak & Daxter. Claro que ainda há alguns colegas desse período mas a vasta maioria é tudo pessoal novo. Mais uma vez, posso dizer que não é algo intencional.

ZWAME: Já têm algumas ideias no que diz respeito a conteúdo descarregável? Como por exemplo, algo para o modo campanha é uma ideia que vos soe bem?

Justin Richmond:

Isso é algo que nós nunca faremos, pois quando pensamos na história para um novo jogo, pensamos em algo que tenha princípio, meio e fim. Se por acaso tivermos alguma boa ideia mais tarde, preferimos trabalhar um pouco mais nela de forma a concebermos possivelmente o próximo jogo em torno dessa ideia. Acho que os nossos fãs têm maior preferência por uma experiência completa só por si, invés de uma coisa que se assemelhe a episódios.

ZWAME: Qual é a vossa opinião relativamente ao 3D? Consideram que é algo indispensável?

Justin Richmond:

Eu não diria que é algo indispensável mas não deixa de ser espectacular, já que confere outro brilho ao jogo, tanto às personagens como aos ambientes. Acho que torna a experiência mais imersiva mas não diria que é algo 100% necessário, até porque a experiência em 2D é igualmente espectacular. O 3D acaba por constituir outra forma de jogar.

Arne Meyer:

Acho que ainda assim uma das coisas espectaculares em torno do 3D é a sensação de escala com que se é presenteado, especialmente quanto aos cenários à distância.

ZWAME: Depois de Uncharted 3: Drake’s Deception, que vos espera?

Justin Richmond:

Isso é algo que ainda não sabemos, pois afinal de contas acabámos agora o jogo. Contudo, posso dizer que enquanto os nossos fãs quiserem mais jogos de Uncharted e enquanto nós tivermos histórias interessantes para contar e a tecnologia necessária por trás para as sustentar, cá estaremos. Como digo, ainda é algo que não decidimos juntamente com o resto da produtora mas ainda há certos rumos pelos quais podemos seguir com o Nathan, já que este não é o fim da estrada ainda.

Mas como digo, ainda é algo que não sabemos com toda a certeza.

ZWAME: Vocês têm algum papel no que diz respeito ao desenvolvimento do filme baseado na série?

Justin Richmond:

Nem por isso. Já nos enviaram um par de guiões e nós mandámos para trás, com ideias e feedback relativamente à história mas nada mais que isso.

No final do dia, nós confiamos neles da mesma forma que eles confiam em nós para conceber os jogos.

ZWAME: Irá existir alguma conectividade entre Uncharted 3: Drake’s Deception e Uncharted: Golden Abyss para a PlayStation Vita?

Arne Meyer:

É algo em que ainda teremos de pensar melhor depois de vermos mais do jogo, mas de momento, ainda não temos muitos detalhes ou ideias relativamente a isso, embora gostássemos de fazer algo interessante óbviamente.

ZWAME: Muito obrigado a ambos.

Justin Richmond & Arne Meyer:

Obrigado nós.

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